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Autor Tópico: Autismo: temos de aprender com quem vive essas discriminações  (Lida 1802 vezes)

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Autismo: “temos de aprender com quem vive essas discriminações”

Na Conferência Internacional Autismo pelos Próprios, Catarina Martins apresentou algumas das prioridades que o partido tem defendido para as pessoas com deficiência cognitiva e psico-social, nomeadamente na questão do acesso ao SNS, na escola e no trabalho.
25 de Fevereiro, 2023 - 13:02h


Conferência Internacional Autismo pelos próprios. Foto de José Gusmão.

Este sábado decorre a Conferência Internacional Autismo pelos Próprios organizada pelo eurodeputado José Gusmão com a Associação Portuguesa Voz do Autista(link is external) e o The Left(link is external). Como o nome da sessão indica, os painéis foram compostos por várias pessoas com autismo(link is external). A organização explica que “as pessoas autistas nem sempre estão incluídas no desenvolvimento de políticas sociais e de igualdade a nível europeu”. Assim, esta conferência pretende mostrar “como isto pode ser feito, ao dar espaço às pessoas autistas que atualmente o fazem a nível europeu e internacional”.

A abrir a sessão, para além do deputado no Parlamento Europeu, esteve ainda Catarina Martins. Esta começou por reconhecer tem “aprendido muito” mas ainda sabe “muito pouco”. Para a dirigente bloquista, “temos de aprender com quem vive essas discriminações, com quem sente dificuldades quotidianas” de forma a “garantir que cada pessoa é respeitada, tem o seu espaço, na democracia pode viver com a dignidade que cada uma tem de ter na sua vida”.

Essa aprendizagem e início de caminho sobre a vida independente passou também pelo Parlamento, salientou, com a eleição de Jorge Falcato, sendo “a primeira vez que o Parlamento português teve uma pessoa com uma deficiência motora e teve de fazer coisas como instalar rampas para que um deputado pudesse estar a fazer o seu trabalho”, e de Diana Santos, a primeira deputada tetraplégica.

Mas Catarina Martins quis dizer que tem “a absoluta noção de que ainda sei muito pouco, que todos os dias faço asneiras, que no meu comportamento tenho interiorizadas reações que não são corretas” e por isso agradece “a todas as pessoas com autismo e às suas famílias” que marcaram presença na sessão.

“Num país em que ter deficiência é condição de empobrecimento, a reivindicação da vida justa é ainda mais importante”

A porta-voz partidária analisou em seguida o “momento particularmente difícil” que Portugal, “um país muito desigual”, atravessa. As dificuldades do momento são partilhadas pelas classes trabalhadoras que “em todo o mundo sofrem uma perda do poder de “muito acentuada” mas no nosso país a situação é “particularmente grave”, sendo “um dos países da União Europeia com salários mais baixos e um mais alto custo de vida”. Não podia faltar assim a referência à notícia de que “o gás para aquecer as casas no Inverno aumentou muito acima da média europeia, triplicou o seu preço, ou os bens alimentares em Portugal que aumentaram mais do que na União Europeia toda”.


Preços dos alimentos sobem mais em Portugal do que na zona euro
Dados que reforçam o sentido das manifestações “de quem exige uma vida justa” que decorrerão este sábado face a um governo “que responde sempre tarde de mais e pouco muito pouco”. Esta reivindicação “num país em que ter deficiência é condição de empobrecimento esta reivindicação da vida justa é ainda mais importante”, assegura, acrescentando que “em Portugal, as pessoas com deficiência e as famílias em que há pessoas com deficiência estão em maior risco de pobreza do que todas as outras”.

Governo faz “sempre muito pouco, sempre muito tarde”

Para ilustrar essa ideia de que é feito “sempre muito pouco, sempre muito tarde”, Catarina Martins utilizou o exemplo da regulamentação do acesso das pessoas com deficiência à reforma antecipada que só ontem foi regulamentada, apesar de já estar na lei “há mais de um ano”.

Para além da aplicação tardia, esta “só chega para um número muito pequeno de pessoas: é preciso ter uma incapacidade superior a 80% adquirida antes dos 60 anos”.

E até este “muito pouco” só tem vindo a ser dado “porque as pessoa com deficiência se organizam e começam a ter visibilidade. Por isso é que é tão importante encontros como o de hoje”, reforçou.

Finalizando, apresentou “três preocupações fundamentais” no que diz respeito aos problemas que vivem as pessoas com deficiência cognitiva, psico-social, autismo mas não só. Em primeiro lugar, a forma como são tratadas desde logo na saúde “desde o início das suas vidas”. Sublinha-se que “no SNS não existem nem as condições nem a preparação para se lidar com as pessoas com deficiência psico-social e isso é bastante claro para nós e é preciso agir muito sobre a saúde”.

Em segundo lugar, há muito caminho a ser feito na escola. Do ponto de vista prática, a “escola inclusiva” continua a não ter escolas nas condições que são necessárias, tornando-se “na verdade está” em “mais um fator de discriminação, opressão, mais uma violência quotidiana para tantas pessoas”. Defende-se pelo contrário, “uma escola que seja capaz de receber todas e todos os alunos mas não apenas porque diz que quer receber mas porque tem os recursos de condições, de gente e também de aprendizagem na própria escola para receber todos”.

Em terceiro lugar, a questão do emprego, na qual “do ponto de vista legal há exigências no emprego das pessoas com deficiência” mas “não são cumpridas e muito menos são cumpridas para as pessoas com deficiência cognitivas ou deficiência psico-social”. Em todas estas questões “é preciso fazer um caminho de aprendizagem de como é que podemos mudar a sociedade e esse caminho mais uma vez é convosco que o faremos”, rematou.


Esquerda.net
 

 



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