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Autor Tópico: Deficiência Múltipla  (Lida 209 vezes)

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Deficiência Múltipla
« em: 19/03/2018, 17:11 »
Deficiência Múltipla



PEDAGOGIA
A deficiência múltipla é uma associação de duas ou mais deficiências primárias como física, mental, visual ou auditiva, no mesmo indivíduo. As pessoas com deficiência múltipla apresentam comprometimento que causam atrasos no desenvolvimento, na aprendizagem e na capacidade administrativa.


De acordo com Política Nacional de Educação Especial (PNEE) a deficiência múltipla é uma “associação, no mesmo indivíduo, de duas ou mais deficiência primárias (mental/ visual/auditiva/física) com comprometimento que acarretam atrasos no desenvolvimento global e na capacidade adaptativa (MEC,1994).


O programa TECNEP (2008) afirma que deficiência múltipla: É a deficiência auditiva ou a deficiência visual associada a outras deficiências (mental e/ou física), como também a distúrbios neurológicos, emocionais, linguagem e desenvolvimento educacional, vocacional, social e emocional, dificultando a sua autossuficiência.


Ainda no campo da definição da deficiência múltipla, o decreto federal nº 5.296 explica que é uma “ associação de duas ou mais deficiências” podendo ser de ordem física, sensorial, mental, emocional ou de comportamento social, podendo ser agravada por alguns aspectos, tais como a idade de aquisição, o grau das deficiências e a quantidade de associações que o indivíduo apresenta.


No entanto, não é a soma da associação de deficiências que irá caracterizar a deficiência múltipla, mas sim o “nível de desenvolvimento, as possibilidades funcionais, de comunicação, interação social e de aprendizagem que determinam as
necessidades educacionais dessas pessoas” (GODÓI, 2006, p. 11).



As causas da deficiência múltipla

As causas que envolvem a deficiência múltipla podem ser várias. Elas podem ser de ordem sensorial, motora e linguística e originada de “ fatores pré-natais, perinatais ou natais e pós-natais, além de situações ambientais tais como: acidentes e traumatismos cranianos, intoxicação química, irradiações, tumores e outras” (SILVA, 2011).


As causas também podem ser por má-formação congênita, Hipotireoidismo, Síndrome de Rett , e por infecções virais como Síndrome da rubéola congênita, ou por doenças sexualmente transmissíveis.


De acordo com Campos (2003) as causas da deficiência múltipla ainda podem ser por Icterícia, infecção do ouvido, falta de oxigênio no cérebro, sarampo, glaucoma, traumatismos, tumor cerebral, toxoplasmose, catarata e casamentos consanguíneos.


O programa TECNEP (2008), também menciona algumas causas como prematuridade, a sífilis congênita e a meningite. Outros fatores também podem ser atribuídos às causas para a deficiência múltipla como doenças venéreas, gravidez de risco, falta de saneamento básico e infecções hospitalares (idem).


De acordo com a Associação Brasileira de Pais e Amigos dos Surdo-cegos e dos Múltiplos Deficientes Sensoriais (Abrapacem), a forma como a deficiência afetará a vida, o aprendizado de atividades simples e o desenvolvimento da comunicação do indivíduo, varia de acordo com o grau de comprometimento proporcionado pelas deficiências, associado aos estímulos que essa pessoa irá receber ao longo da vida.

Caracterização da deficiência múltipla

De acordo com a Fenapaes (2007, p.23 apud SILVA, 2011) a caracterização da deficiência múltipla deve ser levado em consideração que ela pode apresentar-se mediante a associação das seguintes categorias, dentre outras:

- FÍSICA E PSÍQUICA – são exemplos dessa condição: (a) deficiência física associada à deficiência intelectual; (b) deficiência física associada a transtorno mental.


- SENSORIAL E PSÍQUICA – exemplificam essa condição: (a) Deficiência auditiva ou surdez associada à deficiência intelectual; (b) Deficiência visual ou cegueira associada à deficiência intelectual; (c) Deficiência auditiva ou surdez associada a transtorno mental.


- SENSORIAL E FÍSICA – são exemplos dessa condição: (a) Deficiência auditiva ou surdez associada à deficiência física; (b) Deficiência visual ou cegueira associada à deficiência física.


- FÍSICA, PSÍQUICA E SENSORIAL – são ilustrativas dessa condição: (a) Deficiência física associada à deficiência visual ou cegueira e à deficiência intelectual; (b) Deficiência física associada à deficiência auditiva ou surdez e à deficiência intelectual; (c) Deficiência física associada à deficiência visual ou cegueira e à deficiência auditiva ou surdez.


Características Gerais da Criança com Deficiência Múltipla.

Crianças com deficiência múltipla apresentam algumas características distintas que as diferem das outras. De acordo com Nascimento (2006,p.11) essas características são:

- dificuldade na abstração das rotinas diárias, nos gestos ou na comunicação;
- dificuldades no reconhecimento de pessoas do seu cotidiano;
- movimentos corporais involuntários;
- respostas mínimas a estímulos causados por barulhos, toques, entre outros.


De acordo Sbaraini, as crianças com deficiência múltipla, também
- Aprendem mais lentamente;
- Tendem a esquecer o que não praticam;
-Tem dificuldade em generalizar habilidades aprendidas separadamente;
- Necessitam de instruções organizadas e sistematizadas;
- Necessita de ter alguém que possa mediar seu contato com o meio que o rodeia.


Percebe-se assim, que as crianças com deficiência múltipla podem apresentar movimentos estereotipados e repetitivos, não demonstrar conhecer as funções dos objetos, não se comunicar da forma convencional, apresentar resistência ao contato físico, não reter informações entre outros. Portanto, trabalhar com pessoas com deficiências múltiplas requer um compromisso no que se refere à autonomia da criança ou adolescente, seja na escola, na vida diária ou para a inserção no mundo do trabalho.
A criança com deficiência múltipla e a escola

Ao longo da história, é possível perceber como é difícil a convivência em sociedade, principalmente para as pessoas que não se enquadram nas expectativas de normalidade estabelecidas como padrões sociais, como por exemplo, ser capaz de andar, falar ou desenvolver algum tipo de trabalho. A sociedade valoriza o que culturalmente se convencionou como belo, sadio, forte, eficiente e produtivo. Dentro desta perspectiva, quem possui estas características é um ser normal.


Todavia, os indivíduos que não se enquadram nesses padrões e que apresentam algum tipo de anomalia, seja ela congênita ou adquirida, são pessoas que trazem consigo o estigma da diferença, maior ainda se essa diferença for expressa na forma de uma deficiência.


Na história da deficiência, as pessoas que não apresentavam os padrões de comportamento ou de desenvolvimento, ou seja, os padrões da normalidade, eram totalmente excluídas do contexto social e da convivência com os demais, inclusive da família. As pessoas com deficiência não tinham direito a participarem do mercado de trabalho e dos processos educacionais. Portanto, não eram considerados cidadãos. Dessa forma, as pessoas com deficiência carregam consigo a marca do defeito, da degeneração humana devendo ser isolados e castrados para que não procriassem, gerando assim mais pessoas defeituosas.


No século XIX que surgem as instituições especializadas em pessoas com deficiência. Essas instituições, de acordo com Sassaki (apud SASSAKI, 2003, p. 31) “eram em geral muito grandes e serviam basicamente para dar abrigo, alimento, medicamento e alguma atividade para ocupar o tempo ocioso”. Paralelo a isso, observa-se também no século XIX o surgimento da Educação Especial.


Em uma rápida análise da trajetória da Educação especial, é possível identificar que o período que antecede o século XX é marcado por atitudes sociais de exclusão educacional de pessoas com deficiência, uma vez que eram consideradas indignas ou incapazes de receberem educação escolar.


Na década de 50, de acordo com a SILVA (2006, p.11), “começaram a surgir as primeiras escolas especializadas e as classes especiais. A Educação Especial se consolidava como um subsistema da Educação comum”. Essa época, foi um período no qual predominou a concepção científica da deficiência, acompanhada ainda, pela atitude social do assistencialismo, no qual a pessoa com deficiência recebia atendimentos médicos a era preparada de maneira resignada, a uma posição social de submissão.


Nesta época os deficientes são considerados cidadãos, com direitos e deveres, mas de forma assistencialista. Ainda neste mesmo período, as pessoas com deficiência, começam a ter acesso às salas regulares de ensino desde que se adaptassem e não causassem nenhum transtorno ao contexto escolar.


No início da década de 80, quando houve um considerável número de alunos com deficiência começando a frequentar classes regulares de ensino, começou-se a projetar a fase da inclusão. Dessa forma, intensificou-se a atenção à necessidade de educar os alunos com deficiência no ensino regular, como consequência do aumento de matrículas e insatisfações existentes em relação às modalidades de atendimento em Educação Especial, que para muitos não atendia as necessidades educacionais e sociais dos alunos.


Porém, trabalhar com crianças, com deficiência múltipla, que apresentam “dificuldades acentuadas no processo de desenvolvimento e aprendizagem é um grande desafio, com o qual podemos aprender e crescer como pessoas e profissionais, buscando compreender e ajudar o outro” (GODÓI, 2006, p. 13).
Ainda de acordo com a autora, os alunos com deficiência múltipla possuem várias potencialidades, possibilidades funcionais e necessidades concretas que necessitam ser compreendidas e consideradas. Apresentam, algumas vezes, interesses inusitados, diferentes níveis de motivação, formas incomuns de agir, comunicar e expressar suas necessidades, desejos e sentimentos (GODÓI, 2006, p. 13).


Sendo assim, inclusão de alunos com deficiências múltiplas na escola comum requer não apenas a aceitação da diversidade humana, mas implica em transformação significativa de atitudes e posturas, principalmente em relação à prática pedagógica. Ao trabalhar com pessoas com deficiência múltipla espera-se que o educador, tenha conhecimentos adequados sobre o que pretende ensinar e que tenha uma metodologia de ensino adequada para que seus alunos assimilem os conteúdos ministrados.


Para que haja um eficaz aprendizado escolar do aluno com necessidades educacionais especiais, é necessário ainda, que o projeto político pedagógico e o currículo da escola estejam em consonância com as necessidades educativas dos alunos, sendo na metodologia de trabalho e formas de avaliação. É imprescindível que o currículo seja adaptado às necessidades e realidade dos alunos.


De acordo com a Associação dos deficientes físicos de Betim (adefib), “as adaptações são recursos necessários para facilitar a integração dos educandos com necessidades especiais nas escolas”. As adaptações do currículo são “modificações ou provisão de recursos espaciais, temporais, materiais ou de comunicação que favorecem o aluno com necessidades educacionais especiais no desenvolvimento do currículo regular” (GUIJARRO, 1992, p.134 apud GODÓI, 2006, p. 33).


Porém, as adaptações de acesso ao currículo são de responsabilidade da escola, e envolvem segundo Godói (2006, p. 34)

• mobiliário adequado (mesas, cadeiras, triângulo para atividades no solo, equipamentos para atividades em pé e locomoção independente);

• equipamentos específicos e tecnologia assistida;

• sistemas alternativos e ampliados de comunicação;

• adaptação do espaço e eliminação de barreiras arquitetônicas, ambientais, play ground;

• recursos materiais e didáticos adaptados;

• recursos humanos especializados ou de apoio;

• situações diversificadas de aprendizagem e apoio para participação em todas as atividades pedagógicas e recreativas;

• adaptações de atividades, jogos e brinquedos.

Necessidades Educacionais da criança com Deficiência Múltipla
Para que haja um desenvolvimento e aprendizado significativo das crianças com deficiência múltipla, não basta somente as adaptações no currículo, é também necessário, de acordo com Sbaraini, observar algumas necessidades educacionais dos alunos tais como:

- Posicionamento e manejo apropriado: evitará dores e complicações posturais, o posicionamento adequado do aluno permitirá que ele veja, ouça, alcance objetos e movimente-se nas diversas atividades;

- Oportunidades de escolha: oportunizar o aluno a fazer escolhas, para a sua maior e melhor autonomia;

- Métodos apropriados de comunicação; todas as formas de comunicação devem ser usadas;

- Estimulação constante, de pessoas que se comuniquem de forma adequada e que proporcionem situações de interação;

- Planejamento de toda a aprendizagem, incluindo aspectos simples e básicos de vida diária;

- Interação em ambientes naturais, incluindo pessoas e objetos;

- Oportunidades de aprendizagem centradas em experiências de vida real;

- Organização e estruturação dos ambientes para lhes trazer segurança.


Esses são fatores essenciais e capazes de atender à necessidades específicas de aprendizagem dos alunos com deficiência múltipla.


Todavia, para que a criança com deficiência múltipla participe das atividades pedagógicas relevantes para o processo do desenvolvimento e aprendizagem, é necessário um professor atento, capacitado, disponível para dialogar e efetuar a mediação, tanto em termos de comunicação, quanto de ajuda física, na realização das brincadeiras e atividades escolares.


Considerações finais

A deficiência múltipla mais do que a soma de várias deficiências, trás diversas consequências no desenvolvimento da criança tanto na sua maneira de conhecer o mundo quanto no desenvolvimento das habilidades adaptativas.


No âmbito escolar, é imprescindível o educador estar atento às competências e necessidades do aluno com deficiência múltipla. É necessário ainda propiciar um ambiente lúdico, buscar atividades adaptadas e funcionais que favoreçam o desenvolvimento da comunicação e das interações sociais dos alunos, respeitando os limites é o tempo de cada educando. Esses fatores podem determinar o sucesso na aprendizagem dos alunos com deficiência múltipla.


Fonte: https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/direito/deficiencia-multipla/57024
 

 



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