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Autor Tópico: Deficientes visuais e intelectuais são pouco contratados para o trabalho  (Lida 1809 vezes)

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Online migel

 
Deficientes visuais e intelectuais são pouco contratados
Falta de tecnologia e ambientes adaptados são principais barreiras
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Publicada em 01 de maio de 2010 - 09:00

 De acordo com a organização sem fins lucrativos Universidade Livre para a Eficiência Humana (Unilehu), que capacita e encaminha pessoas com deficiência (PcD) gratuitamente para o mercado de trabalho, deficientes visuais e intelectuais possuem mais dificuldade do que os outros PcD para encontrar um emprego.
 
“As empresas não sabem aproveitar o potencial dessas pessoas que necessitam de ambiente e tecnologias adaptadas para realizar determinada função”, conta a presidente da Unilehu, Andréa Koppe. Além dessa barreira, os contratantes da mão de obra de pessoas com qualquer tipo de deficiência se deparam com a baixa escolaridade e falta de capacitação dos candidatos “resultado de uma sociedade que não é inclusiva”.
 
Tânia Machado, de 30 anos, participante dos cursos promovidos pela entidade, possui deficiência mental leve e é exemplo de PcD que ainda não conseguiu um trabalho. “Terminei o ensino médio regular com bastante dificuldade, reprovei vários anos, mas consegui. Também tentei fazer um cursinho pré-vestibular, mas não consegui acompanhar”, conta.
 
Ela já levou currículo para várias lojas e mercados, mas ninguém a contratou. “É mais fácil para uma pessoa sem deficiência encontrar um emprego”, acredita. Para tentar trabalhar, Tânia está recorrendo à capacitação profissional. “Aqui nos cursos consigo entender que o professor está falando e por isso aprendi muita coisa que eu não sabia”. O curso de informática deve ser o próximo que ela vai participar em busca de conseguir concretizar o sonho de ter um emprego e não mais ficar em casa sozinha enquanto a família trabalha.
 
Ao contrário de Tânia, Adailton Ferreira da Costa, de 30 anos, não é deficiente desde que nasceu. Há nove anos ele teve o lado direito do corpo paralisado, após uma cirurgia cardíaca. Ele não teve problemas para encontrar um emprego e nesse período já trabalhou em vários locais. “Com a lei de cotas facilitou bastante e sempre tem vaga sobrando, o problema é que tem pessoas com deficiência que não se interessam e outras sem qualificação”, revela. Adailton, que pela primeira vez participa de um curso promovido pela Unilehu, considera a experiência de conviver com outros PcD muito importante e assim que possível pretende abrir comércio próprio.
 
Assim com Tânia e Adailton, mais de 1500 mil pessoas com deficiência foram inseridas no mercado de trabalho nos cinco anos de atuação da Unilehu. Ao todo foram cerca de três mil pessoas capacitadas pela instituição, que surgiu da dificuldade encontrada por um grupo de empresas em cumprir a lei de cotas para pessoas com deficiência, que completa, em julho, 19 anos de publicação.
 
Das nove empresas que organizaram a entidade ainda apóiam o projeto a Electrolux, TIM, Renault, Paraná Clínicas e Volvo. No total, são 27 empresas que destinam recursos para a qualificação da mão de obra de pessoas que possam se beneficiar da lei de cotas nessas instituições. “O tamanho dos nossos trabalhos depende da quantidade de recursos disponibilizados. Temos seis projetos que não saíram do papel pela falta de dinheiro”, exemplifica Andréa.
 
Mas não é apenas o trabalhador que precisa de capacitação, a empresa também é preparada para recebê-los. A Unilehu orienta e esclarece dúvidas por meio de reuniões e treinamentos para que a empresa se adapte, não apenas fisicamente, as limitações de cada pessoa. “Só contratar o funcionário não adianta porque a empresa sem preparação não vai conseguir reter o PcD por muito tempo na função”, explica.
 
Cerca de 40% das empresas mantedoras do projeto optam por contratar a pessoa com deficiência, treiná-la por cerca de três meses e somente após esse período inserir ela efetivamente dentro do quadro de funcionários. Assim os PcD recebem salário antes de começar a trabalhar.
 
Os contratados na modalidade “Aprendiz com Deficiência”, que não possui restrição de idade, recebem treinamento prático na empresa em que atua por meio período, e no outro, capacitação teórica. O projeto começou em novembro do ano passado e já conta com 56 aprendizes. A expectativa é que o número dobre até junho de 2010.
 
Já no programa Educação a Distância, os PcD participam de uma preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Os alunos assistem às aulas em casa e se encontram diariamente com professores que podem lhes sanar as dúvidas e reforçar o conteúdo da aula.
 
A previsão é de que neste ano sejam capacitadas duas mil pessoas, o dobro de 2009. “A difusão na mídia das dificuldades vividas pelos deficientes tem amenizado o preconceito, mas muitas empresas ainda preferem um funcionário sem deficiência para que não precisem se incomodar com as diversidades”, afirma Andréa.
 
Por mês, cerca de 40 vagas são abertas para PcD apenas pelas empresas mantedoras da Unilehu. As 74 vagas disponíveis atualmente poderão ser preenchidas na 2ª Feira do Emprego e da Capacitação Profissional de Curitiba no sábado e domingo (1 e 2), na praça Osório, e no Mutirão de emprego do super 1º de maio,  no sábado (1), em  São José dos Pinhais, no Ginásio de Esportes Ney Braga.
 
O que diz a Lei de Cotas?
 
A empresa com 100 ou mais empregados está obrigada a preencher de 2% a 5% dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência, habilitadas, na seguinte proporção:

Até 200 empregados - 2%
De 201 a 500 - 3%
De 501 a 1000 - 4%
De 1001 em diante - 5%
 
Fonte: Vida mais livre
 

 



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