Educação Especial - respostas educativas
No início de maio, durante quatro dias, o Agrupamento de Escolas Carlos Amarante foi objeto de uma intervenção no âmbito do programa “Acompanhamento - Educação Especial - respostas educativas”, atividade desenvolvida pela Inspeção-Geral da Educação e Ciência.
Para operacionalizar esta atividade, a equipa inspetiva procedeu a análise documental, realizou entrevistas aos diversos intervenientes no processo educativo (professores, pais, técnicos) e observação direta.
O nosso Agrupamento é frequentado por mais de 100 alunos com necessidades educativas especiais, desde a educação pré-escolar ao ensino secundário, com problemas diversos que exigem acompanhamento diferenciado.
Foi com expetativa que recebemos, entretanto, o Relatório da atividade que destaca como aspetos mais positivos:
- A articulação e a relação de proximidade entre os docentes da Educação Especial e as famílias, explícita na satisfação e confiança manifestada pelos pais e encarregados de educação.
- O trabalho colaborativo entre os docentes que intervêm na ação educativa dos alunos com Necessidades Educativas Especiais, os serviços de psicologia e as lideranças intermédias, traduzido na partilha de experiências, de procedimentos e de práticas, em contextos formais e informais.
- As orientações e o acompanhamento de docentes e alunos, por parte dos responsáveis dos diferentes grupos de recrutamento da Educação Especial, no sentido de otimizar a eficácia das medidas e a qualidade do ensino e da aprendizagem.
- A assunção da implementação do Programa Educativo Individual, por parte dos diretores e professores titulares de turma, numa perspetiva de escola/turma inclusiva.
- O trabalho de diferenciação pedagógica observado em sala de aula, revelador da implementação das medidas planeadas, que se afiguravam adequadas ao perfil de funcionalidade do aluno.
- Os instrumentos que formalizam os processos educativos do
s alunos, designadamente o processo de referenciação, a avaliação especializada por referência à CIF, os relatórios técnico pedagógicos e os programas educativos individuais, que não só respondem às exigências dos normativos legais, como se mostram orientadores da ação educativa.
- A eficácia das respostas educativas desenvolvidas com os alunos cegos e surdos, com recurso a materiais e apoios especializados eficazes.
Como aspetos a melhorar foram referidos os seguintes:
- Reforçar diligências no sentido de dotar todas as Unidades de Ensino Estruturado para a Educação de Alunos com Perturbações do Espetro do Autismo com espaços e materiais adequados às suas problemáticas.
- Assegurar em todas estas Unidades de Ensino Estruturado a existência de um planeamento, a curto prazo, para cada aluno, integrando os contributos de todos os intervenientes (técnicos, docentes, pais) num plano de corresponsabilização.
- Garantir que todos os alunos com perturbações do Espetro do Autismo beneficiem de um ensino mais estruturado e de sistemas de comunicação alternativos adequados aos seus perfis de funcionalidade.
A satisfação com o resultado do Relatório encontra igual medida na obrigação de darmos mais e melhores respostas aos nossos alunos com NEE, pais e docentes seguindo os valiosos contributos desta intervenção.
Este relatório vem confirmar a preocupação dos pais, alunos e docentes do AECA relativamente à proposta de decisão da administração educativa na transferência da escola de referência para alunos cegos e surdos do ensino secundário para outro agrupamento, quando existe uma longa experiência de trabalho bem sucedido, uma cultura de escola inclusiva e recursos materiais adequados no atual Agrupamento de Escolas Carlos Amarante.
É o que continuaremos a fazer, com responsabilidade, procurando sempre dar as melhores respostas à comunidade educativa, também na área da Educação Especial.
in Correio do Minho