Pais de crianças com deficiência exigem no Porto reposição do subsídio especial
“Brinquem com os submarinos, mas não brinquem com as crianças que precisam de apoio especial. Basta!”, lia-se num dos cartazes
Meia centena de manifestantes concentraram-se hoje frente à Direção Regional de Educação do Norte, no Porto, para contestar os "cortes" na atribuição do subsídio de educação especial.
Ao som de apitos e buzinas, os pais de crianças com deficiência protestavam contra o protocolo de colaboração assinado, em outubro passado, entre o conselho diretivo da Segurança Social e a Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE) e que, garantem, “exclui milhares de crianças com necessidades de apoios especializados”.
“Brinquem com os submarinos, mas não brinquem com as crianças que precisam de apoio especial. Basta!”, “Que escola inclusiva é esta que não defende os direitos das crianças” ou “Exigimos justiça” eram alguns dos “recados” ao Governo exibidos em cartazes.
O vice-presidente da Associação Nacional de Empresas de Apoio Especializado (ANEAE), Henrique Matos, afirmou à Lusa que, este ano, cerca de 13 mil crianças já estão ou vão ficar sem apoios.
“A DGEstE está a devolver 95% dos processos, ignorando os pareceres dos médicos e considerando que as crianças não precisam de apoio nenhum”, disse.
Henrique Matos lembrou que esta situação é “gravíssima” porque prejudica não só as crianças com deficiências, mas as famílias, técnicos e escolas.
“Há pais que deixaram de trabalhar para acompanhar os miúdos, outros não têm como pagar e há ainda os que estão constantemente a ser chamados à escola devido ao mau comportamento dos filhos”, disse.
Acrescentando que “há crianças, institucionalizadas por abusos sexuais ou maus tratos, que precisam muito deste apoio para conseguirem crescer com maior qualidade de vida”.
A mãe de uma criança de 12 anos com hiperatividade, Armanda Freitas, realçou à Lusa que o filho ficou sem apoio, tendo o pedido sido indeferido, colocando-o numa situação complicada.
“Estou desempregada e tenho mais dois filhos, por isso, sem subsídio é impossível continuar a mante-lo no apoio especializado”, explicou.
Com as mesmas dificuldades estava Clara Magalhães, mãe de um menino de cinco anos, com problemas de socialização, da fala e de articulação das mãos.
Acompanhado por um psicólogo e terapeuta da fala, Clara Magalhães revelou que sem o subsídio não conseguirá continuar a pagar as despesas do filho.
fonte:
http://www.ionline.pt/artigos/portugal/pais-criancas-deficiencia-exigem-no-porto-reposicao-subsidio-especial