Novo curso da UTAD promete ajudar idosos e pessoas com deficiência
A licenciatura em Tecnologias de Apoio e Acessibilidade vai ser apresentada na sexta-feira em simpósio dedicado à vida e obra de Jaime Filipe.
A instituição já estabeleceu parcerias com algumas instituições, maioritariamente ligadas às pessoas portadoras com deficiência, mas quer chegar a mais gente

FOTO: PÚBLICO
A partir do próximo ano lectivo, a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) vai contar com uma licenciatura inovadora na área das Tecnologias de Apoio e Acessibilidade. O novo projecto curricular da UTAD vem na tradição da Engenharia de Reabilitação, mas pretende ter uma “componente mais tecnológica, versada em áreas como a saúde”, explica João Pavão.
O director do novo curso revela que o plano de estudos terá “menos cadeiras de engenharia”, mas verá a sua amplitude científica aumentada para que a aplicação no espaço social seja mais facilitada.
A componente de aplicação é o alicerce principal da nova oferta formativa que, no prazo de três anos, pretende formar técnicos que “consigam assessorar instituições e indivíduos”. Numa altura em que a sociedade portuguesa, tal como a sociedade ocidental, caminha para altos índices de envelhecimento, a UTAD pretende dar resposta a uma necessidade de futuro que já é de presente.
“Há muitos idosos a viver sozinhos, que as famílias não querem ver em lares, pelo que esta área pode ajudar não só as instituições, como as vidas individuais”, explica João Pavão que vê a área como fulcral numa sociedade muito dependente da tecnologia: “Todos nós temos limitações, mesmo que temporárias. Por exemplo, se estivermos num ambiente fabril com muito ruído e não conseguirmos ouvir, estamos limitados. A tecnologia tem de servir como extensão para combater essas necessidades”.
O curso já tem parcerias com algumas instituições, mais viradas para as pessoas com deficiência, mas pretende ir mais além. No futuro, o objectivo passa por formar pessoas habilitadas para a intervenção directa mas também para ajudar no desenvolvimento de espaços e objectos que facilitem o dia-a-dia.
O professor da UTAD revela que, durante mais de sete anos, se habituou a receber propostas de pessoas e instituições no sentido de desenvolver tecnologias de apoio e, depois de uma dúvida inicial sobre a abertura da sociedade civil, viu as suas “expectativas largamente superadas”. Sublinha ainda a importância dos laboratórios ligados à área das acessibilidades que começam a aparecer no país.
O curso ainda não tem o número de vagas definido mas deve superar as duas dezenas. Certo é que a apresentação se dará no simpósio sobre a vida e obra de Jaime Filipe, fundador do Centro de Inovação para Deficientes Físicos, a realizar na sexta-feira na UTAD no âmbito das comemorações do 40º aniversário da universidade transmontana.
Em vida, Jaime Filipe concebeu várias patentes, protótipos e produtos de apoio para pessoas com deficiência, tais como, sistemas de visão táctil, elevadores adaptados e sistemas de vibração para surdos. Uma herança que João Pavão reconhece no seu trabalho. “Ele dedicou-se a desenvolver equipamentos numa altura em que poucos queriam saber desta área”, explica o professor que espera que os alunos “se tornem fontes de soluções”.
in Público