Com próteses, paratletas fazem jogo de exibição para difundir categoria
Antes do duelo entre Brasil e Espanha, amputados desafiam campeões olímpicos da juventude. Tênis paralímpico é disputado sobre cadeira de rodasLincoln Zanini e Arsenio Pagliarini Junior sacaram, volearam e correram no saibro montado no ginásio do Ibirapuera. Com próteses especiais, os dois paratletas tiveram a honra de abrir o confronto deste domingo da Copa Davis entre Brasil e Espanha em um jogo de exibição contra os campeões olímpicos da juventude Orlando Luz e Marcelo Zormann. A partida foi uma iniciativa da CBT (Confederação Brasileira de Tênis), que pretende levar a nova categoria à ITF (Federação Internacional de Tênis) para difundir mundo afora. Hoje, o tênis paralímpico é disputado apenas em cadeiras de rodas.
- Queremos incentivar os amputados no Brasil e levar uma proposta para a ITF para que não precisem jogar em cadeira de rodas nas competições oficiais - disse Jorge Lacerda, presidente da CBT.
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(Jogo entre paratletas e campeões olímpicos da juventude foi uma iniciativa da CBT (Foto: Marcos Guerra)Zanini e Pagliarini perderam parte da perna em acidentes de motos. Os dois praticavam esportes antes do acidente e encontraram nas próteses de pé de fibra de carbono o que precisavam para continuarem ativos. A CBT definiu a nova categoria paralímpica como tênis adaptado, já que inclui não apenas amputados, mas também outros portadores de necessidades especiais para as pernas. Assim, esses paratletas não precisarão aprender a jogar em uma cadeira de rodas para disputar torneios.
Eu nem sei jogar em cima de uma cadeira de rodas. Jogar tênis na cadeira de rodas, para mim, é uma forma muito diferente da que jogo hoje, teria que aprender. O esporte para mim é tão importante quanto o trabalho, o amor e a família. Eu me realizo com o esporte"
Arsenio Pagliarini
- Eu nem sei jogar em cima de uma cadeira de rodas. Jogar tênis na cadeira de rodas, para mim, é uma forma muito diferente da que jogo hoje, teria que aprender novamente. O esporte para mim é tão importante quanto o trabalho, o amor e a família. Eu me realizo com o esporte - disse Pagliarini.
- Eu me sinto realizado por ser amputado e poder praticar esporte. Deixo de fazer qualquer coisa para jogar tênis - disse Zanini.
As próteses de pé de fibra de carbono são produzidas pelo médico Marcos Guedes. Ele, que também é amputado, produz ainda as próteses do campeão paralímpico do atletismo Alan Fonteles.