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..:: Deficiente-Forum - Inclusão Social ::.. Responsável Ana-S => Afectividades => Histórias de uma Vida => Tópico iniciado por: migel em 23/07/2011, 17:34
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Catarina Lopes: “Faltam acessibilidades e estacionamento para atrair habitantes às cidades”
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Catarina Lopes: “Faltam acessibilidades e estacionamento para atrair habitantes às cidades”Reab. Urbana20/07/11, 01:00
Catarina Lopes conta a história de reabilitação no Príncipe Real, projecto que a promotora imobiliária Eastbanc começou a desenvolver em 2005. Hoje a empresa tem mais de 50 milhões de euros investidos.
Porquê concentrar o investimento no Príncipe Real?
O Príncipe Real é uma zona extraordinária: tem luz, jardins, história, um tecido urbano interessante, vistas soberbas, está no coração da cidade o que permite aos residentes fazerem a sua vida a pé, mas é, simultaneamente, seguro e tranquilo. A EastBanc tinha já a tradição de concentrar as suas intervenções num raio de 5-10 minutos a pé. Foi esta a filosofia subjacente à revitalização do bairro histórico de Georgetown em Washington. Uma vantagem é que a reabilitação de um edifício "contamina" positivamente o valor dos seus vizinhos. Mas existem outras: no Príncipe Real estamos completamente inseridos na comunidade o que permite mais facilmente resolver problemas. Os vizinhos conhecem toda a equipa da EastBanc (e muitas vezes até membros da sua família!) - encontramo-nos no jardim, no café... a nossa politica é de ter a porta aberta. Qualquer pessoa pode visitar os edifícios ou jardins e obter esclarecimentos sobre o projecto.
E quando se poderá saber mais sobre o projecto?
Estamos a trabalhar na página da internet para disponibilizar os desenhos dos primeiros edifícios, incluindo plantas interiores, até ao Natal.
Qual o destino para o emblemático Palacete Ribeiro da Cunha?
A ideia do projecto nasceu quando o Anthony Lanier, presidente da empresa, percebeu que, comprando 3 palacetes, incluindo o Ribeiro da Cunha, poderíamos agregar cerca de 1 hectare de jardins, mesmo por cima do Jardim Botânico e, assim, oferecer aos futuros residentes um estilo de vida geralmente só possível num country club.
O objectivo é reabilitar o Palacete, abri-lo ao público e torná-lo no coração do condomínio - o seu centro de serviços. Estamos a discutir parcerias com grupos hoteleiros tradicionais mas também com outras marcas que têm competências nas áreas da restauração e hotelaria.
O que mudou no Príncipe Real desde 2005?
Há muito mais vitalidade com a ocupação de espaços devolutos ou de outros que sobreviviam apenas graças a rendas controladas. Claro que eventos como a Bodies Exhibition ou o Príncipe Real Live ajudam a promover essa dinâmica, mas trabalhamos diariamente para tornar cada metro quadrado interessante: há 2 meses transformámos a nossa garagem no Palacete Anjos em duas novas lojas e até o lobby dos escritórios é agora um florista. Depois, quando se trazem para o bairro inquilinos empenhados e criativos, o efeito é multiplicador. Há umas semanas a agência publicitária Uzina organizou nos jardins (onde disponibilizamos estacionamento para moradores e lojistas) um arraial impressionante que até incluiu Paulo Futre e Roberto Leal! Mas vai haver muito mais surpresas!...
Há planos de expansão?
As aquisições da forma tradicional serão muito difíceis nos próximos anos, já que não existe crédito bancário disponível. No entanto, estamos a desenvolver parcerias com proprietários (privados e entidades públicas) que contam com o investimento da EastBanc para retirar rendimento imediato do imóvel e desenvolver os projectos de reabilitação. Estas acções permitem criar valor com benefícios mútuos antes da alienação do imóvel.
Que mais pode ser feito para incentivar a reabilitação?
Muita coisa, mas para começar é preciso criar condições que atraiam residentes para as cidades, fundamentalmente acessibilidades e estacionamento. Estas terão de ser criadas com uma visão urbanística global, respeito pelos actuais moradores e património histórico e com consciência ecológica. Frequentemente só uma acção de reabilitação em escala é viável.
Há também que fazer mais em relação à actualização das rendas. Na Alemanha, onde vivi, o modelo pareceu-me equilibrado: o senhorio que faz obras de reabilitação tem direito a amortizá-las em cerca de 10 anos através de correspondentes aumentos de renda.
Finalmente é absolutamente fundamental agilizar a justiça, já que o sistema actual só beneficia quem não tem razão: quem não paga ou não abre portas, quem espera ganhos especulativos sem contribuir para revitalização.
http://www.oje.pt (http://www.oje.pt)