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Autor Tópico: Como foi o meu Natal? Em liberdade.  (Lida 154 vezes)

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Como foi o meu Natal? Em liberdade.
« em: 05/01/2020, 12:28 »
Como foi o meu Natal? Em liberdade.


Este será o meu primeiro Natal em liberdade. Já passei esta época tão apreciada, e cheia de simbolismo para a maioria das pessoas, por mais de uma vez hospitalizado, e a experiência não foi nada agradável, principalmente por tudo fazerem nestes lugares, para evitar que as pessoas sintam que se encontram naquele lugar, e numa época supostamente de reunião em família, que acabam por me fazer sentir que estou abandonado, e sozinho no mundo, logo, merecedor de pena e compaixão.


No Centro de Reabilitação de Alcoitão, ultimamente, optaram por nos oferecer o famoso “Natal dos Hospitais”, evento que sempre consegui fugir a sete rodas. A sete pés não combina por não conseguir por os meus no chão. Não me estou a ver deitado numa cama, virada para o palco, e obrigado a saborear aquela prenda de Natal impingida, e a fingir que estou muito feliz e agradecido. Para os mais sortudos, no embrulho também podem vir uns beijinhos e abraços dos apresentadores. Toma lá disto que terás o teu Natal resolvido e serás muito mais feliz. Até porque, quanto a mim, aquelas festas são destinadas a todos os que estão por aí dispostos a consumir aquele tipo de espetáculos, e não para quem se encontra internado.

Também já passei a época natalícia em família, sozinho em casa, e neste caso também a fugir a sete rodas do filme sozinho em casa, passeia-o com amigos, e também já a passei institucionalizado...mas sempre sujeito a muitos condicionalismos, certamente que este Natal será um dos melhores. É o primeiro em liberdade, e como beneficiário de assistência pessoal. Finalmente tenho o direito a decidir com, como e onde. Com quem o quero passar, como o quero passar, e onde o quero passar. Irei ter condicionalismos, sim, e ainda bem que os terei. Quem os não tem? Mas o facto de ter o comando da minha vida novamente nas minhas mãos graças à assistência pessoal e Vida Independente, não tem preço, o que deixa para segundo plano todos os condicionalismos que possam surgir.

Em todas as circunstâncias não nos deixam faltar o bacalhau, couve, bolo rei, filhoses e afins, mas de nada adianta, o seu sabor vem carregado de amargura e tristeza. Nada substitui a dignidade e alegria que nos foi roubada.

Liberdade e dignidade não têm preço. É algo muito precioso. Um direito básico. Viva a liberdade. Assim será, porque desde o dia 21 de maio deste ano que me encontro em liberdade, na minha casa, de onde não deveria ter sido obrigado a sair, depois de quase 4 anos a viver num lar de idosos, única alternativa oferecida pelo Estado para quem adquire uma deficiência incapacitante como é o meu caso. Foi no lar onde mais me custou passar esta data. Ver muitos dos idosos sem a possibilidade de irem passar esta quadra que tanto lhes diz junto dos seus, foi muito doloroso.

Com a assistência pessoal prestada por 3 assistentes pessoais, que são os meus braços e as minhas pernas, voltei a poder sonhar, ter uma vida o mais normal possível, e claro, voltar a ter a possibilidade de poder tomar as decisões que bem entender sobre a minha vida. E neste caso concreto, ter a possibilidade de passar o Natal como desejar. Assim deve ser, assim tem de ser. Lamento que muitas outras pessoas se encontrem impedidas de o fazer somente por se encontrarem dependentes.

Se for o caso, Boas Festas para si.


Direitos de Eduardo Jorge "Jornal Abarca"
 
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