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Autor Tópico: Mário Trindade: o homem que só tem tempo para viver atleta paralímpico...  (Lida 7380 vezes)

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Mário Trindade: o homem que só tem tempo para viver
atleta paralímpico transforma adversidades em soluções

quinta-feira, 9 abril de 2015 | 03:40
Autor: Luís Milhano

Fotos: nuno andré ferreira

   

Mário Trindade tem uma mania. Pensa que não sabe contar histórias, sobretudo a da sua vida. Mas está errado. O que conta é o sentimento, o entusiasmo, e isso ele tem. Sabe perfeitamente as causas e os porquês de ter dado os passos que o tornaram um vencedor, no desporto e na vida.

Em miúdo, este transmontano de Vila Real, hoje a viver em Viseu, transformou uma alcunha terrível – o "pernas de rã" – numa vantagem para ganhar provas de atletismo. Em adulto, bateu um recorde do Guinness Book só para ajudar duas amigas portadoras de deficiência e concluiu a Maratona de Berlim com uma perna partida só para não ficar parado à espera de assistência. Pelo meio, recebeu a notícia de que nunca mais ia andar e não sabe se ficou triste ou contente porque, assim, podia finalmente fazer "cavalinhos" com uma cadeira de rodas.

O lado bom

Mário Trindade nasceu há 40 anos (completa-os no dia 25 de maio) com uma doença, a escoliose, mas nunca teve tempo para se lamentar. Só para viver e converter o mau em bom, o negativo em positivo. É esta a sua filosofia e a sua única forma de estar na vida. E esta é mais uma história de superação.

"Ainda em bebé, os meus pais notaram que eu era diferente dos outros meninos, chorava muito e na altura de começar a andar, não o fiz", relembra este atleta paralímpico que, no ano passado, garantiu os mínimos de acesso ao Projeto Paralímpicos Rio’2016 na prova dos 400 metros em cadeira de rodas, classe T52 (tetraparaplegias).


"Ficou a dúvida se eu tinha escoliose e só aos 12 anos é que a doença foi confirmada. Andei em tratamentos, usei um colete, mas não deu para corrigir. A solução era operar, mas os médicos só o faziam quando eu fosse adulto", conta.

Mas nada disto o desmotivou. Nem a aparência física, que levava os colegas de escola a gozarem com ele. "O tronco não cresceu e fiquei com umas pernas enormes em relação ao resto do corpo. Chamavam-me nomes, como ‘pernas de rã’. Mas nunca liguei. Aliás, vi isso pelo lado positivo, ou seja, como tinha as pernas grandes, corria mais do que os outros. Quando o professor pedia para fazer o aquecimento na pista de atletismo, eu dava três ou quatro voltas ao campo enquanto os outros só davam uma", lembra.

E foi por essa altura que se apaixonou pelo atletismo. Entretanto o pai faleceu, teve de ir trabalhar, mas conciliava tudo com os treinos. Só que a escoliose agravou-se por volta dos 17 anos. Estava na altura de ser operado. "Nunca pensei que chegasse a isso, pois carregava sacos de 50 quilos, andava de joelhos, pegava em portas..." Mas tudo mudou e, como o próprio diz, nasceu outra vez.



O lado mau

A operação era simples, mas algo correu mal. "Não sentia as pernas, não as conseguia mexer". Ficou em baixo, mas não tinha tempo para tristezas e aceitou o destino. "Disseram-me que a operação corria bem em 99,9% dos casos e, olhe, tive azar. Se calhar já tinham operado 99 e correu bem, quando chegou a mim correu mal", diz, com bom humor.

Mas o pior foi quando, no processo de recuperação, já noCentro de Reabilitação de Alcoitão, começou a ter uma dor na anca. Diagnóstico: uma luxação. Solução: ser operado, mas sem garantias de sucesso. Ou então ficar numa cadeira de rodas para sempre. Mário optou por não ser operado. "Quando estava em Alcoitão, via os outros a fazer ‘cavalinhos’ com as cadeiras de rodas e eu queria fazer o mesmo, mas os enfermeiros não deixavam. Assim, se quer que lhe diga, quando me disseram que não voltaria a andar, nem sei se fiquei triste, se fiquei contente. Por um lado a notícia era má, por outro, quando me disseram que tinha de ficar numa cadeira, pensei:porreiro, vou poder fazer ‘cavalinhos’ sempre que quiser. Coisas de adolescentes."

O certo é que, mais uma vez, foi positivo: "Quando tenho um problema, procuro sempre encontrar a solução. No centro, via outros a acomodarem-se. Mas eu sempre achei que o tempo que vou perder em lamentos, posso utilizar para resolver problemas." Não há dúvida, Mário só tem mesmo tempo para viver.


In Record
« Última modificação: 09/04/2015, 10:58 por migel »
 

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Dez anos perdidos atrás da classe certa
mário trindade só agora foi colocado em t52

 


Praticou ciclismo, jogou basquetebol em cadeira de rodas – foi à Seleção e ganhou campeonatos e taças –, mas foi quando chegou ao atletismo, sua paixão de sempre, que percebeu ser ali o seu mundo.

Só que Mário Trindade não imaginava o calvário em que ia entrar por causa de classificações mal feitas. "Classificaram-me por telefone na T54. Fiz uma prova e vi logo que estava na classe errada. Os outros concorrentes só não mexiam as pernas, mas eram bastante encorpados. Então pedi para me passarem para T53. Estive um ano e meio à espera e lá consegui. Mas também vi que ainda não era aquela a minha classe. Liguei para todas as entidades e nem me respondiam", recorda.

Chega 2013 e Portugal não tinha ninguém para levar aos Jogos Mundiais, na Holanda."Ofereci-me para ir, às minhas custas. Quando cheguei lá, os classificadores nem tiveram dúvidas e colocaram-me em T52.Disseram-me mesmo que, dado o meu estado, nem deveria demorar muito a chegar ao T51", conta, acrescentando:"Foram dez anos e centenas de euros que perdi nesta luta", conclui.

Vieram então os bons resultados e, agora, até já se propõe a bater o recorde da Europa dos 400 m, em maio, na Suíça.

Maratona

Mas a aventura no atletismo até podia ter acabado mal. Tudo porque começou da pior forma. Em 2004 os seus pés escorregaram do suporte durante a Maratona de Berlim e acabou por partir a perna esquerda. Teve frio e dores, mas continuou até ao fim só para não ter de esperar pela ajuda. No final foi analisado e internado. Mas, mais uma vez, não desanimou e é vê-lo agora ambicioso, atrás dos títulos numa modalidade que ama e que também o ajudou a estar na vida com alegria.

Bateu um recorde para ajudar amigas

Em 2007, Mário conheceu duas amigas com osteogénese imperfeita (doença dos ossos). O sonho delas era ter uma carrinha para poderem sair de casa. "Quis ajudar e lembrei-me de bater o recorde do Guinness para angariar dinheiro. O então presidente da Naval 1.º de Maio, Aprígio Santos, veio ter comigo e disse-me: ‘Não faças esse esforço. Vou dar-te a minha carrinha.’ Só que eu já tinha tudo organizado", lembra.E bateu mesmo o recorde: 183,4 km em 18h53m em cadeira de rodas. Só que Aprígio viria a ter problemas com a Justiça. "Os bens dele foram penhorados e a carrinha também porque continuava em seu nome. Hoje está parada. É uma pena. Foi tudo em vão", lamenta.

CLASSES

T51

Tetraparaplegias, com comprometimentos da função do ombro, flexão do cotovelo e dorsi-flexão do punho

T52

Tetraparaplegias com funções normais dos ombros, cotovelos e punhos, mas com comprometimento da função de flexão e extensão dos dedos

T53

Paraplegia com funções normais dos membros superiores e comprometimento dos músculos abdominais e dorsais

T54

Funções normais dos membros superiores com comprometimentos leves das funções do tronco

"T" significa Track; "5" significa atletismo em cadeira de rodas, e o último número representa o grau de incapacidade. A título de exemplo, um atleta de classe T51 percorre os 100 metros na ordem dos 21 segundos, enquanto um atleta de classe T54 faz a mesma distância em 14 segundos

Fonte: Record
 

 



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