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Autor Tópico: "A cadeira não me prende. É a forma de eu estar liberta"  (Lida 274 vezes)

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"A cadeira não me prende. É a forma de eu estar liberta"

Há três anos uma inflamação na medula pôs Catarina Oliveira numa cadeira de rodas. Embora nunca tenha parado, mudou. Hoje com 30 anos, e milhares de seguidores na internet, vê a vida de outra forma



Uma mielite transversa, tirou a Catarina Oliveira a capacidade de andar mas não a vontade de fazer desporto, que continua a praticar com frequência© Artur Machado/ Global Imagens
Mariana Pereira
06 Janeiro 2019 — 14:06

"Obviamente que nunca fiquei feliz com a situação, mas foi do género: 'OK, esta é a minha condição agora. É uma porcaria? É, mas eu vou tentar viver com isto da melhor forma", conta Catarina Oliveira. Quanto tempo demoramos a mudar de roupa? A sentar no carro? A tomar banho? Ela também não sabia. Mas há três anos, no primeiro dia de 2016, de viagem no Brasil, deixou de sentir as pernas.

Uma inflamação na medula, mielite transversa, descobrir-se-ia mais tarde, tirou-lhe a capacidade de andar. Teve de aprender a fazer todas as pequenas coisas na nova condição e de ganhar força e resistência física para as executar. Todavia, quando lhe perguntamos em que medida a cadeira de rodas a transformou, responde que "o que mudou menos foi a questão do andar". A grande "viagem", como lhe chama aquela rapariga do Porto, teve outras geografias. "Sou uma pessoa muito mais paciente, vejo a vida de forma diferente, vivo muito mais o momento presente."


Hoje com 30 anos e um canal de YouTube, C Feliz, com 2500 subscritores, e quase cinco mil seguidores no Instagram, onde fala do seu quotidiano numa cadeira de rodas e de questões que muitos querem saber mas não perguntam, como em relação ao sexo num paraplégico, Catarina Oliveira olha para trás e recorda que, quando soube como seria a sua vida na nova condição, nunca a preocupou a questão de continuar a ser ela, mas de como as pessoas iriam dali em diante olhar para ela, se iam ou não ver além da cadeira de rodas.

"A cadeira de forma nenhuma me prende. É a forma de eu estar liberta, porque sem ela eu não saía de casa. Hoje em dia eu em casa sou completamente independente, como se andasse." Essa independência, conta, foi conquistada, e grande parte do caminho fez-se através do desporto. Catarina, que já antes praticara voleibol e ténis, começou, ainda no centro de reabilitação, a jogar andebol, seguiu-se o ténis, o remo e a canoagem. Hoje frequenta sobretudo o ginásio. "Obviamente que o desporto sempre me deu prazer, mas era aliado ao aspeto físico, à manutenção de um corpo bonito. Hoje em dia isso também é importante, mas já não é tanto esse o foco, é mais ganhar resistência e força para o dia-a-dia. O desporto dá-nos essa liberdade."

Nos últimos anos já não estava muito feliz no curso e não sabia bem o que queria. A cadeira trouxe-me também essa lucidez. Transferi-me de curso e agora estou em Nutrição, que era realmente o que eu queria.

Outra das mudanças aconteceu no seu futuro profissional. Em 2016 Catarina Oliveira era estudante de Medicina. "E voltei. Mas outra das coisas que a cadeira me trouxe foi pensar sobre a minha vida e sobre o que me fazia bem. Nos últimos anos já não estava muito feliz no curso e não sabia bem o que queria. A cadeira trouxe-me também essa lucidez. Transferi-me de curso e agora estou em Nutrição, que era realmente o que eu queria. Não sei porque demorei tanto tempo a perceber."

Se há um elemento comum em cada um dos vídeos ou publicações de Catarina Oliveira, esse terá qualquer coisa que ver com a alegria. Podia ter sido tudo diferente? "Depois do que me aconteceu conheci muita gente na cadeira, ouvi muitas histórias, e de facto não consigo bem explicar porque é que reagi tão bem, foi uma coisa natural. As coisas acabam por ser cada vez melhores quando a pessoa aceita", responde.

Podia ser tudo mais fácil, acaba por dizer, se não existissem ainda tantas barreiras físicas. No Porto, por exemplo, é impensável sair à noite e tentar ir à casa de banho sozinha, ou passear pela baixa sem alguém que, a determinado momento, a auxilie. Mas nada disso a tem parado. "Nós muitas vezes andamos a correr, até parece que a vida passa por nós assim meio a correr, e quando somos obrigados a parar, obviamente não por uma coisa boa, acabam por vir coisas boas, no fim."



Fonte: https://www.dn.pt/1864/interior/a-cadeira-nao-me-prende-e-a-forma-de-eu-estar-liberta-10401020.html
 

 



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