Seleção de basquete com cadeira de rodas preparada para Londres
Seleção brasileira de basquete sobre cadeira feminina de rodas treina no RecifeO técnico da equipe, Wilson Caju, define as brasileiras que participarão da Paralimpíada no Recife, na próxima semana
Aline Sobreira
O Recife foi a cidade escolhida pela Confederação Brasileira de Basquete em Cadeiras de Rodas (CBBC) para receber a segunda etapa de treinamentos da seleção feminina paralímpica de basquete que se prepara para fazer bonito nos Jogos Paralímpicos de Londres, em agosto. É também na capital pernambucana, na próxima terça-feira, que o Brasil vai conhecer o nome das 12 jogadoras que vão vestir a camisa verde e amarela na capital inglesa.
Treinando no Estado desde o começo da semana, a equipe, que é composta basicamente pelas para-atletas que conquistaram o bronze e a vaga paralímpica no Parapan-Americano de Guadalajara 2011, no México, trabalha a força do setor defensivo, além de reforçar o entrosamento. “Sem dúvida, a defesa é o nosso melhor ataque. No entanto, o segredo é que elas sejam e ajam como um grupo, que se tornem amigas e se respeitem”, afirma o técnico Wilson Caju, treinador da seleção há 11 anos.
Desde a última colocação em Pequim-2008, muito foi investido no basquete feminino com cadeiras de rodas. Desde 2009, as meninas campeãs do Brasileiro passaram a se classificar para disputar também a primeira divisão masculina, o que foi considerado uma grande vitória para a modalidade. “Após anos de crescimento e preparação de nível, temos tudo para alcançar uma das cinco primeiras posições nas Paralimpíadas, e quem sabe, brigar pelo bronze”, analisa Caju.
Logo de cara, as brasileiras vão enfrentar um grupo de peso em Londres. Além de encarar o país anfitrião e a pressão da torcida inglesa, as para-atletas ainda têm pela frente a Holanda, Austrália e Canadá. No entanto, o grupo conta com uma arma secreta: a armadora Débora Costa, eleita entre homens e mulheres a melhor jogadora do País em 2011.
Quem também está quase em Londres é a ala Naná. A maranhense, que teve poliomielite aos dois anos, encontrou na modalidade a motivação para se aceitar. “Eu frequentava a Igreja porque achava que Deus poderia me curar. Graças ao basquete, constituí uma família linda e me considero uma pessoa bem-sucedida”, conta a ala, que ainda teve uma grata surpresa graças ao esporte. Em Pequim-2008, após assistir à uma entrevista da filha na televisão, o pai da jogadora conseguiu entrar em contato com ela após 22 anos de separação. "Hoje nós nos falamos com frequência. Ele diz que sempre me procurou", relembra feliz a para-atleta.
Já definida, a seleção fecha sua fase de preparação nacional em Belém, no final de julho. No dia 13 de agosto, a equipe segue para Manchester, na Inglaterra, onde finaliza os treinos e segue rumo ao que promete ser a melhor apresentação brasileira na modalidade em Paralimpíadas.
PERNAMBUCO - O Estado está bem representado na seleção pela para-atleta Rosália Ramos, de 42 anos. Apesar de ter ido morar no Rio de Janeiro muito nova, com apenas um ano de idade, a jogadora diz que se sente em casa. "A recepção pernambucana é muito calorosa. Não venho muito aqui, mas acho o ambiente muito bonito e aconchegante", conta Rosália.
No basquete há 14 anos, a para-atleta joga atualmente pelo time masculino Cad, de São José do Rio Preto, em São Paulo.
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