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Autor Tópico: Portuguesa que ajudou Suécia a ganhar medalhas: "Lá o Estado não premeia medalhas"  (Lida 590 vezes)

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Portuguesa que ajudou Suécia a ganhar medalhas: "Lá o Estado não premeia medalhas"

Inês Lopes é atualmente diretora desportiva da Federação de Desporto para Deficientes e do Comité Paralímpico suecos.


Foto: Hugo Delgado
Basquetebol em cadeira de rodas

Inês Lopes vive desde 1999 na Suécia, estando ligada ao desporto adaptado num país onde "a sociedade facilita o apoio à pessoa com deficiência", mas em que o Estado "não paga prémios por medalhas olímpicas".

Selecionadora de Portugal na modalidade de basquetebol em cadeira de rodas masculino entre 2010 e 2011, e medalha de bronze e de ouro pela Suécia nos campeonatos da Europa Divisão A, em 2005 e 2007, respetivamente, Inês Lopes é atualmente diretora desportiva da Federação de Desporto para Deficientes e do Comité Paralímpico suecos.

Em entrevista à agência Lusa, a portuguesa, natural de Cascais, que reside em Gotemburgo desde o final do século passado, fez o paralelismo entre os dois países no que concerne ao desporto adaptado, dando conta de "uma estrutura forte de organização" na Suécia.

"Em Portugal, devido à cultura, diria que há mais paixão nos atletas do que cá, talvez porque aqui a sociedade facilita os apoios às pessoas com deficiência enquanto aí ainda existem imensas barreiras e dificuldades sociais e as pessoas têm de lutar mais pela sua sobrevivência, não só no aspeto social mas também no desportivo", explicou.

Sobre o recente anúncio do estado português de equiparar os atletas paralímpicos ao olímpicos em termos de prémios por medalhas, Inês Lopes endereçou os parabéns a Portugal, afirmando "que na Suécia tal não existe".

Integrando uma federação que gere "18 modalidades, sendo 10 paralímpicas", Inês Lopes revelou que as restantes modalidades já "estão integradas nas respetivas federações, a maior parte desde 1994", algo que em Portugal só recentemente sucedeu.

"Estamos a viver e a trabalhar nesse processo (...) mas é algo que deverá levar tempo. Nem todas as federações estão preparadas para integrar as modalidades e tem de ser um processo para amadurecer com muitas reuniões e estratégias a todos os níveis. No princípio de 2017 foi integrado o ténis de mesa, um processo que durou cinco anos. Em 2018 será a natação e outros se seguirão", disse.

No atletismo para deficientes visuais, a responsável observou que Portugal "é mais forte que a Suécia nas médias e longas distâncias", respondendo os suecos com melhores registos "nas provas de velocidade e no salto em comprimento".

"Dado o número de atletas que Portugal teve nos Jogos Paralimpicos [Rio2016], no ano passado, diria que está a fazer um excelente trabalho nesta área. Hoje em dia, não é fácil chegar aos Jogos e, por isso, estão de parabéns", elogiou.

Sobre a sua passagem pela seleção nacional, onde competiu no Campeonato da Europa Divisão B, lamentou não ter continuado mas deixou palavras de esperança: "Portugal tem potencial para chegar à Divisão A, talvez precise de uns anos a estabelecer um nível na Divisão B para lá chegar, mas tem potencial e paixão para o conseguir".

"Uma organização forte a todos os níveis, apoios, formação de treinadores, árbitros e atletas, mas fundamentalmente mais trabalho de casa nos clubes, mais treino individual dos atletas e mais atletas a jogar no estrangeiro", compõem o conjunto de melhorias a haver na modalidade em Portugal.

E advertiu: "É preciso mais de tudo com mais qualidade".

"Acho que a integração do basquetebol em cadeira de rodas na federação foi um passo bastante importante para que este sonho se realize, dando um apoio enorme à organização da modalidade", frisou Inês Lopes, que disse estar "sempre disposta a ajudar no desenvolvimento da modalidade [organização e formação], para que Portugal um dia se qualifique para os Jogos Paralímpicos".

Conteúdo publicado por Sportinforma


Fonte: sapo
 

 



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