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Autor Tópico: A surpresa do jardim  (Lida 130 vezes)

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Offline Anibal12

A surpresa do jardim
« em: 29/09/2025, 20:35 »
 
A surpresa do jardineiro
Em tempo que já la vão numa cidade muito distante vivia um mecânico chamado André que reparava velhos comboios de mercadorias. Alem de mecânico André também era jardineiro amador. Ou seja, era uma daquelas pessoas que gostavam verdadeiramente de plantas, que conheciam nomes e espécies de cor, que passavam o tempo a comtemplar, cores e as formas das flores. André era um jardineiro amador vivia num quarto andar de um prédio, num pequeno apartamento que não dispunha de terraço nem se quer varanda. claro que o impedia de fazer sulcos na terra, de plantas sementes e de as regar, esperando que os primeiros rebentos aparecessem.  Mesmo assim, o nosso mecânico passava algumas horas por dia a tratar de flores que A Surpresa do Jardineiro E cresciam em vasos primorosamente alinhados na sua salinha de estar. Bem, não só na salinha de estar. André sonhava com vastas áreas de terra fértil. Uma terra escura e húmida, que adorava contemplar o céu e ansiava por uma chuvada de sementes. Entretanto, as suas plantas tinham-se apropriado da casa de banho, do corredor, dos quartos, e até cresciam em gavetas abertas. E noites havia em que a família jantava na companhia de tulipas amarelas. Claro que a mulher e os filhos de André também sonhavam com vastas áreas de terra fértil, pois não era nada fácil ter de escovar os dentes com uma roseira chinesa enfiada no lavatório. Os patrões de André diziam que ele era o género de mecânico que daria vida a qualquer tipo de comboio que tivesse sido enviado para a sucata. pesar de ser um trabalhador dedicado e incansável, André auferia um salário modesto. Mas isso não o impedia de tirar partido do que fazia. Por exemplo, quando estava a reparar peças partidas, o nosso mecânico imaginava os comboios a avançarem, aos soluços, por trilhos rodeados de lírios. Ou, então, atribuía significados engraçados aos nomes científicos das flores. A — Calendula Oficinalis é o nosso comum Malmequer de Oficina — dizia para consigo, a rir, enquanto imaginava um malmequer deslumbrante no meio de uma oficina. Rodeado de chaves inglesas e motores, André passava em revista mental a sua coleção de sementes e perguntava-se: — Qual será o aspeto de uma Dianthus Barbatos? O mesmo de um barbeiro de longos bigodes? E uma Dianthus Plumários? Terá o aspeto de uma flor com plumas de cores garridas? Pergunto-me se a Estrelícia, ou ave do paraíso, como é conhecida, poderá voar? erto dia, o patrão disse-lhe que uma companhia deveras importante andava a recrutar os melhores mecânicos da área. Ora, André estava entre os melhores. Além de um bom salário, teria direito a uma casa com um grande jardim. O nosso mecânico aceitou de imediato. Enquanto recolhia os seus pertences na antiga estação, André imaginou-se a regar as belas plantas exóticas que cresceriam no seu terreno. Em breve, contudo, chegou a primeira surpresa. André não mais se ocuparia de velhos comboios e locomotivas estragadas. A sua tarefa seria agora tratar de aviões. Embora algo nervoso acerca do seu novo emprego, André disse para consigo: C — Os aviões não passam de uma mistura de parafusos, metal e paciência. Seja qual for a sua forma. E logo o nosso jardineiro amador se pôs a imaginar um hangar cheio de lírios, orquídeas e malmequeres. Malmequeres de escritório, flores com plumas cor-de-rosa, e pássaros com pétalas como penas. A segunda surpresa foi ainda maior. André não ia apenas trabalhar com aviões, ia trabalhar com bombardeiros! A sua tarefa seria carregar com bombas os aviões que iriam partir para a guerra. Uma guerra que tinha sido declarada entre vários países distantes, cujos nomes André nem sabia pronunciar. As suas mãos iriam ser utilizadas para preparar aviões militares que largariam bombas não só sobre campos e florestas, mas também sobre cidades, edifícios, escolas, pessoas. Sobre todos os seres vivos. Ciente das dificuldades em voltar atrás, André quase deixou de dormir. Este emprego já não lhe interessava. Nem que viesse acompanhado de uma casa com um grande jardim, no qual ele pudesse plantar e ver crescer a sua maravilhosa coleção de sementes. André sentia-se profundamente triste e parecia mesmo ter envelhecido. Pensava nas bombas a destruir tudo no seu rasto. Na terra morta onde nada cresceria jamais. Decidiu, então, que a terceira surpresa teria de ser preparada por ele. O que logo o fez sentir mais alegre e entusiasmado. André esforçou-se por aprender cada passo do processo de montagem, por conhecer cada circuito elétrico utilizado para lançar as bombas. Trabalhou dia e noite, mal parando para descansar. Agora, o nosso mecânico quase não tinha tempo para tomar conta das suas plantas e flores. E, embora pudesse ter ido para a casa com jardim, continuou a viver no pequeno apartamento do quarto andar. Quando a mulher lhe perguntou quando iriam para a nova casa, André disse que tinha de entregar o primeiro carregamento de aviões antes de se poderem mudar. assaram-se dois meses até os aviões estarem prontos para partir para o seu destino, para os países distantes que tinham declarado guerra. Países cujos nomes André mal conseguia pronunciar. Por fim, o mecânico disse aos patrões que se iria ausentar durante algum tempo, a fim de poder fazer a mudança para a casa com o grande jardim. Embora soubesse que nunca mais voltaria a trabalhar naquele lugar, e que nunca iria viver na casa nova. P Dentro dos aviões, André tinha colocado, em vez de bombas, todas as sementes da sua coleção de flores, que ele guardava ciosamente para plantar na casa dos seus sonhos. A verdade é que o nosso jardineiro amador tinha encontrado um jardim ainda maior. Uma enorme extensão de terra fértil, escura e húmida, que adorava contemplar o céu e ansiava por uma chuvada de sementes. Uma terra que André escolhera semear com tulipas, lírios, malmequeres e cravos. Malmequeres de oficina, flores com plumas cor-de-rosa, e pássaros com pétalas como penas, ansiosos por voar em direção a um paraíso de paz           




Fonte: https://contadoresdestorias.wordpress.com/2025/04/21/a-surpresa-do-jardineiro/
« Última modificação: 06/10/2025, 20:37 por Nandito »
anibal ribeiro
 
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Re: A surpresa do jardim
« Responder #1 em: 29/09/2025, 21:01 »
 
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