Na piscina esquecem-se os limites
São atletas paralímpicos de natação. Na água esquecem que não têm pernas, ataques de epilepsia ou que vivem com uma doença que ainda não tem nome.
É dentro de água, nas Piscinas João Batista Pereira, em Alhandra, onde treina três vezes por semana que Carlos Mendes, de 58 anos, se esquece que não tem as duas pernas. A primeira vez que entrou na piscina precisou de ajuda. Hoje faz tudo sozinho. Aproxima-se da água, tira as duas próteses, as ligaduras e mergulha. “A natação adaptada foi a melhor coisa que me aconteceu na vida desde que sou amputado”, diz antes de se preparar para nadar 1.200 metros.
“A nadar fico calmo, esqueço-me de tudo o que se passa lá fora”, atira Diogo Marques, de 21 anos, diagnosticado com epilepsia e atraso cognitivo e que, tal como Carlos Mendes, é um dos 12 atletas federados em natação adaptada do Alhandra SC. Nadar e competir não o livram de ter ataques, mas tanto ele como os seus treinadores sabem o que fazer. Não tem medo, apenas vergonha de que outros possam ver o seu corpo tremer. “Mas já disfarço bem”, diz.
Fonte: O Mirante