Deficiente-Fórum

..:: Deficiente-Forum - Modalidades Desportivas ::.. Responsável: Fisgas => Desportos Náuticos => Natação => Tópico iniciado por: hugo rocha em 21/07/2024, 14:18

Título: Beatriz Clemente só tem um braço. E então? Nada!Beatriz a preparar-se para entrar na piscina e começ
Enviado por: hugo rocha em 21/07/2024, 14:18
Beatriz Clemente só tem um braço. E então? Nada!Beatriz a preparar-se para entrar na piscina e começar o treino de natação (A BOLA)
MAIS DESPORTO
BEATRIZ CLEMENTE SÓ TEM UM BRAÇO. E ENTÃO? NADA!
Beatriz Clemente só tem um braço. E então? Nada!
MAIS DESPORTO09:00 • João Pedro Santos

(https://sportal365images.com/process/smp-images-production/abola.pt/19072024/d81b4836-57e3-4e9d-8f42-8b351a491e88.jpg?operations=fit(960:))
Com apenas 18 anos, vai estrear-se nos Jogos Europeus de Transplantados, porque, aos três anos e meio, uma meningite deixou-a com insuficiência renal, necessitando de um posterior transplante de rim; é a mais jovem da comitiva portuguesa, que conta com mais de 30 atletas


No abafado interior das piscinas municipais de Peniche, Beatriz Clemente está prestes a iniciar o treino semanal de natação. Apenas com um braço direito e com os membros inferiores amputados, pouca ajuda precisa para entrar na piscina, recorrendo apenas a uma cadeira de auxílio que coloca pessoas com mobilidade reduzida na água.

Seguiu-se um período em que nadou costas, bruços e crawl, sendo estas duas últimas as categorias (50 metros) em que vai competir nos Jogos Europeus de Transplatados, isto porque, devido a uma meningite que sofreu aos três anos e meio, que lhe deixou com insuficiência renal, precisou de um transplante de rim.

Com a ajuda da treinadora, trepou a berma da piscina, ao lado das escadas, apenas com o braço direito para subir ao lugar de partida. Como se nada fosse, mergulhou para continuar o treino. Da outra extremidade do pavilhão, no bar com vista para as piscinas, estavam os pais de Beatriz, a Helena e Luís, com a irmã mais nova, a Mariana já habituados a vê-la a nadar. «É uma máquina», disse a mãe

Cláudio Mendes, treinador de ténis de mesa que fez um transplante de rim, lamenta ausência, por acidente, dos Jogos Europeus para Transplantados que arrancam este domingo, em Lisboa, mas torce por fora de olhos no regresso

Beatriz ficou surpreendida com a chamada da Associação Portuguesa de Insuficiência Renal (APIR) para os Europeus, porque só «há um ou dois meses» regressou a este desporto, cujo interesse despertou quando era criança. Mas além do «nervosismo» que admite sentir, conta que é dominada pelo «orgulho» de competir neste evento e considera «um privilégio» ser a atleta mais nova da comitiva portuguesa, composta por mais de 30 atletas.

(https://sportal365images.com/process/smp-images-production/abola.pt/19072024/0ba3c2b2-9703-4464-9af2-e899e8d33e23.jpg?operations=fit(595:))
Beatriz a nadar costas (A BOLA)
Este ano, a prova que teve a primeira edição em 2000, em Atenas, vai-se realizar em Lisboa, entre 21 e 28 de julho, numa iniciativa da qual fazem parte o Grupo Desportivo de Transplantados de Portugal, juntamente com as federações europeias de Transplantes e Diálise e a de Transplantes de Pulmão e Coração.

No total, são esperados mais de 500 atletas repartidos por 25 países contando-se 15 desportos no programa - natação, atletismo, ténis, ténis de mesa, badminton, petanca, bowling, dardos, basquetebol 3x3, padel, ciclismo, voleibol, golfe, triatlo e biatlo virtual – que visa estimular a prática de exercício físico, sensibilizando a população para a importância de doação de órgãos.

«É um preconceito acharem que são inválidos»
André Weigert, diretor da Unidade de Transplantação Renal do Hospital de Santa Cruz, destaca a importância do exercício físico adequado a cada pessoa, numa altura em que Lisboa acolhe os Jogos Europeus para Transplantados

Sobre o problema que a afetou em criança, Beatriz mostrou-se evasiva, contando apenas «vagamente» o que se passou e por uma razão. «Normalmente as pessoas só me veem pela cadeira de rodas, nunca me conhecem assim tanto, veem só mais por fora. Posso parecer arrogante, mas sou simpática», descreve-se.

Pela mãe, pouco foi dito sobre o processo e as consequências que o mesmo causou no dia a dia de Beatriz, porém, não menos revelador. «Ela soube que tinha que se ajustar. Nunca se adaptou a próteses, nem queria aquilo. Chegou a uma altura em que nem valia a pena tentar que as usasse, porque dizia que só a atrapalhava. É o que é», disse Helena e Luís desabafou: «Já passou por muito.» E não foi preciso dizer mais nada.

Hoje, a nadadora é «quase autónoma», conta a mãe ao dizer que a casa onde vivem foi adaptada às necessidades da jovem de 18 anos. Porém, nem todos os espaços que frequenta estão equipados para ajudar Beatriz a movimentar-se. Prova disso foi uma escola que frequentou e cujo ginásio ficava no 1.º andar, sem meio de transportá-la. «Para a Beatriz não se passa nada. Nada a abala. Quer sempre conseguir tudo, participar em tudo, o que é fantástico e isso também nos deixa descansados», frisa Helena.


A Bola