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Autor Tópico: "Vamos esperar serenamente", diz Marcelo sobre debate da eutanásia  (Lida 631 vezes)

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Offline SLB2010

"Vamos esperar serenamente", diz Marcelo sobre debate da eutanásia

Presidente da República reiterou que só se pronunciará no fim dos trabalhos parlamentares.

13.05.18

Marcelo Rebelo de Sousa

Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reiterou este sábado, em Fátima, que só se pronunciará sobre a eutanásia no fim dos trabalhos parlamentares, dizendo para se esperar "serenamente". Ao ser confrontado com as declarações de sábado do vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), bispo António Marto, que pediu um "debate "sereno, sério, esclarecido e esclarecedor, aprofundado e humanizador" sobre a eutanásia, Marcelo Rebelo de Sousa adiantou que promoveu "uma série de iniciativas do Conselho Nacional de Ética que levaram a debates por todo o país". "Agora, neste momento, é o tempo de o parlamento se pronunciar, o parlamento irá pronunciar-se no dia 29 na generalidade e, depois, haverá, naturalmente, o processo próprio e eu esperarei. Quando me chegar às mãos qualquer diploma para eventual promulgação -- veremos se chega ou não - eu aí pronunciar-me-ei", declarou o chefe de Estado, após ter participado no sábado na procissão das velas e missa da peregrinação internacional de maio ao Santuário de Fátima.

Fonte: CM
 
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Offline SLB2010

Eutanásia: Igreja Católica pede debate "sereno, sério, esclarecido e humanizador"

Por Lusa|12.05.18

O vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) pediu hoje um debate "sereno, sério, esclarecido e esclarecedor, aprofundado e humanizador" sobre a eutanásia, garantindo que a Igreja Católica não faz guerras sobre esta matéria, mas não podia ficar silenciada. "Eu faço um apelo a toda a sociedade e às instituições responsáveis para um debate sereno, sério esclarecido e esclarecedor, aprofundado e humanizador", afirmou António Marto, na conferência de imprensa que antecede o início da peregrinação de 12 e 13 de maio ao Santuário de Fátima. O também bispo de Leiria-Fátima referiu que "não se elimina o sofrimento eliminando a pessoa", mas antes "é preciso cuidar da pessoa para lhe aliviar o sofrimento, com todos os meios possíveis e a qualidade de vida das pessoas e das famílias".

Fonte: CM
 
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Offline Pantufas

O que já disse o Papa sobre a eutanásia?

15 mai, 2018 - 07:00 • Cristina Nascimento

Francisco tem opinado sobre casos mais mediáticos e envia mensagens a iniciativas de apoio à vida.

 
Têm sido várias as ocasiões recentes em que o Papa se tem pronunciado sobre a eutanásia, nomeadamente quando surgem casos que ganham expressão mediática a nível global. O mais recente é o caso do bebé Alfie Evans, o menino britânico de 23 meses que acabou por morrer cinco dias após ter sido desligado das máquinas que o mantinham vivo.

Alfie Evans sofria de uma doença rara que não foi diagnosticada e para qual os médicos garantiram não existir cura. O caso tornou-se polémico porque os médicos defendiam o desligar das máquinas, mas os pais não concordaram e entraram numa batalha legal para transferir Alfie para uma unidade hospitalar em Itália que pretendia continuar a assistir o menino.

Francisco mencionou este caso várias vezes, uma delas em meados de abril, quando Alfie ainda estava ligado às máquinas. “Chamo, mais uma vez, a atenção para os casos de Vincent Lambert e do pequeno Alfie Evans. Gostaria de repetir e confirmar, com força, que o único dono da vida, do início ao fim natural é Deus”, disse, no final da audiência pública semanal que decorreu na Praça de São Pedro.

Antes, em novembro de 2017, o Papa já tinha abordado quer a questão da eutanásia, como da distanásia (o prolongamento obstinado da vida através de terapias exageradas). Numa mensagem escrita dirigida ao arcebispo Vincenzo Paglia, presidente da Academia Pontifícia para a Vida, a propósito do Encontro Regional Europeu da Associação Médica Mundial, o Papa recorda que a Igreja Católica considera lícito interromper ou recusar tratamentos médicos em certas circunstâncias e que estas decisões reconhecem “os limites da nossa mortalidade, quando se torna evidente que é fútil opor-se a ela”. No entanto, ressalva que, “do ponto de vista ético, é completamente diferente da eutanásia, que é sempre errada, na medida em que a intenção da eutanásia é causar a morte”.


Já no início de 2018, Francisco voltou a falar sobre o tema, desta vez num discurso dirigido à Congregação para a Doutrina da Fé. O Papa criticou a mentalidade que leva à aceitação da eutanásia, dizendo que numa sociedade onde o valor da vida não se mede pela sua dignidade inerente, tudo é possível. Francisco lamentou que o “processo de secularização” esteja a “absolutizar o conceito de autodeterminação e autonomia” levando vários países a defender a eutanásia “como afirmação ideológica da vontade de poder do homem sobre a sua vida”.

Mais recentemente, no passado dia 6 de maio, após a recitação da oração do “Regina Coeli”, na Praça de S. Pedro, no Vaticano, o bispo de Roma diz que é preciso “cuidar dos idosos, como um tesouro precioso e com amor, mesmo quando criam problemas económicos e dificuldades”. “É por isso que aos doentes, mesmo na fase terminal, devemos dar toda a assistência possível. É por isso que os nascituros são sempre acolhidos; enfim, é por isso que a vida é sempre tutelada e amada, desde a conceção ao seu fim natural. Isso é amor”, sublinha Francisco.

Apoio a iniciativas portuguesas em defesa da vida

Em Portugal, a discussão em torno do tema regressou à ordem do dia, a propósito das iniciativas legislativas de esquerda que pretendem debater e votar propostas no sentido de legalizar a eutanásia.

Em outubro de 2017, realizou-se uma caminhada pela vida em Aveiro, Lisboa e Porto, eventos aos quais o Papa se associou, enviando uma carta. No documento, o Papa manifesta o desejo de que “apareçam sempre mais homens e mulheres de boa vontade que abracem corajosamente a verdade e valor que cada ser humano tem para Deus, sustentando tal verdade com factos e razões científicas e morais num dramático apelo à razão, para se voltar ao respeito de cada vida humana”, da conceção à morte natural, “na batalha contra o aborto, eutanásia e demais atentados à vida humana”.

Depois, dias mais tarde, realizou-se nova caminhada em defesa da vida, desta vez com destino ao Parlamento. A abrir o desfile, um dos organizadores leu a carta enviada pelo Papa Francisco, na qual este saudava os participantes, enviando a sua bênção apostólica e considerando que se deve "voltar ao respeito da vida". Francisco, na mesma carta, escreveu que esta marcha deve ser vista como uma manifestação "contra a cultura do descarte, orientada por uma lógica económica".


Fonte: RR
 
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Offline SLB2010

Eutanásia: Médicos católicos alertam para pressão sobre doentes pobres e frágeis
15 mai 2018 16:40

Eutanásia Médicos doentes

Médicos Católicos congratulam-se com veto de Marcelo ao diploma de mudança de género
A Associação dos Médicos Católicos Portugueses (AMCP) reiterou hoje a oposição à legalização da eutanásia, considerando que “criaria uma enorme pressão sobre os doentes mais frágeis”.
 Eutanásia: Médicos católicos alertam para pressão sobre doentes pobres e frágeis
Em comunicado divulgado após uma reunião com o bastonário da Ordem dos Médicos (OM), a AMCP diz ter transmitido a Miguel Guimarães “preocupação” por esta lei colocar “doentes com doenças graves e incuráveis numa situação de enorme coação para pedirem a eutanásia”.

“Seguramente, muitos doentes, de modo particular os mais pobres e frágeis, sentir-se-iam socialmente pressionados a requerer a eutanásia, porque se sentem a mais ou um fardo para a família e para a sociedade. Há um enorme risco de se criar um efeito de desmoralização nestes doentes, levando-os a desistir de viver”, lê-se no comunicado.

A associação afirma recear também que, com a legalização da eutanásia, se “desincentive o investimento nos serviços de saúde para a assistência aos doentes graves e terminais” e se “assista ao fenómeno de rampa deslizante”.

“A experiência dos Estados que legalizaram a eutanásia revela que não é possível restringir essa legalização a situações raras e excecionais; o seu campo de aplicação passa gradualmente da doença terminal à doença crónica e à deficiência, da doença física incurável à doença psíquica dificilmente curável, da eutanásia consentida pela própria vítima à eutanásia consentida por familiares de recém-nascidos, crianças e adultos com deficiência ou com alterações profundas do estado de consciência”, referiu o presidente da associação e médico psiquiatra, Pedro Afonso.

A AMCP reiterou que a “prática médica é inconciliável com a prática da eutanásia” e, no comunicado, afirma ainda esperar que “a legalização da eutanásia seja rejeitada no próximo dia 29 de maio na Assembleia da República”.


Sapo24
 
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Offline maxenzo2

Isto é um assunto delicado, toda a gente tem livre arbítrio sobre o que fazer da sua vida, mas dai quer deixar de a ter.

O próprio Stephen Hawking disse num documentário qualquer coisa sobre a vida e como não interessa como a vivemos, porque é a única que se tem, e temos o privilégio de ver as maravilhas do universo só por este bocadinho.

Mas isto sou eu a falar não a dar opinião porque a minha opinião é não, mas se viesse um voto ainda que eu seja contra eu votava "Sim", porque a minha vontade não tem de se sobrepor a dos outros, e todos têm direito a liberdade de escolha.
 
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Offline pantanal

Bastonários dos médicos rejeitam despenalização da eutanásia em declaração ao Presidente da República

22/5/2018

Carta que será enviada ao Presidente da República foi assinada por seis bastonários da Ordem dos Médicos. Para o atual Bastonário, esta declaração espelha uma "reflexão" dos médicos.

JOSÉ COELHO/LUSA

Autor


Seis bastonários da Ordem dos Médicos, incluindo o atual, entregam, na quarta-feira, ao Presidente da República uma declaração conjunta na qual se opõem à despenalização da eutanásia, disse esta terça-feira à agência Lusa Miguel Guimarães. “Esta carta foi assinada pelos seis bastonários dos últimos anos da Ordem dos Médicos. Como bastonários temos obrigação de defender o código deontológico e, como tal, não somos a favor da despenalização da eutanásia”, afirmou o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães.

Além de Miguel Guimarães, assinam a declaração José Manuel Silva, Pedro Nunes, Germano de Sousa, Carlos Ribeiro e Gentil Martins. De acordo com Miguel Guimarães “esta é uma altura” em que importa ao Presidente da República “conhecer a posição das pessoas que lideraram a Ordem dos Médicos nos últimos anos”.


A discussão da despenalização da eutanásia está agendada para dia 29 de maio, na Assembleia da República, e o bastonário considera que o “debate é curto”, uma vez que “pouco se falou do assunto nos últimos anos”. “Os portugueses têm de ter consciência daquilo que a Assembleia da República está na iminência de aprovar. Embora o parlamento tenha legitimidade para decidir, a verdade é que, à exceção do PAN, nenhum partido discutiu este tema na altura das eleições”, disse.

Segundo o bastonário, esta declaração espelha uma “reflexão” dos médicos que, “melhor do que qualquer cidadão, conhecem as práticas”. “A maior parte das pessoas não estão informadas, ainda não se sabe distinguir eutanásia de distanásia. É necessária mais informação, mais debate, melhor esclarecimento, para que as pessoas formem uma opinião e a transmitam aos partidos políticos”, concluiu o bastonário.

O parlamento vai discutir quatro projetos de lei sobre a morte medicamente assistida ou a despenalização da eutanásia, projetos do PAN, Bloco de Esquerda, PS e Partido Ecologista Os Verdes.
reção, sugira uma pista:



fonte: observador







 

Offline SLB2010

PCP vota contra, eutanásia em risco



Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP. Eutanásia foi alvo de grande debate interno no partido  |  MIGUEL A. LOPES /LUSA

O PCP vai votar contra a despenalização da eutanásia. A garantia foi dada ao DN por fonte partidária.

A decisão será confirmada amanhã de manhã numa conferência de imprensa na Assembleia da República, acompanhada com uma nota no jornal do partido, o "Avante!".

Esta opção coloca em risco a aprovação da despenalização da eutanásia - havendo quatro projetos em cima da mesa (PAN, BE, PS e PEV) para discutir e votar, na generalidade, dia 29. O grupo parlamentar do PCP, interpelado pelo DN, recusou falar.

Os grupos parlamentares do PCP, PSD e CDS somados têm 122 deputados, ou seja, mais 6 do que a maioria absoluta (89 deputados do PSD+18 do CDS+15 do PCP).

O que poderá "salvar" a despenalização da eutanásia serão votos a favor provenientes da bancada do PSD (por exemplo das deputadas Paula Teixeira da Cruz e Teresa Leal Coelho).No PSD já foi determinado que haverá liberdade de voto - e aliás o presidente do partido, Rui Rio, já se manifestou publicamente a favor da despenalização.

No PCP e no CDS, os grupos votarão em bloco contra os quatro projetos, sem "dissidências" internas.

O BE e o PEV (21 votos no total) também votarão em bloco a favor dos projetos e o mesmo se passará com o deputado do PAN (o primeiro a apresentar um projeto, aliás).

No grupo parlamentar do PS (86 deputados no total) - que também tem um projeto de despenalização - só se esperam dois votos "dissidentes", contra a eutanásia (e portanto também contra o sentido maioritário favorável do partido).

O PCP já há muito tempo que expressa reservas em relação à despenalização da morte assistida. De acordo com o que apurou o DN, o partido irá fundamentar esta decisão com o facto de considerar que legislar sobre esta matéria "fere princípios constitucionais" e que "não corresponde a uma necessidade prioritária para a sociedade." O DN sabe que o tema foi muito debatido no seio do partido e no grupo de médicos militantes, cuja maioria se manifestou nestes últimos tempos contra a despenalização da morte assistida.

Num artigo publicado no DN em 20 de abril, o deputado comunista António Filipe elencou as reservas do partido (embora sem anunciar um sentido de voto). Começou por esclarecer porque é que o PCP não apresentou um projeto.

"Tem sido questionada a opção do PCP de não apresentar qualquer iniciativa legislativa sobre a eutanásia. Essa opção é facilmente compreensível. Não constava do programa do PCP nenhum compromisso nessa matéria e o PCP não considerou que a legalização da eutanásia fosse uma prioridade para a presente legislatura", escreveu o parlamentar comunista.

Filipe acrescentou "que não pode ser posta em causa a legitimidade de qualquer partido para considerar que a legalização da eutanásia não constitui uma prioridade nacional" visto que, por exemplo, "não se conhecem condenações em processos criminais pela prática de eutanásia". Ou seja: "As propostas que são conhecidas de alteração à lei penal não são motivadas pela necessidade de corrigir injustiças que tenham sido cometidas" e portanto "nada aconselha por isso precipitações que impeçam a necessária ponderação sobre um assunto em que está em causa algo tão essencial como a vida e a morte".

Falando na necessidade de "desfazer algumas ideias feitas", o deputado do PCP sublinhou que "o debate sobre a eutanásia não é um debate sobre a dignidade da vida e da morte". "Todos podemos compreender a generosidade da ideia de aliviar o sofrimento humano e de respeitar a autonomia da vontade perante situações que sejam tidas como terminais e irreversíveis, mas isso não nos deve conduzir à ideia de que haja alguma indignidade na opção de não pôr termo à vida em qualquer circunstância."

Além do mais, "o debate também não é entre esquerda e direita, como não é entre católicos e ateus, entre progressistas e conservadores, ou entre juristas e médicos". Dizendo que é um "objetivo generoso" o de "aliviar o sofrimento insuportável de seres humanos", António Filipe ressalvou no entanto que "isso não nos pode levar a encarar a eutanásia como um sucedâneo dos cuidados paliativos". "A insuficiência de cuidados paliativos no sistema de saúde em Portugal é um facto reconhecido por todos e tem de ser urgentemente superada. Independentemente de soluções legislativas que venham no futuro a ser adotadas quanto à questão da eutanásia, nada pode substituir a necessidade de uma resposta eficaz, que ainda não existe, em matéria de cuidados paliativos."

António Filipe alinhou ainda outros argumentos. Por exemplo, o da "inaceitabilidade de soluções que possam conduzir a uma deriva economicista da eutanásia como forma de aliviar os encargos com a saúde ou a Segurança Social". Sendo certo que "ninguém tem enveredado explicitamente por esse caminho entre nós" é importante no entanto que fique "a prevenção, já que não falta por este mundo quem o sugira ou mesmo quem o defenda, em países que não deixam de ser apresentados entre nós como modelos a seguir".

É que "não é de grande utilidade tomar as soluções legislativas adotadas nos poucos países que até agora regularam a eutanásia como modelos inquestionáveis", sendo "inegável que as notícias que chegam, designadamente da Holanda, são um tanto perturbadoras quanto à possibilidade real de uma deriva conducente à banalização da eutanásia". "Dir-se-á que uma solução legislativa adequada pode evitar essa deriva. Admitamos que sim, mas talvez seja ingénuo esperar que soluções legislativas iguais produzam efeitos diferentes".

A votação no dia 29 será nominal, com todos os deputados presentes a terem de votar separadamente cada um dos quatro projetos agendados.


Fonte: DN

 
 

Offline Raposa

PCP vota contra, eutanásia em risco

Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP. Eutanásia foi alvo de grande debate interno no partido  |  MIGUEL A. LOPES /LUSA

 
O PCP vai votar contra a despenalização da eutanásia. A garantia foi dada ao DN por fonte partidária.

A decisão será confirmada amanhã de manhã numa conferência de imprensa na Assembleia da República, acompanhada com uma nota no jornal do partido, o "Avante!".

Esta opção coloca em risco a aprovação da despenalização da eutanásia - havendo quatro projetos em cima da mesa (PAN, BE, PS e PEV) para discutir e votar, na generalidade, dia 29. O grupo parlamentar do PCP, interpelado pelo DN, recusou falar.

Os grupos parlamentares do PCP, PSD e CDS somados têm 122 deputados, ou seja, mais 6 do que a maioria absoluta (89 deputados do PSD+18 do CDS+15 do PCP).

O que poderá "salvar" a despenalização da eutanásia serão votos a favor provenientes da bancada do PSD (por exemplo das deputadas Paula Teixeira da Cruz e Teresa Leal Coelho).No PSD já foi determinado que haverá liberdade de voto - e aliás o presidente do partido, Rui Rio, já se manifestou publicamente a favor da despenalização.

No PCP e no CDS, os grupos votarão em bloco contra os quatro projetos, sem "dissidências" internas.

O BE e o PEV (21 votos no total) também votarão em bloco a favor dos projetos e o mesmo se passará com o deputado do PAN (o primeiro a apresentar um projeto, aliás).

No grupo parlamentar do PS (86 deputados no total) - que também tem um projeto de despenalização - só se esperam dois votos "dissidentes", contra a eutanásia (e portanto também contra o sentido maioritário favorável do partido).

O PCP já há muito tempo que expressa reservas em relação à despenalização da morte assistida. De acordo com o que apurou o DN, o partido irá fundamentar esta decisão com o facto de considerar que legislar sobre esta matéria "fere princípios constitucionais" e que "não corresponde a uma necessidade prioritária para a sociedade." O DN sabe que o tema foi muito debatido no seio do partido e no grupo de médicos militantes, cuja maioria se manifestou nestes últimos tempos contra a despenalização da morte assistida.

Num artigo publicado no DN em 20 de abril, o deputado comunista António Filipe elencou as reservas do partido (embora sem anunciar um sentido de voto). Começou por esclarecer porque é que o PCP não apresentou um projeto.

"Tem sido questionada a opção do PCP de não apresentar qualquer iniciativa legislativa sobre a eutanásia. Essa opção é facilmente compreensível. Não constava do programa do PCP nenhum compromisso nessa matéria e o PCP não considerou que a legalização da eutanásia fosse uma prioridade para a presente legislatura", escreveu o parlamentar comunista.

Filipe acrescentou "que não pode ser posta em causa a legitimidade de qualquer partido para considerar que a legalização da eutanásia não constitui uma prioridade nacional" visto que, por exemplo, "não se conhecem condenações em processos criminais pela prática de eutanásia". Ou seja: "As propostas que são conhecidas de alteração à lei penal não são motivadas pela necessidade de corrigir injustiças que tenham sido cometidas" e portanto "nada aconselha por isso precipitações que impeçam a necessária ponderação sobre um assunto em que está em causa algo tão essencial como a vida e a morte".

Falando na necessidade de "desfazer algumas ideias feitas", o deputado do PCP sublinhou que "o debate sobre a eutanásia não é um debate sobre a dignidade da vida e da morte". "Todos podemos compreender a generosidade da ideia de aliviar o sofrimento humano e de respeitar a autonomia da vontade perante situações que sejam tidas como terminais e irreversíveis, mas isso não nos deve conduzir à ideia de que haja alguma indignidade na opção de não pôr termo à vida em qualquer circunstância."

Além do mais, "o debate também não é entre esquerda e direita, como não é entre católicos e ateus, entre progressistas e conservadores, ou entre juristas e médicos". Dizendo que é um "objetivo generoso" o de "aliviar o sofrimento insuportável de seres humanos", António Filipe ressalvou no entanto que "isso não nos pode levar a encarar a eutanásia como um sucedâneo dos cuidados paliativos". "A insuficiência de cuidados paliativos no sistema de saúde em Portugal é um facto reconhecido por todos e tem de ser urgentemente superada. Independentemente de soluções legislativas que venham no futuro a ser adotadas quanto à questão da eutanásia, nada pode substituir a necessidade de uma resposta eficaz, que ainda não existe, em matéria de cuidados paliativos."

António Filipe alinhou ainda outros argumentos. Por exemplo, o da "inaceitabilidade de soluções que possam conduzir a uma deriva economicista da eutanásia como forma de aliviar os encargos com a saúde ou a Segurança Social". Sendo certo que "ninguém tem enveredado explicitamente por esse caminho entre nós" é importante no entanto que fique "a prevenção, já que não falta por este mundo quem o sugira ou mesmo quem o defenda, em países que não deixam de ser apresentados entre nós como modelos a seguir".

É que "não é de grande utilidade tomar as soluções legislativas adotadas nos poucos países que até agora regularam a eutanásia como modelos inquestionáveis", sendo "inegável que as notícias que chegam, designadamente da Holanda, são um tanto perturbadoras quanto à possibilidade real de uma deriva conducente à banalização da eutanásia". "Dir-se-á que uma solução legislativa adequada pode evitar essa deriva. Admitamos que sim, mas talvez seja ingénuo esperar que soluções legislativas iguais produzam efeitos diferentes".

A votação no dia 29 será nominal, com todos os deputados presentes a terem de votar separadamente cada um dos quatro projetos agendados.

Correção na notícia às 14:36: O número de deputados do CDS não é de 19, mas sim de 18.

 
Fonte: DN
 

Online migel

Eutanásia: "A cabeça sem corpo" de Ramón Sampedro levou o debate dos ecrãs para as ruas


O caso do tetraplégico espanhol Ramón Sampedro colocou o debate sobre a eutanásia nos ecrãs do mundo, através do filme "Mar Adentro", e levou a discussão das televisões para as ruas.

A associação espanhola Direito a Morrer Dignamente considera que o caso de Ramón Sampedro foi "muito importante porque levou o debate sobre a eutanásia a toda a população", segundo uma resposta da organização enviada à agência Lusa.

"Sou uma cabeça sem corpo", afirmava Ramón Sampedro, que em 1968 ficou tetraplégico, na sequência de um mergulho na praia, ficando com uma imobilidade total do corpo, exceto da cabeça.

Ramón Sampedro tornou público o seu desejo de morrer no início de 1990, mas só oito anos depois conseguiu um suicídio assistido, através da ajuda de uma amiga, tendo gravado um vídeo da sua morte que foi divulgado nas televisões e voltou a despertar a sociedade para o debate sobre a despenalização da morte assistida.

A associação espanhola Direito a Morrer Dignamente lembra à Lusa que, graças à sua luta e às suas reivindicações, Ramón Sampedro contribuiu para que, em 1995, fosse aprovada uma reforma do Código Penal que reduziu as condenações em caso de eutanásia e de assistência ao suicídio.

Para a associação, é difícil dizer qual o impacto que o caso teve de facto na sociedade espanhola, mas não tem dúvidas de que qualquer lei que seja um dia aprovada em Espanha incluiria casos como o de Ramón Sampedro.

"Em Espanha não poderia fazer-se uma lei sobre a eutanásia que não incluísse casos como o dele, porque a maioria da população entende que uma pessoa como ele teria todo o direito a decidir quando e como morrer", referiu.

Ramón Sampedro lutou durante cerca de três décadas pelo reconhecimento legal de ter ajuda a morrer com dignidade.

Antes de se suicidar, Ramón Sampedro publicou, em 1996, um livro que é uma espécie de mistura entre uma autobiografia e um livro de poemas intitulado "Cartas desde o Inferno".

Quase seis anos após a sua morte, chegou o filme baseado na sua luta, pela mão do realizador Alejandro Amenabar e interpretado pelo ator Javier Bardem.

"Mar Adentro" ganhou diversões galardões, como 14 prémios Goya, os prémios mais importantes do cinema espanhol, e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2005.

No seu livro, que vendeu mais de 100 mil exemplares só em Espanha, Ramón Sampedro responde, em poesia, à pergunta "Porquê morrer?": "Morrer é jogar uma única carta durante toda a nossa vida / É apostar tudo no desejo de encontrar uma estrela que nos dê um novo caminho".

 
Fonte: DN
 

Offline salgado18

Morte assistida e morte provocada


José Ribeiro e CastroSeguir
27/5/2018, 9:31

O conceito de morte digna, que colam à eutanásia e ao suicídio assistido, é uma afirmação profundamente irritante de soberba e arrogância. Então eutanasiados e suicidas têm dignidade e os outros não?

1. «Idosos que acabam por ser um fardo para a família, um encargo cada vez maior para a sociedade.» Assim termina uma reportagem sobre idosos abandonados nos hospitais. Acabo de a ver no Telejornal da RTP1.

É dia 7 de Maio de 2018, oito e meia da noite.

2. Nos últimos meses, a pressão para a eutanásia encharcou o quotidiano. Chama-nos à ideia do fim, abeira-nos da morte. É estranho: não é a morte a chegar-se a nós (como é costume), somos nós a ser chegados a ela.

Traz duas ideias dolorosas: a morte e o sofrimento. Um tem remédio: o sofrimento tem remédio. Nem sempre total, nem sempre permanente, nem sempre definitivo, mas sempre algum remédio: alívio, conforto, amparo, abraço, socorro. Outra não tem. A morte não tem remédio de qualquer espécie. Não tem recuo, nem regresso. Já foi. A morte é irremediável.

Os defensores da eutanásia querem usar a morte como remédio para o sofrimento. Parece humor negro: usar o irremediável como remédio.

Esta escolha política – absurda – provoca uma longa série de problemas: éticos, jurídicos, médicos, sociais, humanos. É sem dúvida por terem consciência disso que recorrem a um invulgar arsenal de lugares-comuns e de eufemismos. É a necessidade de adoçar a brutalidade, a fim de procurar legitimá-la.

3. O que se passou comigo, creio passar-se com todos: conhecemos a morte quando ela chega aos que nos são mais próximos. No meu caso, foi com os meus avós.

A minha avó paterna morreu quando eu tinha nove anos. Era muito divertida e brincalhona. Nos últimos anos, lembro-a sempre numa cadeira de rodas, tolhida pelo reumático. Nunca perdeu a alegria. A certa altura, piorou. Caiu à cama. Morreu no seu quarto ao fim de alguns dias. Não a vi no seu leito, despedi-me dela na capela mortuária. Foi a primeira morte da minha vida.

O meu avô paterno morreu poucos anos depois, nos meus treze anos. Foi uma pneumonia. Veio para nossa casa, acabaria hospitalizado. Sucumbiria a uma série de complicações que se acumularam. Vi-o algumas vezes na cama do hospital. Mas a memória mais forte que me ficou foram, nos últimos dias, longos conciliábulos no corredor. Vinha um médico, depois outro, chamavam mais um, faziam sinal ao meu pai, que chamava a minha mãe; e ali ficavam, rostos carregados, alguns minutos a ponderar, por vezes largos minutos, longe da saleta de espera de onde eu olhava. Na minha cabeça, pretendendo adivinhar, eram conversas de vida ou de morte, conversas dos momentos do fim.

O meu avô materno morreu também em hospital, nos meus dezasseis anos. Um cancro, que seguiu o curso natural para a espécie de tumor e a terapia da época. Operado, ficou bem. Não muito tempo depois, o quadro agravou-se. Morreu no hospital onde fora internado.

A minha avó materna morreu sozinha em casa, à noite, durante o sono, muito mais idosa que todos os outros, quando eu tinha já quase trinta anos.

Dos meus avós, três morreram, portanto, com morte assistida, uma expressão de que muito – e  mal – se abusa a propósito da eutanásia. A minha primeira avó a falecer, que morreu na sua própria cama, em casa, rodeada pela família, pelo médico assistente (nosso grande amigo) e pelo especialista, foi continuamente assistida na sua morte. Os meus dois avôs morreram ambos com cuidada assistência hospitalar e assistência familiar também.

Curiosamente, a minha avó octogenária foi a única que não teve morte assistida, mas aquela que terá tido a boa morte, uma morte melhor do que meus outros avós: durante o sono, faleceu de um apagamento do coração. Estava serena. Estava bonita. Ouvi dizer: “morreu como um passarinho”, a frase popular da boa morte.

4. A eutanásia não é morte assistida. Morte assistida foi a dos meus avós que a morte não surpreendeu de repente. É a morte de todos os que morrem em meio hospitalar, no próprio lar ou em lares sociais, rodeados de cuidados médicos, de família, de amigos, de outros cuidadores. Os cuidados paliativos integram a morte assistida, embora não sejam só isto e a assistência na morte vá para além deles.

A eutanásia, tal como a ajuda ao suicídio, é morte provocada. Os seus defensores têm que o assumir. Têm de falar verdade. Querem provocar a morte, não assistir a morte. Os meus avós não os quereriam, nem por perto. A lei não pode mentir. Não podem tratar a questão em clima de ludíbrio. Não pode entrar-se em prestidigitação política. Esta é das mais sérias, senão a mais séria, de todas as questões do direito: pode ou não pode acabar-se com a vida de outrem?

A morte assistida não precisa de ser legalizada. Isso é uma aldrabice que puseram a rolar. Morte assistida já existe. Sempre existiu. Está bem. Deve ser cada vez de melhor qualidade, mais extensa nos cuidados médicos para toda a gente, incluindo os devidos cuidados familiares, pessoais, religiosos.

Morte provocada é diferente. É proibida e deve ser proibida. Diz a Constituição: “a vida humana é inviolável”. Nem é preciso saber muito de Direito, basta conhecer um pouco de Português. “Inviolável” é inviolável, não é violável. A frase não tem dias. O prefixo “in” está lá, não é um pisca-pisca intermitente, que ora sim, ora não. É sempre. Sempre inviolável, nunca violável.

5. Este processo político que foi desencadeado tem muito de desastroso. Iremos ver. À esquerda, à direita, na sociedade, no país. Está a fazer muito mal à democracia.

Por um lado, não arranca de qualquer mandato democrático. Lidando com o mais fundamental dos direitos humanos, não foi precedido de propostas que pudessem considerar-se minimamente sufragadas. Trata-se do desenvolvimento de pura maquinação. Por outro lado, ignora olimpicamente a Constituição, como se não estivesse lá. Surpreende como é que o primeiro-ministro, líder do partido do governo, e o Presidente da Assembleia da República consentem e participam. Surpreende como é que o líder da oposição faz o mesmo e não levanta a voz. A Constituição não é de ordem pública? Já não é valor jurídico-político fundamental?

Nem questiono as convicções que tenham quanto à questão de fundo. A liberdade de pensamento é direito de todos. Questiono que, sendo líderes e responsáveis institucionais, não atendam à flagrante ilegitimidade política, inclusive constitucional, do processo que foi precipitado. Choca que nem vacilem perante isto, que nada questionem, nem a si se questionem. É o que pode provocar fractura política.

Normas como “a vida humana é inviolável” não são apenas um direito, mas uma garantia. Faz parte do conjunto clássico dito dos “direitos, liberdades e garantias” e assume, aqui, um valor garantístico superlativo. Na construção do Estado democrático de direito, a Constituição é o acto constitutivo por que os governados, através dos seus eleitos (os constituintes), conformam o Estado e limitam todos os poderes dos governantes. Nessa conformação, entram garantias, com um valor jurídico-político sagrado: diante delas, o Estado nada pode fazer contra e tudo tem de fazer a favor. São garantias. Ai de quem as quebrar.

Os defensores da eutanásia, confrontados com a experiência deslizante de outros países, como Bélgica e Holanda, declamam que a lei a aprovar nunca iria por aí e seria unicamente para os casos e nas circunstâncias agora enunciados. Mas como acreditar nisso? Nem se dão ao trabalho de explicar como iriam garantir que o quadro não resvalaria como aconteceu nos países que destrancaram a porta e foram por aí. Mais: se não lêem a Constituição, nem a querem cumprir, como se ficariam pela primeira lei? Uma vez quebrada a garantia, nada sobraria para garantir. O descarrilamento ficaria entregue ao arbítrio do momento. Exactamente como querem agora.

Se a solene proclamação constitucional “a vida humana é inviolável” não servir para nada, de que serviria a penosa burocracia da morte de que os projectos de lei estão recheados?

6. É sintomático que as últimas semanas fossem marcadas por intolerância e pela censura. Intolerância houve sempre, anti-religiosa. De princípio, escondida e disfarçada, mas sempre presente contra tudo o que cheire a Deus. Afloraram amiudadas vezes os dichotes contra o que se deleitam em estigmatizar como “ICAR”, alvo predilecto dos ódios jacobinos. É a altiva manifestação do menosprezo. Oxalá não queiram proibir a assistência religiosa aos moribundos.

Custa entender tanta insensibilidade ou ignorância (ou ambas) a respeito justamente da morte, que é a questão a partir da qual arranca muito do espírito religioso desde o princípio da Humanidade. E também custa entender qual é a embirração específica nesta questão.

Na linha judaico-cristã, conheço o mandamento “Não matarás” dado a Moisés. E compreendo que Deus o fizesse. Mas não preciso de Deus ou deste Seu mandamento para o ter e observar. Há coisas em que preciso de Deus e em que sem Ele, nada. Mas não preciso d’Ele para saber que “Não matarás” é o que está certo. É igual noutras culturas.

A questão que o asco antirreligioso deste debate nos coloca é um problema muito sério. Se consideram que o “Não matarás” do Sinai é o obstáculo a abater aos seus propósitos legislativos, isso significa que estão a dizer-nos que, apartado Deus e tudo o que alguma vez disse, a República laica, a República laicista não encontra qualquer fundamento filosófico próprio para afirmar e proteger a vida dos cidadãos como valor supremo e absoluto. Isso seria um problema gravíssimo para a República. Para os cidadãos, pior ainda.

É verdade que receio isso, embora o ache ridículo. Mas uma coisa é o meu receio, outra é que me confirmem que, na verdade, pensam assim e é isto que querem: fora Deus (que tanto hostilizam), esta República não encontra e não quer qualquer fundamento filosófico próprio capaz de afirmar e proteger a vida dos cidadãos como valor supremo e absoluto.

7. Esta intolerância, sempre latente, prolongou-se em censura. A posição ecuménica em união de oito confissões religiosas, mostrada em 16 de Maio, foi reportada pela Lusa, mas ignorada em quase todo o lado, em contraste com a importância e invulgaridade do acontecimento. Houve censura a silenciar, a 23 de Abril, a Conferência “Eutanásia e Cultura do Cuidado”, na Universidade Católica, anfiteatro cheio, onde se pôde ouvir, com pormenor e objectiva narração, o quadro terrível em que a Holanda decaiu. Foi pela voz autorizada e documentada do Prof. Theo Boer, que havia sido um dos iniciadores da legislação. A censura não quis que se conhecesse como é mesmo a “rampa deslizante”. Já na véspera, a RTP1 dera, no Telejornal principal, uma peça completamente enviesada sobre a eutanásia na Bélgica, falseando a realidade e fugindo ao contraditório. Assim como, no princípio de Maio, a censura calou em Portugal a notícia de que o parlamento finlandês chumbou, por larga maioria, iniciar um processo legislativo nesta matéria.

Alguns acusarão: “é a esquerda”. Não creio que seja matéria de esquerda/direita. Há pessoas à esquerda que se mostram fiéis ao direito à vida. Mas infelizmente há hoje uma maioria na esquerda a mostrar-se contra ele, fingindo não entender o seu valor. À direita, o mesmo se passa: há os que porfiam pelo valor estruturante da vida e da pessoa humana, assim como, infelizmente, há seguidores de outras correntes que, à direita, sempre menorizaram e relativizaram o direito à vida. A afirmação de Rui Rio de que “é um imperativo do Estado a despenalização da eutanásia” é, infelizmente, uma manifestação de pertença a essa corrente na direita.

8. Estes projectos de lei representam profundíssima ruptura moral. Significam passarmos de uma ordem jurídica em que a vida humana é valor fundacional, para outra em que o não é: a vida humana passaria a ser um bem disponível. Tudo seria diferente a seguir. A ordem social nunca mais seria a mesma, onde o Estado ministre a morte nos seus hospitais ou onde clínicas de morte se organizem como negócio legal.
Não é um passo avançado. É recuo ético muito retrógrado. Admito que o mundo possa mudar de mentalidade. Por vezes, há assim umas ventanias. Mas, neste caso, gostava que fôssemos dos últimos. Portugal gaba-se de ser o primeiro a abolir a pena de morte; fica-lhe bem reservar-se ser talvez o último a retirar a inviolabilidade da vida do elenco das garantias fundamentais.

Porém, o quadro não é esse. Querem colocar-nos no pelotão da frente do desastre. Há no mundo 197 países; apenas em seis se admite a eutanásia ou o suicídio assistido. Pretendem que troquemos a companhia de 190 países, para nos juntarmos à duvidosa parceria da escassa meia dúzia que já estão na rampa deslizante. Ficaríamos, aqui, pior do que a China, ou que a Venezuela, ou a Bielorússia, ou a Líbia, ou a Arábia Saudita. Não é uma perspectiva grandiosa.

9. Não consigo entender a precipitação desta ruptura ética. Há, é certo, momentos e questões de dúvida. Mas é perante a dúvida que as certezas mais fazem falta, sobretudo quanto a valores fundamentais: “a vida humana é inviolável”. Não vamos por aí. Não agimos para matar.

A questão não é acompanhar e socorrer o desespero. É preciso socorrer. O problema é, com alavanca neste desespero, investir alguém no poder de matar, de tirar a vida. É este poder que não pode ser. É este poder que ninguém pode ter. Nem podemos admitir que esse poder fosse investido nos médicos, cujo dever de serviço é exactamente o oposto.

Uma vez franqueada esta barreira ética, o declive nunca mais pára. Começa pela estratégia da fresta: como noutras matérias, os promotores seguem a táctica de eleger um caso muito limitado, especialmente cruciante, para abalar a opinião e confundir os espíritos, procurando abrir uma brecha no edifício que atacam. Confundem o plano do legislador e o do julgador, ignorando que este tem remédios e respostas que aquele não tem: o juiz é concreto e casuístico; a lei é geral e abstracta.

Em todos os desafios, fixada a lei certa, com os valores justos, não há que recear os julgadores. Nas conversas de vida e de morte, que imaginei à distância, pela primeira vez, aos treze anos, nos corredores do hospital onde morria o meu avô, deposito muito mais confiança no saber, na deontologia e na competência de médicos e enfermeiros e na dedicação da família, do que em legisladores inflamados pela política ou em fóruns de opinião pública. Esses momentos, intensamente pessoais, muitas vezes angustiantes, sempre dolorosos, não podem ser transformados em pornografia política ou mediática.

A derrapagem, a seguir à primeira lei, é a sequência furtiva da estratégia da fresta: uma vez aberta a primeira brecha no edifício, demolida a garantia constitucional, quebrado o tabu de não se poder matar, quebrado também o outro tabu de os médicos não matarem os seus doentes, os mesmos promotores da eutanásia avançarão, poucos anos depois, com o resto do pacote. A Bélgica e a Holanda mostram-no bem. Mas não é só isso, nem são só esses.

10. A quebra da garantia do valor da vida produz, de imediato, na opinião pública um efeito de relaxe. E os mesmos ou outros irrompem pela nova ordem moral: afinal, é possível matar. Há matar que não está mal, há matar que até está “bem”. E restaram outros conceitos usados levianamente na primeira luta que favorecem essa contínua ampliação. Ficam como ameaça a pairar sobre todos.

Um é o conceito de morte digna, que colam à eutanásia e ao suicídio assistido. É uma afirmação profundamente irritante de soberba e arrogância raras. Então, os eutanasiados e os suicidas têm dignidade e os outros não? A sua morte é digna e a dos outros não? Os meus quatro avós morreram indignamente, incluindo a minha avó que morreu uma morte santa, durante o sono, na sua cama, sem assistência? Os meus pais tiveram morte indigna e o meu irmão também? Onde lhes falhou a dignidade? Quem a tirou?

A palavra faz caminho social. E a sociedade, desvinculada do direito à vida – não esqueçamos que cada direito de cada um é uma obrigação para os outros –, essa sociedade cada vez mais egoísta, travestindo-se de generosa e filantrópica, entra de apreciar as formas dignas e as formas indignas de morrer. Pouco depois, entra de apreciar também – grau superior –  formas dignas e indignas de viver.

Não é necessário que comecem logo a fazer-se leis para precipitar dignas as mortes que, de outro modo, seriam indignas ou para abreviar pela morte – digna, certamente – as vidas avaliadas como indignas. Há uma asfixiante pressão social que se gera, a fazer sentir como fardo pesado determinadas vidas ou as mortes que nunca mais chegam.

Acautelem-se os velhos, os doentes e os deficientes. Acautelem-se os incapazes de algo, os sós ou os apenas cansados. Cuidem-se, porque deles não será o tempo.

«Idosos que acabam por ser um fardo para a família, um encargo cada vez maior para a sociedade.» Assim termina uma reportagem sobre idosos abandonados nos hospitais. Acabo de a ver no Telejornal da RTP1. Foi em 7 de Maio de 2018, oito e meia da noite.

Morte assistida – com certeza. Cuidemo-la sempre melhor. Morte provocada – nem pensar. Importa cumprir as garantias. O imperativo do Estado é proteger a vida e respeitar a Constituição.


Publico
 

Offline salgado18

Da ilegalidade à discriminação

JOSÉ TIAGO PEREIRA VARANDA


No próximo dia 29 de maio, terça-feira, irão ser discutidos e votados quatro projectos de lei para legalizar em Portugal a eutanásia. Gostaríamos, neste pequeno artigo, de apresentar uma reflexão sobre o assunto, a partir de três perspectivas: jurídica, cultural e social.

Ao nível jurídico, perguntamo-nos como se pode legislar sobre um assunto em que estão em causa actos concretos que ponham fim a uma vida humana, quando no artigo 24 da Constituição se refere explicitamente que «A vida humana é inviolável»?

De facto, a lei do aborto abriu precedente neste tipo de incoerência constitucional: a sua aparência de constitucionalidade é a referência às competências legislativas da Assembleia da República. Deste modo, esta lei de 2007 limita-se a fazer à Constituição uma referência formal e não de conteúdo.

Tal fenómeno parece reflexo de uma cultura preocupada mais com a formalidade, do que com o conteúdo; mais com a validade, do que com a verdade; mais com uma certa coerência lógica, do que com o fundamento real e ético.

Importa também salientar que a lei da eutanásia resvalará para uma subtil discriminação de quem é mais débil. Veja-se a experiência da Holanda, na qual já se concede a eutanásia a quem adquiriu uma deficiência física e alegue, por causa dela, um sofrimento insuportável, mesmo que seja só ao nível existencial ou psicológico.

A eutanásia é, assim, uma forma muito subtil de se rejeitar a deficiência. Sobre este aspecto específico, é eloquente a contraposição de dois testemunhos conhecidos de pessoas que adquiriram tetraplegia: Ramon Sampedro e Javier Romañach.

Não conseguindo a cura da tetraplegia que adquirira, Ramon Sampedro lutou pela morte assistida, pois considerava: «Para mudar a minha vida, só uma coisa é necessária: curar-me»1. Perante esta afirmação, Javier Romañach contesta: «É curioso que uma pessoa que só necessita de uma coisa para mudar a sua vida, a cura, acabe envolvida numa luta pela morte. Na sua luta pela dignidade na morte, ignorou uma outra solução: a luta pela dignidade na vida das pessoas com deficiência»2.

Estes casos demonstram que a eutanásia esconde uma falsa visão da deficiência e do sofrimento que, em vez de humanizar, desumaniza e discrimina.

Tal discriminação estender-se-á, inevitavelmente, às pessoas idosas, com um nível avançado de debilidade física e psíquica. Este tipo de discriminação é evidenciado pela «prova de Ruskin»3, pela qual se interpelou um grupo de pessoal médico em formação, apresentando-lhes os dados de uma pessoa que «não comunica verbalmente, nem entende a palavra falada. Não se interessa nem coopera no seu próprio asseio. Não pode andar e o seu padrão de sono é irregular, despertando frequentemente de noite e acabando por acordar os outros com os seus gritos»4.

Depois de uma reacção negativa da maior parte do pessoal médico presente, que espontaneamente considerou ser muito difícil tratar assim de uma pessoa idosa, Ruskin fez circular entre os participantes a fotografia da pessoa em causa: uma criança de 6 meses. Esta simples interpelação pretendeu levar a considerar «se o solene e auto-gratificante compromisso de nunca se fazer discriminação pode ceder perante as diferenças de peso, idade, perspectiva vital, sentimentos que inspira o aspecto físico dos diferentes doentes ou se, pelo contrário, se deve sobrepor a estes dados circunstanciais»5.

Resta-nos concluir que esta discriminação social de quem não preenche os requisitos de qualidade de vida, padronizados pela sociedade do bem-estar, e um falso sentimento de auto-suficiência, que não aceita qualquer tipo de compaixão por parte dos outros, são os dois principais aspectos que estão por trás da eutanásia. Com a sua legalização, tais atitudes de prepotência agravar-se-ão nesta sociedade dita “civilizada”.


Fonte: https://www.diariodominho.pt/2018/05/27/da-ilegalidade-a-discriminacao/
 

Offline AREZ

A eutanásia mostra a razão pela qual há assuntos que não podem ser postos na mão do povo. Só que, o nosso parlamento é um clube de chá... O resultado está à vista: uma discussão estéril, radical, ideológica, sobre uma questão que versa sobre moral, sobre ética e sobre direitos humanos.

Agora chamem-lhe o que quiserem. Eutanásia é o homicídio tornado legal. Não há muito a explicar. Tal e qual como o aborto é infanticídio e não deixa de o ser só porque o legalizam.

Estes deputados sem qualquer moral a debater a vida e a morte onde já se viu. Os sem abrigos continuam na rua , porque o ex-governo lhes tirou emprego e casa. Ninguém faz nada por eles. Mas andaram a votar, para que os cães, gatos, cobras, jacarés e aranhas venenosas de estimação possam ir papar ao «ristórante», que é mais importante. Esquecem que os partidos foram criados para serem a voz do povo no Parlamento... mas não é o que fazem. Só se preocupam é sacar mais e mais ao Estado e meter no próprio bolso.
Para que precisamos de 230 deputados num país tão pequeno como o nosso? Recordo que ainda nem faz um mês, os deputados foram aumentados indevidamente, graças às moradas falsas e outras deste tipo, com 2.200,00€ a juntar aos 3.500,00€ que já recebem. E aos professores querem tirar quase 10 anos de serviço. Fora o roubo descarado na progressão de carreira nas demais profissões estatais.

Arez

« Última modificação: 28/05/2018, 00:10 por AREZ »
 
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Online migel

“A cabeça sem corpo” de Ramón Sampedro levou debate sobre eutanásia dos ecrãs para as ruas
26/5/2018, 10:29

O caso do tetraplégico espanhol Ramón Sampedro colocou o debate sobre a eutanásia nos ecrãs do mundo, através do filme "Mar Adentro", e levou a discussão das televisões para as ruas.



O caso do tetraplégico espanhol Ramón Sampedro colocou o debate sobre a eutanásia nos ecrãs do mundo, através do filme “Mar Adentro”, e levou a discussão das televisões para as ruas. A associação espanhola Direito a Morrer Dignamente considera que o caso de Ramón Sampedro foi “muito importante porque levou o debate sobre a eutanásia a toda a população”, segundo uma resposta da organização enviada à agência Lusa.

“Sou uma cabeça sem corpo”, afirmava Ramón Sampedro, que em 1968 ficou tetraplégico, na sequência de um mergulho na praia, ficando com uma imobilidade total do corpo, exceto da cabeça.


Ramón Sampedro tornou público o seu desejo de morrer no início de 1990, mas só oito anos depois conseguiu um suicídio assistido, através da ajuda de uma amiga, tendo gravado um vídeo da sua morte que foi divulgado nas televisões e voltou a despertar a sociedade para o debate sobre a despenalização da morte assistida.

A associação espanhola Direito a Morrer Dignamente lembra à Lusa que, graças à sua luta e às suas reivindicações, Ramón Sampedro contribuiu para que, em 1995, fosse aprovada uma reforma do Código Penal que reduziu as condenações em caso de eutanásia e de assistência ao suicídio. Para a associação, é difícil dizer qual o impacto que o caso teve de facto na sociedade espanhola, mas não tem dúvidas de que qualquer lei que seja um dia aprovada em Espanha incluiria casos como o de Ramón Sampedro.

Em Espanha não poderia fazer-se uma lei sobre a eutanásia que não incluísse casos como o dele, porque a maioria da população entende que uma pessoa como ele teria todo o direito a decidir quando e como morrer”, referiu.

Ramón Sampedro lutou durante cerca de três décadas pelo reconhecimento legal de ter ajuda a morrer com dignidade. Antes de se suicidar, Ramón Sampedro publicou, em 1996, um livro que é uma espécie de mistura entre uma autobiografia e um livro de poemas intitulado “Cartas desde o Inferno”.

Quase seis anos após a sua morte, chegou o filme baseado na sua luta, pela mão do realizador Alejandro Amenabar e interpretado pelo ator Javier Bardem. “Mar Adentro” ganhou diversões galardões, como 14 prémios Goya, os prémios mais importantes do cinema espanhol, e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2005.

No seu livro, que vendeu mais de 100 mil exemplares só em Espanha, Ramón Sampedro responde, em poesia, à pergunta “Porquê morrer?”: “Morrer é jogar uma única carta durante toda a nossa vida / É apostar tudo no desejo de encontrar uma estrela que nos dê um novo caminho”.




Fonte: https://observador.pt/2018/05/26/a-cabeca-sem-corpo-de-ramon-sampedro-levou-debate-sobre-eutanasia-dos-ecras-para-as-ruas/
 

Offline Pantufas

PS/Congresso: António Costa defende legalização da eutanásia como forma de “alargar a liberdade”


Foto: PAULO CUNHA

Batalha, Leiria, 25 mai (Lusa) – O secretário-geral do PS, António Costa, defendeu hoje que a aprovação da despenalização da eutanásia será mais uma forma de alargar a liberdade pela qual os socialistas lutaram desde a fundação do partido.

Fonte: https://www.lusa.pt/article/24244741/ps-congresso-ant%C3%B3nio-costa-defende-legaliza%C3%A7%C3%A3o-da-eutan%C3%A1sia-como-forma-de-alargar-a-liberdade
 

Offline 100nick

Eutanásia: O que une e separa um médico, uma advogada e um filósofo

Eutanásia: Deputados votam amanhã projetos para a despenalização


Projetos para despenalizar eutanásia votados amanhã. O DN foi ouvir José Manuel Jara, Paula Martinho da Silva e José Gil

Há o direito à vida, está consignado na Constituição. E o direito a uma morte digna? Está consignado na Constituição? Há quem diga que sim, há quem diga que não. O debate tem agitado a sociedade portuguesa nos últimos dois anos e sobretudo nos últimos dias.

Amanhã, os 230 deputados da nação vão ter de discutir e votar quatros projetos de lei sobre a despenalização da eutanásia, de PAN, BE, PS e PEV.

O DN foi ouvir um médico psiquiatra e militante do Partido Comunista, José Manuel Jara, que defende o direito à vida; um filósofo, José Gil, que defende o direito à morte em nome de uma vida que está para lá da que é meramente biológica; uma advogada, Paula Martinho da Silva, que diz: "No atual contexto não se deve correr riscos." Afinal, neste debate, o que os une e o que os separa...

    A eutanásia é um suicídio promovido pelo Estado

José Manuel Jara, Médico psiquiatra, militante do PCP

José Manuel Jara é contra a eutanásia



Fez 69 anos a 24 de maio, no dia em que o PCP confirmou que iria votar contra a despenalização da eutanásia. Militante desde as lides académicas, diz ter ficado satisfeito com a posição do partido e que, mais uma vez, se sente próximo da linha seguida pela direção. José Manuel Jara, médico psiquiatra reformado, licenciou-se em 1975, altura que foi fazer o serviço para a periferia, no Alandroal, Alentejo, quando ainda "era considerado Marrocos, não havia nada", diz.

Regressou a Lisboa em 1976 para assumir o lugar de deputado do PCP na primeira Assembleia Constituinte, em que esteve até 1979, para acompanhar, discutir e votar a lei do Serviço Nacional de Saúde. Depois, dedica-se à vida hospitalar. Atingiu o grau de chefe de serviço nos quadros do Hospital Júlio de Matos, em Lisboa, e conta que sempre teve "muita atividade profissional, absorveu-me muito, mas mantive-me sempre politicamente ativo".

Escreveu sobre ideologia e filosofia - O Maoismo em Portugal, uma crítica aos grupos de extrema-esquerda, e Farsa dos Pseudo-Radicais em Portugal, logo a seguir ao 25 de Abril -, chegaram a chamar-lhe estalinista, o que "nunca fui", diz. Hoje, faz parte do Conselho de Ética e de Deontologia da Ordem dos Médicos, foi membro do colégio da especialidade de psiquiatria, fundou a Associação dos Doentes Bipolares, em 1990, encetou a luta por uma maior comparticipação nos medicamentos para estes doentes, em 1999, e conseguiu.

Há dois anos, decidiu intervir no debate que começava a agitar a sociedade portuguesa, o da eutanásia. Escreveu textos, o primeiro em setembro de 2016, e acabou a fazer uma brochura em que fundamenta a sua opinião depois de uma análise profunda sobre tudo o que já foi dito e escrito até agora: pareceres, livros, textos publicados em órgãos de comunicação social, declarações públicas, etc. Documento que entregou no Hotel Vitória na semana passada, para o partido saber o que pensava, enviou-o também ao Presidente da República, a António Costa e aos líderes parlamentares.

Para começo de conversa, defende que há "uma visão muito unilateral sobre a eutanásia" e que não pode ser uma questão olhada pela vivência e sofrimento que cada um experiencia, tem de haver uma visão abrangente. E não "é sequer uma questão confessional ou não confessional", que distingue de imediato de qualquer relação com o debate sobre a interrupção voluntária da gravidez (IVG). "Não tive dúvida sobre a necessidade de uma lei que permitisse os casos de IVG que estão na lei. E não se pode pôr no mesmo patamar a necessidade de uma lei para o aborto e para a eutanásia." Isto porque "não se pode considerar que o início do desenvolvimento embrionário configura já uma pessoa na fase inicial. Por outro lado, o risco para a mulher do aborto clandestino resultava numa diferenciação assistencial entre quem podia e quem não podia. Era uma lei necessária contra o aborto clandestino". Sobre a eutanásia, a sua reserva surge de muitos parâmetros. "A eutanásia é um suicídio promovido pelo Estado, que não se pode comprometer a fazer isso, a promover a morte, por uma questão de princípio. Esse princípio está consagrado em muitos domínios na Constituição. Só uma grande retórica jurídica permitirá anular o que está nos artigos 24 e 25 da Constituição, que se consubstancia na interdição da violação do direito à vida. Não apenas a violação do direito à vida mas a violação do direito à integridade física e psíquica da pessoa." Sabe que esta posição é contrariada por alguns constitucionalistas, mas ainda não viu nenhuma argumentação sólida. "Li de fio a pavio o livro de Reis Novais, que é favor da eutanásia, e é retórica. Coloca a questão do ponto de vista da dignidade e da autonomia. E na Constituição não encontro nada que permita intuir que a eutanásia está no processo de desenvolvimento da pessoa." diz.

Além disso, "a eutanásia não é feita pelo próprio, é pelos outros. Logo aqui há uma questão de princípio que fere a Constituição". Há muitos a pensar assim e, havendo dúvidas sobre uma questão tão importante, "não faz sentido que as minimizem e que se opte por uma parte". defende o psiquiatra. "Não é de uma questão de opinião, é uma questão de demonstração cabal. O que tem havido é uma manta de retalhos de opiniões baseadas não numa demonstração lógica juridicamente fundamentada." Confessa que ser médico é a questão fulcral para si nesta matéria. "Falei da Constituição. Conheço as leis. E falo do regulamento da deontologia médica que proíbe a eutanásia, o suicídio assistido, a distanásia, etc. Tudo isto está consagrado. É claro que pode haver objeção de consciência, mas forçar uma questão destas colocando-a como uma questão de direito a ser morto é um excesso, uma exorbitância. Não consigo perceber porquê. Qual a necessidade social ou assistencial que há?", questiona.
Filomena Mónica, Balsemão, Mário Nogueira e Francisco George escrevem sobre a Eutanásia

Legislar não é uma prioridade

José Manuel Jara defende que legislar sobre a matéria não é uma prioridade nem uma necessidade social. Para ele, a sociedade portuguesa "não precisa disto", considerando que quem está numa situação terminal tem outros meios na medicina para morrer com dignidade. Diz que quem defende a questão coloca-a no plano ideológico, como se se tratasse de "um radicalismo pequeno-burguês". Porque a questão acaba por ser defendida como um ato de "individualismo, a pessoa quer ser senhora de tudo até ao fim, pontuar a sua vida com um extremismo existencial que, no fundo, é o suicídio. Há pessoas que querem marcar a hora da morte. Para isso não é preciso envolver uma lei da República". Diz que foi a luta contra o suicídio que o levou a meter-se neste debate. "Como psiquiatra valorizo muito a luta contra o suicídio. E que ao abrir uma comporta na legislação, mesmo só para situações extremas, é um risco."

Mais. "Se o Estado se compromete a fazer eutanásia, seja no suicídio assistido seja na morte direta por injeção letal, a pedido de outro, está a promover o suicídio", insiste. Situação que não consegue aceitar, pois olha para trás, e para todo o percurso democrático desde 1974, e o que regista é a dessacralização da sociedade. O que não foi fácil, pois, se por um lado a sociedade se "dessacralizou religiosamente, agora está a sacralizar-se legalmente", argumenta. O debate que tem existido e as posições assumidas assemelham-se mais a "uma espécie de sacralização do Estado de direito pelo direito à morte". E o direito à morte que alguns reivindicam não se pode comparar com o direito à vida. "São duas assimetrias. Como se pode defender o direito à morte se todos nós morremos? Não é preciso um direito para morrer. O que está a ser discutido é o direito a ser morto. Acaba por haver um certo capricho, uma extravagância que acho que não configura com a necessidade de uma lei da República ferindo tantas coisas, demasiadas."

Na mala traz uma série de livros sobre o tema, um deles, de um dos mestres da psiquiatria do século XX, Barahona Fernandes, um texto que elaborou em 1930, depois de ter estado na Alemanha, o que o faz sublinhar que a discussão sobre a eutanásia não é de vanguarda. Outros já a fizeram por cá e lá por fora, como no Reino Unido, desde 1935, na Alemanha, desde o início do século passado, em França, há mais de 20 anos, e nenhum deles chegou a uma legislação. "O direito é muito bonito, mas está provado que também serve as conveniências. Antes do 25 de Abril o direito defendia que os comunistas e outros democratas deveriam ser presos. Por isso a abertura de uma exceção é perigosa."

    Numa situação como a eutanásia não há recuos, não nos podemos arrepender

Quando confrontado com a tese de alguns bioéticos mais radicais que defendem a eutanásia como um ato médico, não tem dúvidas em afirmar: "Acho uma exorbitância, uma imposição. O ato médico está definido. Quando muito, a eutanásia é um processo de verificação médico-legal. Não é um ato em que se vai diagnosticar para tratar ou para minorar o sofrimento. É para matar. É um ato jurídico, tal como o que atesta se a pessoa está apta para testamentar ou não. É legítimo que a medicina rejeite isto." José Manuel Jara define-se como um indivíduo pluralista, que gosta de ler tudo o que os outros pensam. "Não me baseio na minha opinião, a minha opinião é o argumento em relação à opinião do outro. É dialogal." Mas não tem dúvidas de que a aprovar-se uma lei para a morte assistida será "uma lei tecnocrata". E o que a sociedade precisa é da criação de uma mentalidade diferente, de uma cultura solidária, em que se valoriza a pessoa até ao fim, com direito à comodidade, ao apoio da família, dos amigos, dos serviços... "Não se pode minimizar esta perspetiva. Avançar será como fazer um by pass. Isto é ultrapassar as insuficiências com uma atitude contrafóbica. É o atirar-se para a frente, sacralizando a eutanásia como um grande direito, o que é a perversão do Estado de direito. É o entronizar a morte".

Paula Martinho da Silva, Advogada, ex-presidente do CNECV

Paula Martinho da Silva diz não a uma legislação no contexto atual



Foi presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV), mas a sua formação vem do Direito, da advocacia, da letra da lei. E é nesse sentido que diz não ver "necessidade de se legislar, de se definir um timing como se fosse matéria urgente. Enquanto não estiverem esgotadas todas as outras possibilidades de assistir e cuidar, que poderão até ir muito mais ao encontro da verdadeira vontade da pessoa, não faz sentido falar em eutanásia". Paula Martinho da Silva, no seu escritório na Avenida da Liberdade, explica porque é que, para si, é diferente falar de aborto e de eutanásia: "Quando se discute o aborto há uma discussão prévia, se estamos perante um ser humano ou não, da conceção do que é pessoa ou não. Na eutanásia, no final da vida, essa questão já não se coloca. Partimos do princípio de que é um ser humano de quem estamos a falar. Por isso, é uma questão que nos toca a todos. É a morte, um tema transversal. Não me espanta que haja em cada partido divergências em relação à eutanásia. Ou por se considerar que não é oportuno legislar neste momento, ou por se entender que há uma colisão de princípios, por se considerar que o direito à vida e a inviolabilidade da vida humana é superior ao princípio da autonomia, que fundamenta o direito à morte. Por tudo isto não me surpreende."

Mas quanto ao sentimento sobre a eutanásia, a advogada, que acompanhou os debates feitos pelo CNECV em todo o país durante dois anos e que terminaram em dezembro passado, diz que se apercebeu de uma sociedade dividida. Não propriamente por se ser de esquerda ou de direita, católico ou não católico, mas por se tratar de uma questão de princípios. "Para mim tem dois pontos de discussão essenciais: a dos princípios, em que, por um lado, há o direito à vida, por outro, o da autonomia da vontade, e que se confrontam. Ou então que ambos permitem exceções..."

A advogada diz rever-se por completo no parecer do CNECV e uma das situações que defende é que o debate sobre a eutanásia está incompleto. "O dizer-se que a sociedade já discutiu tudo está longe de ser verdade. Há necessidade de que o debate continue, pois ainda existe muita confusão de conceitos, do que é o suicídio assistido, os cuidados paliativos, a sedação paliativa, obstinação terapêutica, etc. E não estamos perante uma questão nacional, é internacional. França é o país mais exemplar nesta matéria. Os debates sobre o final da vida vêm de há muitos anos, os partidos inscreveram a questão nos programas eleitorais, ao contrário do que aconteceu em Portugal, e mesmo assim após uma auscultação democrática dos cidadãos, que consideraram que afinal queriam esgotar todos os meios que já existiam para atenuar o sofrimento e que não estavam a ser implementados. E o Hollande não conseguiu legislar a eutanásia."

Desta forma, e pelo que se apercebeu dos debates do CNECV sobre o sentimento da população no sentido de não estarem esgotadas todas as possibilidades que existem ou que estão contempladas para acompanhar o final da vida, considera que ainda há muito a fazer e que "este tema não fica arrumado por se aprovar ou não uma lei", sublinhando que os países que já têm uma lei aprovada, como a Holanda e a Bélgica, continuam a debater. "Enquanto não forem esgotados todos os meios de fazer face ao final da vida, passar para um patamar superior, que é o da eutanásia, significa, para mim, que estamos a ultrapassar etapas, a passar por cima de outras alternativas que podem existir e que vão muito mais ao encontro da vontade das pessoas."

Sobre os quatro projetos que estão em cima da mesa, diz que todos eles são coincidentes nos requisitos em que se aceitaria a morte assistida, doença terminal, sofrimento intolerável, e "acho extremamente difícil conseguir obter de uma pessoa nessas condições um consentimento verdadeiramente livre, informado e expresso. Não estou a dizer que é impossível, mas é muito difícil".

Lei não pode ser para exceções

Recorda que num dos últimos debates a que assistiu no ano passado foi lançado o alerta para o facto de ser "extremamente difícil avaliar o consentimento informado. É muito perigoso. É um risco", dizia-se. Paula Martinho da Silva acredita que este alerta à sociedade seria no sentido de que "todas as decisões que tomarmos devem ser prudentes". Numa situação como a eutanásia, "não há recuos, não nos podemos arrepender. Tem de haver um reforçar da prudência relativamente à auscultação da verdadeira vontade da pessoa e das razões que podem levá-la a um pedido de eutanásia". No entanto, salvaguarda: "Até posso aceitar que em casos muitos específicos, em que a pessoa está autónoma, sem sofrimento físico, possa ter um desejo legítimo e atendível para morrer, mas é uma situação tão excecional. E a lei não pode existir para casos excecionais, a lei tem de ser o mais abrangente possível." E defende que a aposta a fazer "será a de se encontrar outras formas para fazer face a essas situações". Por isso, deixa vincado, "no contexto atual discordo das propostas de lei sobre a eutanásia e a sua prática". Diz mesmo: "Para mim, idealmente, não se deveria precisar de legislar. Se não existir lei, posso colocar uma ação em tribunal a pedir que se decida sobre determinada situação. O juiz não pode dizer: eu não decido porque não há lei. Se nada existir, o juiz tem de se colocar na posição do legislador e decidir casuisticamente."

    Mesmo que não seja agora, no futuro haverá despenalização



José Gil diz que no futuro haverá despenalização

Reinaldo Rodrigues- Global Imagens

Filósofo, professor universitário, subscritor do Movimento Morrer com Dignidade, José Gil diz que há quase sempre um lado pessoal que nos liga à eutanásia. Histórias de amigos, de amigos de amigos, de conhecidos... mas todas de pessoas que nos "surpreenderam porque se prepararam para a morte a ponto de a aceitarem". Em nome de todos estes aceita a eutanásia como "uma ideia de vida, de uma vida digna, como uma ideia de vida que surge da relação entre o indivíduo e a sociedade", e da qual derivam questões morais, existenciais e filosóficas.

O que está em causa é a despenalização do ato, mas, mais do que isso, "seria importante aceitar o direito à morte".A despenalização "abre um campo em que se afirma o direito a uma vida digna que, no meu entender, vai mais longe e mais profundamente do que o direito à autonomia do indivíduo". Ou seja, o direito a que cada indivíduo possa dispor da sua vida, de uma vida que vale a pena e que se respeita a si própria.

E questiona: "De onde vem a autoridade dos que querem a lei tradicional, que afirma não poder haver um ato médico que siga o direito de dar ao indivíduo uma morte digna?" E argumenta: "Em primeiro lugar, o juramento de Hipócrates já sofreu várias modificações e porquê? Tem de se perguntar. Em segundo, o juramento de Hipócrates está em correspondência com uma certa ideia do bem, do que é uma vida, uma vida boa para o cidadão e para o homem." Ora, "essa noção de vida modifica-se completamente quando dizemos que o doente em estado terminal tem o direito a não morrer como um cão?"

Há assim tanta diferença entre a eutanásia e o que já está consignado na lei atual, no testamento vital? "Acho que não", diz. "No testamento vital há já uma espécie de conivência que é pedida ao médico e à instituição para deixar morrer. Recusar o encarniçamento terapêutico é, no fundo, deixar morrer. E para isso já se recorre ao serviço médico e institucional, que tem por dever ajudar a viver. Portanto, já estamos no caminho para a eutanásia", argumenta, sublinhando que, com o testamento vital, o que a sociedade está a fazer é "mascarar" o ato em si da morte assistida. "No testamento vital há uma espécie de ato passivo que permite a morte, na eutanásia há um ato ativo. Qual é a diferença?"

Para José Gil, que agora já não dá aulas a estudantes universitários e portanto tem pena de não saber o que pensam as novas gerações, a resistência de uma certa sociedade portuguesa à ideia da eutanásia tem que ver com a relação do próprio povo com a morte, mas "um povo enquanto católico e cristão. Não é enquanto povo em geral", sublinha, porque a "entidade de povo puro não existe. Ou, se existe, é preciso discutir". A ideia de resistência, de não deixar o médico ajudar numa morte que se pede, significa que se aceita o sofrimento. Ou que se deve aceitar o sofrimento segundo um modelo que é o da paixão de Cristo. "Foi Deus que nos deu a vida, é Deus que a pode retirar. Não nós."

Resistência tem a ver com religião

No fundo, é para não se desviar da imitação de Cristo que se resiste, que não se aceita. Mas não o entende e critica aquilo que define como "coisa de assanhado" e que tem sido próprio de alguns dos mestres que se têm manifestado contra. "Acho esquisito que não sejam soltos a falar, que não sejam livres. Em geral, essas pessoas são dogmáticas e assanhadas, mas porquê? O que é que as faz ser tão encarniçadas contra os que defendem a eutanásia?"

Mas quando afirma que toda esta recusa da eutanásia se ancora numa certa religião não está a dizer que não haja outros princípios, outras razões para a recusa. Há, com certeza, mas "gostava de saber quais. Quem defende a eutanásia, defende uma vida que tem um valor para lá da vida biológica, que tem um valor espiritual em si, e que vem da própria vida, do facto de ser criadora, criadora de cultura, de civilização. Não é da transcendência que vem o valor eterno da vida, é da imanência da vida, do valor da vida, de uma profunda espiritualidade quando, em geral, só vê espiritualidade ligada à transcendência. O que é um erro enorme para mim."

Mesmo que a lei seja aprovada há que continuar o debate. "Há muito que fazer", diz o professor. Admite também ser possível que a maioria do nosso povo responda "sim à não despenalização da eutanásia". E isto porquê? "Porque está sob um peso e uma pressão de séculos de uma religião que vai no sentido dos valores fundamentais da vida." Só que tal não pode permitir que "não haja uma evolução da visão do povo".

José Gil acredita que se se trouxer a questão dos princípios para o debate público muitos desse mesmo povo começarão a mudar o pensamento. Até aqui, o debate não tem sido público. E não o é porque fundamenta, "não se fala do sofrimento que quotidianamente milhares e milhares de pessoas passam. Não se fala do sofrimento, das queixas, dos gritos... se estes começarem a ecoar no espaço público será um escândalo insuportável e começará a mudar as consciências". Se assim for, "pensar-se-á muito diferentemente do que se pensa agora sobre a eutanásia, estou absolutamente certo".

Há muito que se luta contra os tabus, mas ainda há tabu para falar do sofrimento, um tabu que é justificado com a ideia do pudor. O que, para o filósofo, mais não é do que antes aconteceu com "o aborto, quando o tabu o cobriu e não se falava, como o tabu que cobriu anos e anos a violência doméstica. Quebrar esse tabu é dizer publicamente a milhares de pessoas que sofrem injustamente e que poderiam não sofrer que isso vai modificar-se". "A eutanásia, no meu entender, é uma maneira de permitir que o indivíduo se possa resgatar da sua solidão e reapropriar-se da sua vida. Porque é que isto não é aceitável? Porque é que não é aceitável que uma pessoa queira morrer dignamente e não absolutamente estilhaçada, alienada pelo sofrimento? Isto é dignificar a vida."

Pensador autor de várias obras, insiste: "O que é uma vida? Não é só uma vida biológica. É tudo o que acresce e que se junta à vida biológica. Tudo o que vem da própria vida e não de uma entidade transcendente. É um valor espiritual. Sei que isso pode ser difícil de ver, mas uma vez que se vê... é fácil."

Há quem diga que a sociedade ainda não tem maturidade para aceitar a eutanásia. Se calhar não tem, mas "isso não significa que o povo é estúpido e que não possa compreender uma lei. Tanto mais que as condições da morte, hoje, são cada vez mais terríveis. Morre-se solitário, separado da comunidade, da família. Tem-se vergonha de morrer". Sabe dos perigos que uma lei pode trazer, das derivas oportunistas que podem aparecer, mas tudo isso "é compatível com uma lei". O debate que se fez já foi um alerta, sobretudo para os que defendem "a eutanásia como forma de dar um sentido à vida".O que se segue se a lei não for aprovada não sabe do ponto de vista jurídico, mas "socialmente é importante que o debate não desapareça, que não morra, que não nos recentremos numa espécie de mudez. O facto de se falar e de se debater publicamente é absolutamente necessário para a próxima vez que se apresentar uma lei... se não for agora, será no futuro. A minha convicção, e isto é um ato de fé mas não só, é de que no futuro, não só em Portugal mas noutros países, haverá despenalização da eutanásia."


Fonte: DN

     
 


 

 



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