As doenças respiratórias matam mais no frio. Que cuidados devemos ter?
Nuno Noronha // Saúde e Medicina // António Carvalheira Santos, Médico
As doenças do aparelho respiratório têm uma elevada prevalência durante o tempo frio, representando, no seu conjunto, a terceira principal causa de morte no mundo. Em Portugal são responsáveis por cerca de 19% dos óbitos e a principal causa de internamento. Um artigo do médico António Carvalheira Santos.
Estima-se que, em 2020 no mundo, as doenças respiratórias sejam responsáveis por cerca de 12 milhões de mortes anuais.
As doenças respiratórias são mais prevalentes no sexo masculino, no entanto com as alterações marcadas nos hábitos tabágicos no sexo feminino, estas diferenças tendem a esbater-se. Por outro lado, as doenças respiratórias são mais prevalentes nas faixas etárias mais elevadas, havendo uma maior esperança de vida na mulher, a diferença de prevalência entre os sexos tende a diminuir.
O frio é um irritante brônquico e por isso há aumento da produção de muco pelas glândulas mucosas do aparelho respiratório, quer muco nasal, quer brônquico.
O muco tem na sua composição química mucopolissacáridos, que tem uma estrutura em rede composta por proteínas e glúcidos (açúcares). Este muco tem como finalidade a fixação dos irritantes que invadem o aparelho respiratório para serem expulsos. Acontece que os vírus e as bactérias também ficam retidos no muco e, devido à sua composição – proteínas, glúcidos (açúcares) – e à temperatura do organismo, estão criadas as condições para a sua multiplicação e desenvolvimento das doenças infecciosas respiratórias virais e bacterianas.
Em Portugal os dados de incidência e prevalência de pneumonias são bastante preocupantes. Há mais de 150.000 casos por ano e são causa de 40.000 internamentos e mais de 400.000 dias de internamento. A pneumonia é mais frequente nos grupos etários mais elevados. Em 2013, 77,9% dos internamentos por pneumonia ocorreu em pessoas com mais de 65 anos.
Muitos dos óbitos hospitalares por pneumonia ocorrem nas primeiras horas ou dias após a chegada ao hospital. Este facto sugere atrasos no diagnóstico e na referenciação.
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De notar que os idosos muitas vezes apresentam sintomas gerais, como alteração do comportamento, letargia, sonolência, o que não leva a pensar nesta doença. Neste grupo etário, muitas vezes, as queixas respiratórias podem ser escassas e podem não apresentar febre.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), a Asma brônquica, as Neoplasias pulmonares, as Fibroses pulmonares, as Bronquiectasias e a Fibrose quística são as doenças respiratórias crónicas mais conhecidas. No entanto, outras há que são também relevantes, como as Embolias pulmonares, a Hipertensão pulmonar de várias causas, o Síndroma de apneia obstrutiva do sono (SAOS), as Doenças neuromusculares e as Doenças deformativas da parede torácica que são causas de insuficiência respiratória e implicam muitas vezes a necessidade de prescrição de oxigénio e mesmo de ventilação mecânica para que os doentes tenham uma boa qualidade de vida.
Todas estas doenças crónicas são agravadas e progridem após agudizações com as infecções respiratórias, quer virais, quer bacterianas.
Existem grandes deficiências no diagnóstico e no acompanhamento dos doentes respiratórios crónicos com prejuízo da qualidade de vida desses doentes, antes de mais pelo deficit de avaliação funcional, através da espirometria e/ou mecânica ventilatória.
Sapo.pt