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Autor Tópico: Cientistas portugueses conseguem descodificar mecanismo presente na anemia falci  (Lida 446 vezes)

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Cientistas portugueses conseguem descodificar mecanismo presente na anemia falciforme que confere proteção contra a malária. Um avanço essencial para o desenvolvimento de novas terapêuticas para a malária. 




 Foi em meados do século XX que E. A. Beep, médico do exército colonial Britânico na Rodésia, observou pela primeira vez que indivíduos portadores de glóbulos vermelhos em forma de foice apresentavam uma incidência de malária reduzida, quando comparados com indivíduos com glóbulos vermelhos normais.

Uma condição que viria a ficar conhecida como anemia falciforme e que terá sido identificada como a primeira doença genética por Linus Pauling, cientista norte-americano vencedor de dois prémios Nobel, que descreveu que a doença era provocada por uma mutação no gene que codifica a hemoglobina, a proteína responsável pelo transporte de oxigénio nos glóbulos vermelhos.

Com base nos resultados de Linus Pauling, investigações posteriores conseguiram determinar que a mutação que está na origem da anemia falciforme é mais comum do que se pensava em populações que vivem em zonas endémicas da malária, como em África, revelando que entre 10% a 40% da população possui esta mutação.

Evidências científicas que têm aumentado o interesse dos investigadores em todo o mundo sobre o mecanismo que está presente em indivíduos com anemia falciforme que confere proteção contra a malária, uma doença que mata anualmente 1 milhão de pessoas na África Tropical.

Um grupo de cientistas portugueses do Instituto Gulbenkian Ciência (IGC), liderado por Miguel Soares, dedicou-se a desvendar este enigma, que uma vez descodificado poderia vir a ser essencial para o combate da malária.

Os cientistas portugueses anunciam agora que conseguiram descodificar o mecanismo em ratinhos de laboratório e apresentam os resultados na edição de 29 de Abril, da revista científica Cell.

Ana Ferreira, investigadora do IGC e primeira autora do estudo, deu os primeiros passos na investigação ao demonstrar que ratinhos geneticamente modificados (para produzirem uma cópia de hemoglobina falciforme) não desenvolveram malária cerebral.

Posteriormente, a investigadora conseguiu demonstrar que a hemoglobina falciforme, de certa forma, tornava os hospedeiros tolerantes ao parasita da malária, ao descobrir que este tipo de hemoglobina confere um efeito protetor sem que por isso afete a capacidade do parasita infetar o hospedeiro.

Mas a investigadora avançou ainda mais e conseguiu determinar que o mecanismo molecular que justifica o efeito protetor da hemoglobina falciforme é mediado pela enzima heme oxigenase-1, cujo grupo de cientistas do IGC já havia demonstrado que produz o gás monóxido de carbono que protege contra a malária cerebral.

Mas a hemoglobina falciforme tem outra relação com a enzima heme oxigenase-1, já que a primeira induz a produção da segunda, o que levou a cientista a concluir que o gás de monóxido de carbono produzido pela enzima heme oxigenase-1, cuja produção é induzida por este tipo de hemoglobina, impede que o parasita Plasmodium (que está na origem da malária) cause a reação que leva à morte do hospedeiro.

Um processo que não interfere com o ciclo de vida do parasita, contrariando o que vários estudos sugeriam ao defender que a hemoglobina falciforme dificultaria a infeção dos glóbulos vermelhos por parte do parasita.

Após a obtenção destes resultados, os cientistas portugueses colocam a hipótese de o mecanismo agora identificado estar subjacente a outras doenças genéticas que afetam os glóbulos vermelhos e que conferem proteção contra a malária.

«Devido ao seu efeito protetor contra a malária, a mutação causadora da anemia falciforme terá sido selecionada naturalmente na África tropical onde a malária é historicamente uma das principais causas de mortalidade. Da mesma forma, outras mutações genéticas, clinicamente silenciosas, poderão ter sido selecionadas ao longo da evolução, por conferirem proteção contra a infeção pelo Plasmodium», explica Miguel Soares, líder do grupo de investigação do IGC, citado em comunicado da instituição.

 
 tvCiencia
 

 



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