Vamos tirar o fôlego à fibrose pulmonar? Nem toda a falta de ar é asma, Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) ou Covid-19. Há que estar atento a sintomas incapacitantes e procurar ajuda, pois só com o diagnóstico de fibrose pulmonar é possível tratar atempadamente. Como forma de alertar para esta doença, a Respira e a Sociedade Portuguesa de Pneumologia, com o apoio da Boehringer Ingelheim, lançaram a campanha “Fibrose Pulmonar: quando ela aparece, o ar desaparece” durante o mês de Setembro.
7 de Setembro de 2021, 0:00
Fonte imagem: Getty ImagesA fibrose pulmonar manifesta-se através de sintomas que podem facilmente confundir-se com os de outras doenças. Este termo é habitualmente associado à doença mais emblemática que é a Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI), que resulta de uma cicatrização anómala em resposta a uma agressão ao epitélio pulmonar, criando uma barreira que dificulta uma parte essencial da nossa respiração, que é a passagem de oxigénio do pulmão para a circulação sanguínea. Adicionalmente, existem outras doenças fibróticas que resultam “de um processo de inflamação persistente e que conduzem no final à fibrose, sendo esta sempre um processo de alteração estrutural do pulmão com diminuição irreversível da capacidade respiratória”, explica António Morais, presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.
As causas são, na maior parte das vezes, desconhecidas, acrescenta o também pneumologista do Centro Hospital Universitário de São João. “Podem existir situações em que a fibrose pode constituir “a fase final de uma inflamação persistente que traduz uma agressão permanente ao pulmão e que, no fundo, é uma cicatriz aberrante”. Este conceito de fibrose “nada tem que ver com a fibrose sequelar que resulta de processos inflamatórios mais extensos em quadros de infecção grave, como é o caso da tuberculose pulmonar”, acrescenta.
" Como já existe uma incapacidade respiratória, é importante que as pessoas mantenham alguma actividade para promover alguma capacidade muscular e autonomiaAntónio Morais, médico pneumologista A FPI, enquanto forma mais grave, é uma doença rara e difusa que atinge ambos os pulmões de pessoas em idade mais avançada, sobretudo homens a partir dos 60 anos. “Este processo fisiopatológico pode persistir e levar à sua progressão, conduzindo a insuficiência respiratória e à morte. É uma doença que não tem cura, mas existe tratamento”, acrescenta António Morais.
Acesso ao diagnósticoUm dos grandes desafios passa então pelo diagnóstico atempado. Como forma de consciencializar a sociedade, a SPP e a Respira lançam a campanha “Fibrose Pulmonar: quando ela aparece, o ar desaparece”, com o apoio da Boehringer Ingelheim e que assinala o Dia Mundial de Sensibilização para a Fibrose Pulmonar Idiopática celebrado a 7 de Setembro. Uma forma de alertar as pessoas para os sinais que o corpo dá e para uma doença ainda desconhecida e subdiagnosticada.
Cansaço, falta de ar e tosse persistente constituem alguma sintomatologia frequente em várias doenças respiratórias, o que pode levar à desvalorização por parte dos doentes e ao maior desafio de diagnóstico precoce. Isabel Saraiva, presidente da Respira considera que “esta é uma doença que pode passar despercebida porque as próprias pessoas não referem os sintomas e as suas queixas quando vão às suas consultas”.
Veja um pequeno vídeo no link da noticia oficialBrightcove
Pese embora a inespecificidade dos sintomas “na generalidade, estes doentes têm alterações na auscultação pulmonar, nomeadamente, crepitações respiratórias nas bases pulmonares o que poderá alertar o médico para esta doença’. Perante um indivíduo com incapacidade para esforço, nomeadamente após terem sido descartadas as causas mais frequentes, o médico deve prescrever uma TAC torácica porque, muitas vezes, as alterações mais precoces só são passíveis de ser observadas através deste exame, já que um Raio-X de tórax não tem a resolução suficiente para tal”, defende António Morais.
"Esta é uma doença que pode passar despercebida porque as próprias pessoas não referem os sintomas e as suas queixas quando vão às suas consultasIsabel Saraiva, Presidente da Respira Isabel Saraiva alerta ainda para os atrasos que têm resultado desta pandemia. “Vivemos duas suspensões de cuidados de saúde, no espaço de seis meses, e todos os serviços foram afectados. Temos ainda hoje uma questão relacionada com os cuidados de saúde primários que se deve ao facto de muitos médicos estarem a trabalhar em resposta à Covid e não nos centros de saúde”, alerta a presidente da Respira indicando, ainda, que “todas as doenças respiratórias, sem excepção, foram afectadas pela pandemia”. E, para a Respira, cada doente afectado é importante “e os problemas de acesso já existiam antes da pandemia seja no que respeita às consultas de cessação tabágica ou à reabilitação respiratória”.
Tratar e melhorar a qualidade de vidaQuanto mais cedo for diagnosticada a FPI, maior a possibilidade de o doente beneficiar da terapêutica existente. “Existem fármacos anti-fibróticos utilizados há alguns anos que vão permitir atrasar a progressão da doença”, explica António Morais. “Ao serem acompanhados em consultas específicas – consultas de doenças pulmonares intersticiais ou doenças pulmonares difusas –, os doentes são orientados ao longo do tempo porque a medicação prescrita é crónica”, defende António Morais.
Manter uma vida activa onde podem ser integradas caminhadas e a reabilitação respiratória são conselhos que o médico pneumologista sugere, tendo em conta, claro, a extensão da doença. “Como já existe uma incapacidade promovida pelo pulmão, é importante que as pessoas mantenham alguma actividade para promover alguma capacidade muscular e autonomia.”
Quer saber mais sobre fibrose pulmonar? Aceda a
www.vivercomfibrosepulmonar.comFonte: publico.pt Link:
https://www.publico.pt/2021/09/07/estudiop/noticia/vamos-tirar-folego-fibrose-pulmonar-1975458