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Autor Tópico: Está mais fácil tratar aneurismas  (Lida 424 vezes)

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Está mais fácil tratar aneurismas
« em: 27/01/2019, 22:03 »
 
Está mais fácil tratar aneurismas

26.01.2019 às 18h00


 
O dispositivo inovador permite tratar doenças da aorta torácica, grupo patológico ao qual pertencem os aneurismas

RICARDO CASTELO/ NFACTOS

O Expresso esteve no bloco operatório da primeira cirurgia em Portugal com aplicação de um novo modelo de endoprótese, efetuada esta quinta-feira no Centro Hospitalar Universitário do Porto
ANDRÉ MANUEL CORREIA
texto

Os ponteiros do relógio marcam as oito da manhã. António Maia está sentado na cama, já com a bata vestida. A mulher, Rosa da Silva Moreira, terá de esperar, num frenesim angustiante, uma hora em que os minutos parecem arrastar-se lentamente para voltar a ver o marido que, durante grande parte da vida, trabalhou na construção civil. Pintava casas, mas o quadro clínico tingiu-se de cinzento aos 69 anos, quando as paredes da aorta ameaçaram ceder. Através de um diagnóstico ocasional, os médicos conseguiram identificar, atempadamente, uma úlcera penetrante.

A patologia integra um leque de doenças da aorta endovascular torácica, no qual se destacam os aneurismas, lesão que pode levar à morte e afetar, aproximadamente, seis em cada 100 mil pessoas, sobretudo homens, fumadores, com mais de 65 anos.

António cumpre todos os requisitos. Fumava um maço e meio - 30 cigarros - todos os dias, mas há três meses que deixou o vício. “Não quero mais tabaco na minha vida”, assegura ao Expresso. Bem-disposto, mas com um sorriso tímido, está prestes a entrar para o bloco operatório do Centro Hospitalar Universitário do Porto.

Santos da casa não fazem milagres, mas a saúde deste paciente está ao cuidado dos profissionais do Santo António. “Espero que tudo corra bem, caramba! Estou ansioso”, confessa o doente. Totalmente relaxados, antes da operação, estão os cirurgiões Rui Machado e Rui Almeida, sentados numa poltrona, enquanto diagnosticam o jogo da Taça da Liga em que dois Sportings se enfrentaram, o de Portugal e o de Braga. “Acho que para o Porto é melhor o Sporting, porque o Braga é uma equipa mais acutilante”, vatacina Rui Machado.

Enquanto a equipa médica vai aquecendo para a intervenção cirúrgica, com uma duração estimada de uma hora, Rui Machado, o timoneiro que há 18 anos trata casos de doenças da aorta, assintomáticas e de difícil rastreio, assevera que “a taxa de eficácia é de quase 100%”.


RICARDO CASTELO/ NFACTOS

O especialista, de 54 anos, explica que o novo modelo da endoprótese Valiant Navion, que será libertada na aorta de António Maia, “tem a vantagem de possuir um menor diâmetro”, menos 20% do que os dispositivos anteriormente utilizados. “Há doentes que não conseguimos tratar pelo facto de os cateteres não passarem. Esta prótese, com um diâmetro inferior, vai facilitar a colocação”, frisa o médico e professor.

“É HORA DAS MALDADES”
O caminho cirúrgico até chegar ao tórax é tão sinuoso, como necessário, no caso de António Maia, já deitado no bloco operatório, depois ter sido transportado numa cadeira de rodas. “É hora das maldades”, avisa, entre risos, uma das enfermeiras.


RICARDO CASTELO/ NFACTOS

É o momento de ir à faca e tudo começa com uma incisão na virilha. “Temos de entrar pelas artérias femorais, passando pelas artérias ilíacas, até chegar ao ponto da lesão na aorta”, indica Rui Machado. Ali será colocada a endoprótese, evitando assim a progressão da dilatação e consequente rutura. “A aorta é o vaso mais importante do organismo, por ser aquele que sai do coração. Se houver uma rutura, a pessoa pode morrer exsanguinada”, adverte o responsável clínico.

Não há, no entanto, motivos para alarme. “Temos, neste caso, um doente com uma úlcera da aorta torácica que tem uma parede constituída por três camadas. Quando há uma rutura da camada interna, denominada íntima ou média, gera-se uma úlcera”, explica Rui Machado, liderando uma equipa de três cirurgiões, à qual se juntam os anestesistas, os enfermeiros e os técnicos de radiologia que integram o serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular do Centro Hospitalar do Porto.


RICARDO CASTELO/ NFACTOS

“Esta técnica pode ser feita até com anestesia local”, salienta o clínico que, no final, da intervenção, garante que “o resultado foi excelente”, adiantando que António Maia terá alta médica dentro de 24 ou 48 horas. “Correu tudo como estava previsto”, começa por dizer Rui Machado. “Fizemos uma abordagem cirúrgica da artéria femoral esquerda e a prótese comportou-se lindamente. Tínhamos uma artéria ilíaca externa muito estreita, com 5,5mm, mas a prótese passou sem qualquer fricção”, prossegue o timoneiro desta operação com recurso a uma aplicação. “Foi fácil a libertação da prótese. Fizemos o controlo e estava tudo bem”, remata o cirurgião.


Fonte: Expresso
 

 



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