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Autor Tópico: Hiperatividade e défice de atenção: O nosso cérebro não pára, há um ruído gigante aqui dentro. É in  (Lida 1665 vezes)

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Online Sininho

 
Hiperatividade e défice de atenção: “O nosso cérebro não pára, há um ruído gigante aqui dentro. É insuportável”

Depois de vários anos a sentir que algo não estava bem, mas sem perceber ao certo o que era, Ana Isabel Paiva recebeu aos 40 anos o diagnóstico de Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA).

O problema acompanhava-a desde criança - ou não se tratasse a PHDA de uma condição do neurodesenvolvimento que está presente desde a infância -, mas foi passando despercebido. “Tinha um excelente desempenho na escola, apesar de não conseguir prestar atenção ao que os professores diziam, e não perturbava ninguém. A minha família era muito estruturada e contribuiu de forma decisiva para o meu percurso escolar.” Durante a faculdade, porém, os sintomas tornaram-se mais evidentes.

“Não conseguia aprender à mesma velocidade do que as outras pessoas. Tinha de me esforçar muito mais. E isso deixava-me muito frustrada." A situação não melhorou quando começou a trabalhar e entrou na vida adulta. Muito pelo contrário. E Ana Isabel Paiva foi-se sentindo cada vez mais diferente dos que a rodeavam, como explica no mais recente episódio do podcast de saúde mental “Que Voz é Esta?”.

“As outras pessoas conseguem ter um pensamento do início ao fim sem serem abalroadas por outros 50 que não têm nada a ver com o pensamento inicial. Ninguém se põe a fazer 12 tarefas em simultâneo para, no final, não concretizar nenhuma. O nosso cérebro não pára. Há um ruído gigante aqui dentro. É insuportável.”

Quando está a trabalhar, e mesmo noutras circunstâncias, tem dificuldade em gerir o tempo. “Eu tenho zero perceção do tempo. Cinco minutos ou cinco horas são exatamente a mesma coisa para mim. Não consigo ter noção de quanto tempo vai demorar cada tarefa. Também aconteceu muitas vezes estar a conduzir e chegar ao destino sem me lembrar do caminho que fiz, ou estar a conduzir e perceber que não sabia há quanto tempo não estava a olhar para a estrada", diz Ana Isabel Paiva, que vive em Palmela e trabalha numa empresa na área da qualidade alimentar.

Na “maior parte dos casos”, a PHDA mantém-se na vida adulta, explica Bernardo Barahona Corrêa, médico e investigador da unidade de neuropsiquiatria da Fundação Champalimaud, em Lisboa. Manifesta-se por um “conjunto de estilos cognitivos e de características de comportamento cujo elemento central é a dificuldade em manter a atenção concentrada numa tarefa - sobretudo se essa tarefa for monótona ou longa -, a dificuldade em inibir elementos distratores que vêm dispersar a atenção que deveria estar focada nessa tarefa, a dificuldade em controlar alguns impulsos, em adiar a gratificação, em gerir o tempo, em organizar recursos.”

Estes sintomas manifestam-se sobretudo quando as crianças iniciam o seu percurso escolar, mas são “transversais” a todos os contextos de vida. Também podem surgir “entre os dois e os três anos” de idade, sublinha, por sua vez, Cristina Martins Halpern, neuropediatra na consulta de desenvolvimento do CADIN - Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil - e no serviço de neurologia infantil do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa. "Nessas idades, pode haver o que se chama perturbação de irrequietude. Estamos a falar de bebés que são muito ativos e agitados, e que exigem uma supervisão constante. Há um impacto funcional no próprio bebé e na família."

Crianças com PHDA não tratada apresentam “muitos problemas ao nível do percurso escolar e das interações sociais, o que mais tarde gera problemas de ansiedade e baixa autoestima, que, por sua vez, criam um campo fértil para outros problemas na vida adulta", avisa Bernardo Barahona Corrêa. Entre esses problemas estão a depressão, a perturbação de ansiedade e o abuso de substâncias - "consumidas muitas vezes numa tentativa de autorregulação das emoções” - mas também o desemprego, a instabilidade laboral, o divórcio.

É importante, por isso, garantir que é feito um diagnóstico precoce, mas isso nem sempre acontece. Antes de perceber que tinha PHDA e iniciar o tratamento, Ana Isabel Paiva recebeu outros dois diagnósticos: depressão e perturbação bipolar. “Tive muitas dificuldades em encontrar especialistas em neurodiversidade. Senti-me muito perdida. Qualquer pessoa com PHDA que chegue à idade adulta sem um diagnóstico correto é uma pessoa extremamente resiliente, mas completamente exausta."

Bernardo Barahona Corrêa admite que há fragilidades na área do diagnóstico. “Uma parte dos psiquiatras de adultos tem pouca ou nenhuma formação em perturbações do neurodesenvolvimento. Como tal, acabam evidentemente por estar pouco disponíveis para contemplarem uma possibilidade de diagnóstico desse género.”

O tratamento da PHDA na infância baseia-se em intervenções que visam o comportamento e no desenvolvimento de estratégias com a criança, a família e as escolas, no sentido de garantir uma "melhor adaptação", diz Cristina Martins Halpern. Se for necessário, são prescritos fármacos.

Ana Isabel Paiva faz medicação hoje em dia para a PHDA. Embora sinta alguns efeitos adversos, garante que os benefícios são claramente superiores. "Sinto um alívio indescritível. O silêncio, a serenidade... A medicação não faz milagres, mas torna tudo mais suportável. Posso dizer que a minha vida começou aos 40 anos."

“Que voz é esta?” é um novo podcast do Expresso dedicado à saúde mental. Todas as semanas, as jornalistas Joana Pereira Bastos e Helena Bento vão dar voz a quem vive com ansiedade, depressão, fobia ou outros problemas de saúde mental, e ouvir os mais reputados especialistas nestas áreas. Sem estigma nem rodeios, vão falar de doenças e sintomas, tratamentos e terapias, mas também de prevenção e das melhores estratégias para promover o bem-estar psicológico. O podcast conta com o apoio científico de José Miguel Caldas de Almeida, psiquiatra e ex-coordenador nacional para a saúde mental.

Fonte: Expresso por indicação de Livresco
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Online Nandito

 
Hiperatividade e défice de atenção: “Deixar de lutar contra o cérebro e passar a lutar com o cérebro”

MadreMedia
20 jun 2025 21:32



MadreMedia

Há cada vez menos vergonha de falar de perturbação de hiperatividade e défice de atenção (PHDA). Quando sabemos quem somos deixamos de “lutar contra o cérebro” e passamos “a lutar com o cérebro”. Para isso, o diagnóstico é “tudo”, e o tratamento pode tornar benigna uma doença que ainda assusta muita gente.

Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt

O podcast “Top of Mind” juntou no passado dia 12 de junho, no Porto, Micaela Guardiano, médica pediatra do neurodesenvolvimento, e Inês Homem de Melo, médica psiquiatra, numa conversa moderada por Margarida Santos, médica de medicina geral e familiar.

A iniciativa, fruto de uma parceria entre a Bial e a Câmara Municipal do Porto (CMP), teve lugar no âmbito do Programa Municipal de Promoção de Literacia em Saúde, cuja ambição é “capacitar as pessoas para a gestão da sua saúde”, refere Catarina Araújo, Vereadora da Saúde e Qualidade de Vida da CMP.

“Queremos com este programa habilitar as pessoas a tomar decisões informadas, conscientes, que promovam hábitos de vida mais saudáveis”, refere a vereadora, salientando que ao longo dos últimos dois anos foram promovidas mais de 300 atividades — entre workshops, oficinas e conferências —, impactando cerca de 21 mil pessoas.

Desta vez, no Palacete dos Viscondes de Balsemão, a sessão foi dedicada à PHDA, uma perturbação que domina muitas das conversas, sobretudo entre pais e educadores, tanto nas escolas, como nas redes sociais e gabinetes médicos.


“Temos cada vez menos vergonha de falar de PHDA, muito graças ao esforço conjunto de iniciativas como esta, de literacia, e de associações de pessoas com PHDA que se esforçam por ter uma narrativa mais integrada sobre as partes menos boas, mas também sobre as partes mais solares relacionadas com esta coisa de ser neurodivergente”, nota Inês Homem de Melo.

Para a médica psiquiatra, é fundamental “saber-se o que se é, como se funciona. Em vez de a pessoa andar uma vida a lutar contra o seu cérebro, passa a lutar com o seu cérebro”, refere. Para isso, o diagnóstico “é tudo”, porque permite “largar aquele esforço hercúleo de tentar fazer sempre igual aos outros, e ser como os outros”.

Quando um pai ou uma mãe recebe um diagnóstico de PHDA em relação a um filho, “é muito importante trabalhar na literacia”, salienta a médica pediatra Micaela Guardiano.

“É importante dar uma informação de qualidade, até porque em relação à PHDA há muito ruído de fundo, há muita má informação. É preciso desmistificar uma data de conceitos sociais que se vão enraizando, tentar destruir um bocadinho aquela ideia da culpabilização da família por alguns comportamentos que a criança e ou o adolescente podem exibir, e explicar a origem neurobiológica da perturbação”, enumera

Se é certo que a PHDA “não é benigna na sua essência, ou seja, deve ser e valorizada em termos de sintomatologia”, também é certo que com tratamento — que não se resume a medicação, havendo várias intervenções possíveis —, pode “ser benigna se bem orientada ao longo da vida”.


Fonte de imagem: 24noticias.sapo.pt

Esta iniciativa contou com o apoio da Sociedade Portuguesa de Défice de Atenção (SPDA) e da Brainstorm – Associação Portuguesa de PHDA, e a conversa ao vivo dará origem a um episódio especial do podcast "Top of Mind", que poderá ouvir na íntegra no 24notícias.

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O Top of Mind é um podcast da BIAL, produzido pela MadreMedia e apresentado por Margarida Santos, onde o conhecimento tem a palavra, e onde a ciência e a medicina inspiram e transformam. Pode ouvir os restantes episódios aqui.







Fonte: 24noticias.sapo.pt                      Link: https://24noticias.sapo.pt/atualidade/artigos/hiperatividade-e-defice-de-atencao-deixar-de-lutar-contra-o-cerebro-e-passar-a-lutar-com-o-cerebro?utm_source=SAPO_HP&utm_medium=web&utm_campaign=destaques
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