PCP: suspensão da revisão de preços de fármacos «viola a lei»
O PCP considera a suspensão por dois anos da revisão dos preços dos medicamentos, anunciada hoje pelo Governo, da "maior gravidade" e que "viola a lei" que determina uma revisão anual dos valores cobrados pelos fármacos.
"Penso que é uma medida da maior gravidade e que, neste momento, tomar esta decisão significa violar a lei, porque a lei exige que haja uma revisão anual dos preços tendo em conta os preços de referência dos quatro países da Europa que servem de referência à formação dos preços", afirmou hoje o deputado Bernardino Soares em declarações à Lusa.
O deputado acrescentou que, se assim não acontecer, "a indústria farmacêutica pode sempre pôr preços mais altos e contornar os mecanismos de formação dos preços da lei".
O Governo suspendeu por dois anos a revisão dos preços dos medicamentos, medida através da qual espera poupar já este ano mais 100 milhões de euros, sem prejuízo para os utentes, mas também sem qualquer benefício para estes.
A medida foi anunciada hoje pela ministra da Saúde, Ana Jorge, em conferência de imprensa, depois de há cerca de duas semanas o secretário de Estado da Saúde ter garantido que o preço dos medicamentos ia baixar já em abril.
O PCP vai pedir para aceder ao acordo completo, "com todas as suas cláusulas", porque, afirmou Bernardino Soares, "muitas vezes há, para além daquilo que foi anunciado publicamente, um conjunto de cedências aos interesses da indústria farmacêutica bastante substantivas".
Bernardino Soares lembra que, "se não vai haver baixa de preços e se há o compromisso e promessa de manter o mesmo nível de despesas que está previsto, só pode ser pela diminuição do acesso aos medicamentos da população, pelo aumento dos custos". "Não estamos a ver outra forma de o fazer", sublinhou.
O deputado comunista lembrou ainda que "nunca foi feito um balanço deste tipo de mecanismos de ressarcimento que quase sempre estiveram nesses protocolos, que na prática nunca funcionaram e que nunca foram prestadas contas sobre eles", e que por isso, "era bom que o Governo disponibilizasse o balanço dos protocolos anteriores com a indústria farmacêutica".
Diário Digital / Lusa