Estudo inédito sobre o impacto social da doença [float=left]

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Psoríase afecta auto-estima e relações interpessoais
•Cerca de 70 por cento dos doentes de psoríase considera que a doença afecta negativamente a sua auto-estima
•58 por cento assume que o aspecto da pele prejudica o relacionamento com os outros
•60 por cento dos inquiridos teve a primeira manifestação da doença antes dos 30 anos
A maioria dos doentes que sofrem de psoríase deixa-se afectar pela doença, alterando a forma como se relaciona com os outros e evitando situações de maior intimidade e/ou convívio social. São estas as principais conclusões de um estudo divulgado hoje, em Lisboa, pela PSOPortugal – Associação Portuguesa da Psoríase, num evento que assinalou o 6.º aniversário da associação.
Cerca de 70 por cento, dos 405 doentes inquiridos, assumiu que a doença afecta negativamente a sua auto-estima. Para 45 por cento dos doentes a psoríase afecta também a imagem que os outros têm de si, o que, consequentemente, prejudica a forma como se relacionam com terceiros (58%). Mais de um terço dos doentes (37%) afirma que já evitou participar em ocasiões sociais devido à doença.
De acordo com Vitor Baião, presidente da PSOPortugal, a associação que defende e dá voz aos doentes de psoríase em Portugal, este estudo assume particular relevância pois, “permite, pela primeira vez, fazer uma caracterização sociodemográfica abrangente dos doentes de psoríase e medir o impacto psicológico da doença”. E adianta: “Os resultados vêm confirmar a necessidade de continuarmos a sensibilizar a sociedade para o facto de a psoríase não ser contagiosa. Há ainda muitos doentes que são vítimas de discriminação nas relações profissionais e pessoais, e é imprescindível lutar contra o preconceito”.
Realizado pela primeira vez em Portugal, o estudo teve como objectivo medir o impacto social da psoríase. Estima-se que existam 250 mil portugueses a sofrer desta doença auto-imune, não contagiosa, e crónica, que pode surgir em qualquer idade.
Impacto psicológico versus sexo
Quando questionados sobre o impacto psicológico, os homens apresentam percepções de impacto mais negativas relativamente à capacidade de fazer amigos e ao tratamento diferente. Já as mulheres indicam sentir-se mais afectadas pelo preconceito em idades mais jovens.
Produtividade laboral
Um terço dos doentes (31%) reconhece que em certas alturas a psoríase afecta a sua produtividade no trabalho, sendo que 17,6 por cento considera que a psoríase afectou negativamente o desempenho na carreira, relativamente ao que seria esperado.
Estado da psoríase
Relativamente ao estado da doença, a quase maioria dos inquiridos descreve-o como moderado (45%), com 62 por cento dos doentes a indicar que este se encontra estável ou a melhorar. Aproximadamente metade dos doentes apresenta queixas de dor ou rigidez articular, sendo estas mais frequentes nas mulheres, nos doentes com psoríase grave e instável, ou a piorar.
Apoio clínico
A satisfação global relativamente ao apoio clínico é boa (43,9%), mas diminui significativamente com o aumento da gravidade e da instabilidade da doença. Em geral, os homens indicam conversar mais com os profissionais de saúde (61,6%) do que as mulheres (54,8%).
Dos 405 doentes inquiridos, a maioria pertence ao sexo masculino, sendo a idade média dos homens significativamente mais elevada que a das mulheres. A grande maioria dos doentes está empregada a tempo inteiro (54,9%) ou reformada (19%). Em 66 por cento dos casos a primeira manifestação da doença ocorreu antes dos 30 anos.
Sobre a Psoríase
A psoríase é uma doença auto-imune que se manifesta no nosso maior órgão – a pele, não sendo contagiosa é crónica e pode surgir em qualquer idade. O seu aspecto, extensão, evolução e gravidade são variáveis, caracterizando-se pelo aparecimento de lesões vermelhas, espessas e descamativas, que afectam sobretudo os cotovelos, joelhos, região lombar, couro cabeludo e unhas. Cerca de 10 por cento dos doentes acabam por desenvolver artrite psoriática. Esta doença afecta mais de 250 mil pessoas em Portugal e cerca de 125 milhões em todo o mundo.
Fonte:LPM Comunicações