Liftech

Rehapoint
Autopedico

Invacare
TotalMobility

Anuncie Aqui

Autor Tópico: Há deficientes retirados à família por serem alvo de maus-tratos  (Lida 412 vezes)

0 Membros e 1 Visitante estão a ver este tópico.

Offline viper

 
A Associação de Pais e Amigos das Crianças Deficientes do Arquipélago dos Açores, criada há 35 anos, vai homenagear os seus fundadores na sexta-feira. Hoje a sociedade tem um olhar menos reprovador sobre os portadores de deficiência, mas Manuela Pereira acredita que hoje estamos melhor do que há três décadas atrás. A instituição acolhe 32 deficientes, dos quais alguns estão internados porque foram retirados à família a mando do Tribunal por serem alvo de maus-tratos e outros por decisão dos IAS com medida preventiva...

A Associação de Pais e Amigos das Crianças Deficientes do Arquipélago dos Açores, no âmbito da comemoração dos seus 35 anos de existência - aniversário da assinatura dos Estatutos em 1976 - vai prestar uma homenagem aos seus fundadores, num total de dez, dos quais seis serão homenageados após a morte. A cerimónia terá lugar sexta-feira, pelas 18 horas, com o descerrar de uma placa com o nome dos fundadores, na sede, no caminho da Levada, contando com a presença da Secretaria Regional da Solidariedade e Segurança Social, Ana Paula Marques, da Directora Regional da Segurança Social, Paula Ramos, da Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Berta Cabral, e outras individualidades da ilha, bem como familiares dos homenageados e dos utentes.
Em entrevista ao nosso jornal, a Presidente da Associação de Pais e Amigos das Crianças Deficientes do Arquipélago dos Açores, Manuela Pereira, que exerce o cargo em regime de voluntariado, dá nota de que o exercício da presidência desta instituição tem sido exercido desde o seu início por pessoas que estão muito ligadas, em termos familiares, à instituição, que é a dos Açores aquela que tem a seu cuidado os deficientes mais profundos - acamados e em cadeira de rodas. Alguns deles "apenas esboçam um sorriso" e não têm qualquer mobilidade, precisando de cuidados continuados, "Nenhum deles era capaz de ficar a viver sozinho numa casa", desabafa Manuela Pereira, para acrescentar: "temos muitos que estão acamados, outros são tetraplégicos e outros são paraplégicos". O que traz grandes preocupações às famílias por pensarem de qual "vai ser o futuro do meu filho, do meu familiar. Essa é a maior preocupação, por isso na nossa instituição há uma residência em que há regime de internamento. Já temos doze em regime permanente e temos quatro vaga para apoiar sempre que haja necessidade, que serve para quando os pais pecisam de apoio. Essa residência pelo facto de existir tranquiliza os pais dos utentes porque sabem que os seus filhos gostam de lá estar e são bem tratados. Dai que olhem o futuro com maior tranquilidade".
Para além disso, a Associação tem uma outra residência onde foram acolhidos os deficientes que foram retirados às famílias a mando do Tribunal. Nesta casa, a maioria dos pais não aparecem lá. E o Instituto de Acção Social por medidas preventivas entregou-nos as crianças deficientes, num total de oito. Temos ainda outros em que os pais nos são entregues porque os pais já são idosos, mas estes vão ao fim-de-semana a casa, que são também num total de oito".
A Presidente da Instituição revela ainda que estão a trabalhar para abrir mais uma residência para mais oito crianças deficientes, mas aguarda ainda por um protocolo de financiamento, bem como lembra que o edifício sede que existe há dez anos precisa de obras de manutenção. Para sobreviver, uma vez que falamos de uma instituição particular de solidariedade social, a presidente é peremptória em afirmar que só sobrevivem porque têm o apoio do Estado. "As nossas receitas próprias são as mensalidades dos utentes, que são baseadas nas pensões, valores transferido pelo Instituto de Acção Social".

Falta pessoal médico e de enfermagem

De entre outras necessidades, a nossa entrevistada destaca a necessidade de haver na Associação mais pessoal de enfermagem, porque o único enfermeiro que dispõem, não cobre as necessidades que há à noite e ao fim-de-semana. Um assunto que já foi levado a quem de direito e que agora a associação aguarda parecer positivo, bem como necessita de um médico para atender os doentes que costumam ser seguidos no hospital de Ponta Delgada, mas como têm dificuldades de mobilidade torna-se difícil.
Manuela Pereira é de opinião de que quem tem um familiar dficiente acaba por ter uma sensibilidade diferente dos que os que não têm contacto com deficientes. "Esta é a nossa mais-valia, porque lidamos desde o início com a deficiência, principalmente os irmãos. Eu tinha três anos com o meu irmão nasceu, e, portanto, desde que conheço sempre tive em casa um deficiente, o que me permite estar alerta para todas as necessidades que os deficientes têm. Nesse aspecto, não tendo a disponibilidade de me dedicar à instituição a tempo inteiro, porque tenho a minha profissão, faço-o no pós-laboral, mas a associação tem um conjunto de técnicos que trata da gestão, sempre apoiada com a direcção. E como já referi a nossa mais-valia é saber o que os deficientes precisam e conhecermos a realidade. Para além disso, sabemos o que se passa porque também os irmãos foram criados nesta instituição, porque a maioria das crianças que entraram - alguns já faleceram - mas não é rotativo. Não saem de lá, a não ser pela morte, embora hoje em dia a longevidade de um deficiente seja idêntica aos de uma pessoa dita normal".

Valores da aceitação da deficiência ainda por concretizar

A presidente é de opinião de que hoje a sociedade tem uma percepção e aceitação da deficiência para melhor. Desde há 35 anos a esta parte "houve uma evolução muito grande. Antes os deficientes ficavam um pouco escondidos na casa das pessoas. Eles ficavam fechados em casa porque a família tinha vergonha de os mostrar à sociedade. Hoje em dia há uma maior abertura, não digo completa, mas já são aceites como pessoa que têm características próprias. Mas para além disso, a Presidente da instituição refere ser evidente que uma família que tem um deficiente continua a ter muitas dificuldades, uma vez que nem em todos os sítios um deficiente profundo pode ir como é o caso de um restaurante onde não podem estar a fazer muito barulho. Tem é de haver aceitação por parte das outras pessoas em relação a quem tem diferença.
Estamos ou não preparados para aceitar a diferença? Manuela Pereira acredita que "a sociedade está melhor preparada do que já esteve, mas ao mesmo tempo regista que "temos uma sociedade elitista, isto é, tem os valores de que sabe de que deve aceitar a diferenç mas no dia-a-dia não são os valores principais que predominam, mesmo no que diz respeito às questões económicas. Embora deva dizer que o balanço é positivo quando comparado com décadas atrás".
Para instituições do género, que vivem com apoio do Governo, Manuela Pereira acredita que "vão continuar a existir. Nem sequer colocar a hipótese de que vão fechar porque, infelizmente, deficientes sempre vão existir e têm de ser tratados. Em termos de financiamento, não é prioritário, mas entendo que deve ser sempre o Estado a garantir, tal como garante apoio aqueles que podem ir às escolas públicas. o cidadão deficiente tem de ter apoio, é uma responsabilidade da sociedade porque ninguém escolhe ter um filho ou um familiar deficiente", regista.
A terminar, Manuela Pereira diz que a associação também vive do voluntariado. Portanto, quem puder ajudar a tornar a melhorar vida dos utentes da instituição "são sempre bem-vindos, principalmente agora que o verão se aproxima é sempre preciso apoio para os transportar nem que seja para o jardim de casa" para que possam apanhar sol e desfrutar dos sons da natureza.



Fonte:Correio dos Açores
 

 



Anuncie Connosco Anuncie Connosco Anuncie Connosco Anuncie Connosco Anuncie Connosco


  •   Política de Privacidade   •   Regras   •   Fale Connosco   •  
     
Voltar ao topo