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Autor Tópico: Relatório da OCDE Portugueses são dos que mais pagam despesas de saúde  (Lida 326 vezes)

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Offline Claram

 
Portugueses são dos que mais pagam despesas de saúde


Na Irlanda, actualmente está-se a fazer redução de profissionais de saúde (Foto: Nelson Garrido)

Um pouco por toda a Europa, os governos estão a cortar nas despesas com a saúde e em 2010, ao contrário do que era tendência desde 2000, o crescimento dos gastos no sector foi nulo ou muito baixo.

Portugal não foi excepção, tendo-se passado de um ritmo de crescimento de 2,3% para 0,6%. Mas em plena crise, os portugueses continuam a ser dos que mais pagam directamente do seu bolso despesas com saúde: 26% face aos 20,1% da média dos 34 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que divulgou esta quinta-feira o seu relatório sobre saúde de 2012.

Apesar dos cortes, Portugal continua a ser dos países que maior percentagem gasta do seu Produto Interno Bruto (PIB) em saúde, 10,7% em 2010, face a 9,5% da média da OCDE (no ano anterior tinha sido de 9,6%). Mas se os números forem vistos à lupa, ou seja, quanto é alocado neste sector por habitante, a média é bastante inferior à dos países da OCDE: os gastos em saúde per capita são de 2196 euros, enquanto na média dos países chega aos 2631 euros. Nos EUA, por exemplo, é de 6629 euros.

Os EUA são, de longe, o país que mais gasta em saúde, alocando-lhe 17,6% do seu PIB, seguido de vários países europeus, como é o caso da Holanda (12%), França e Alemanha (11,6%).

Abrandamento

Os gastos com saúde em Portugal aumentaram uma média de 2,3% entre 2000 e 2009, mas este crescimento desacelerou para 0,6% em 2010. Outros países da OCDE também sentiram este abrandamento, na sequência da recessão e da necessidade de consolidação fiscal. Mas o sector público continua a ser a principal fonte de financiamentos dos países da OCDE, a excepção são os EUA, Chile e México. Em Portugal, 65,8% dos gastos com saúde vêm de financiamento público em 2010, ainda assim um valor abaixo da média da OCDE que é de 72,2%.

O relatório da OCDE dá conta dos efeitos da crise nos investimentos com saúde, notando que, em vários países da OCDE, muito particularmente na Europa, houve cortes no sector, contrariando a tendência de aumento rápido dos gastos nesta área. Se de 2000 a 2009 o ritmo de crescimento foi de cerca de 5%, em 2010 foi nulo ou muito baixo. Os cortes dos últimos tempos começaram verdadeiramente a sentir-se em 2010, principalmente nos países europeus mais afectados pela recessão: na Irlanda os cortes levaram a um crescimento da despesa anual de 7,6%, comparado com os 8,4% de 2000 a 2009; na Grécia, as estimativas apontam para cortes de gastos com saúde de 6,5% em 2010, depois de um crescimento anual de 6% desde o início do novo milénio.

As reduções foram obtidas através de uma série de medidas. Na Irlanda cortaram-se salários e honorários pagos a profissionais e empresas farmacêuticas, e actualmente está-se a fazer redução de profissionais de saúde. A Estónia fez cortes em custos administrativos no Ministério da Saúde e também reduziu os preços de serviços de saúde reembolsados pelo Estado. O uso de medicamentos genéricos foi outra das apostas em vários países.

Outras medidas tiveram como consequência um maior contributo dos pagamentos directos feitos pelos cidadãos em saúde, foi o caso da Irlanda, com o aumento dos custos com medicamentos e dispositivos medidos, enquanto na República Checa os cidadãos passaram a ter de pagar mais para ir ao hospital, à semelhança do que aconteceu em Portugal com a subida das taxas moderadoras.

Tal como já vinha sendo assinalado em relatórios semelhantes, de anos anteriores, os portugueses estão entre os que mais pagam pela sua saúde com dinheiro do seu bolso: 26% das despesas são arcadas pelos próprios, face à média de 20,1% da OCDE. Piores do que os portugueses só mesmo os húngaros (26,2%), os israelitas (27,1%), os chilenos (33,3%) e, no topo da escala, os gregos, com 38,4% das despesas custeadas pelos próprios.

Fonte: Publico
 

 



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