Segunda fase do desconfinamento em Portugal decide-se esta semana. Saiba o que está em cima da mesaPor Simone Silva 06:45, 29 Mar 2021
Começou mais um semana mas esta será de especial importância para Portugal, uma vez que na quinta-feira o Governo vai reunir-se para avaliar a situação pandémica atual e, mediante isso, decidir as novas medidas que vão reger a segunda parte do plano de desconfinamento, a partir do próximo dia 5 de abril.
A ministra da presidência, Mariana Vieira da Silva, anunciou na passada sexta-feira que até dia 5 de abril se mantêm as mesmas regras no âmbito do Estado de Emergência. Só no dia 1 do mesmo mês será avaliado o desconfinamento e apresentadas novas medidas.
«Apesar de continuarmos na zona verde na matriz, isso não significa que estejamos livres de fazer todas as coisas, nem que todas as atividades estão abertas, pelo contrário. Significa que o Governo tem condições para prosseguir o desconfinamento a conta-gotas que anunciámos», disse no final do Conselho de Ministros.
Por esse motivo, adiantou, «o Governo decidiu prorrogar o atual decreto até 5 de abril e decidir apenas quais são as regras a partir de 5 de abril, no próximo dia 1 de abril, quinta-feira», altura em que «vamos decidir com dados mais atuais e mais próximos da realidade».
«As regras com as quais conviveremos até dia 5 de abril são portanto exatamente as mesmas com que vivemos hoje, incluindo obviamente o prolongamento da proibição de circulação para fora do concelho», bem como o funcionamento de atividades, a limitação de ajuntamentos e o dever de recolhimento, entre outras, revelou.
Recorde o plano do Governo para os próximos passos (avaliado quinta-feira)
Depois de a 15 de março terem reaberto as creches, pré-escolar, 1.º Ciclo e ATLs para as mesmas idades, mas também o comércio ao postigo, cabeleireiros, manicures e similares; livrarias, comércio automóvel e mediação imobiliária e bibliotecas e arquivos, se tudo correr como previsto, a 5 de abril inicia-se uma nova fase de desconfinamento.
Assim, segundo o plano do Governo, que será avaliado quinta-feira, neste dia devem reabrir as escolas do 2.º e 3.º ciclos e ATLs para as mesmas idades. Para além disso, reabrem também equipamentos sociais na área da deficiência, museus, monumentos, palácios, galerias de arte e similares, lojas até 200 metros quadrados com porta para a rua, feiras e mercados não alimentares (por decisão municipal) e esplanadas (máximo quatro pessoas).
Está ainda previsto que seja retomadas a 5 de abril todas as modalidades desportivas de baixo risco, bem como a atividade física ao ar livre até 4 pessoas e ginásios sem aulas de grupo, no entanto, tudo depende da avaliação que o Executivo fizer esta semana, podendo, se necessário, efetuar-se alterações.
Foram ainda decididas outras duas datas para as restantes fases do plano: 19 de abril e 3 de maio. Na primeira espera-se que sejam retomadas as aulas presenciais do ensino secundário e superior e que reabram cinemas, teatros, auditórios, salas de espetáculos, bem como lojas do Cidadão com atendimento presencial por marcação, todas as lojas e centros comerciais e ainda restaurantes, cafés e pastelarias (máximo quatro pessoas ou seis em esplanadas), até às 22h ou 13h ao fim-de-semana e feriados.
Ainda neste dia está previsto que sejam retomadas todas as modalidades desportivas de médio risco, as atividades físicas ao ar livre até 6 pessoas e ginásios sem aulas de grupo, os eventos exteriores com diminuição de lotação e também os casamentos batizados com 25% de lotação.
Por último a 3 de maio, será a vez de reabrirem os restaurantes, cafés e pastelarias (máximo de seis pessoas ou 10 em esplanadas) sem limite de horário, todas as modalidades desportivas, a atividade física ao ar livre e ginásios, grandes eventos exteriores e eventos interiores com diminuição de lotação e casamentos e batizados com 50% de lotação.
Em que se situação epidemiológica se encontra Portugal atualmente?
A Direção Geral da Saúde (DGS) atualizou na sexta-feira a matriz de risco, na qual se vê que Portugal continua no verde, o que significa que pode prosseguir com o desconfinamento, uma vez que cumpre os critérios definidos pelo Governo (Rt abaixo de 1 e menos de 120 novos casos por 100 mil habitantes).

No entanto, pode não ser por muito tempo, visto que ao longo da última semana o Rt tem vindo a registar uma tendência crescente, fixando-se na sexta-feira (data da última atualização) em 0,93, um valor que foi subindo de 0,89 na segunda-feira, para 0,91 na quarta-feira e agora para 0,93.
Apesar disso o outro indicador decisivo para prosseguir ou não com o desconfinamento, a incidência (número de casos por 100 mil habitantes), é agora de 75,7 em Portugal é de 66,8 apenas no Continente, o que significa que está dentro dos padrões exigidos.
Também a nível regional já se verifica uma subida do Rt, que segundo o último relatório do Instituto Nacional Ricardo Jorge (INSA), se encontra já acima de 1 em quatro regiões portuguesas, um aumento face à semana passada em que era apenas uma.
«Todas as regiões do país apresentam a média do índice de transmissibilidade (5 dias) abaixo de 1, exceto as regiões do Alentejo, Algarve, Região Autónoma dos Açores e Região Autónoma da Madeira», pode ler-se no relatório, que calculou valores do Rt para todas as regiões do país.
Assim, segundo o organismo, o índice em questão é agora de 0,95 na região Norte, 0,85 na região Centro, 0,89 em Lisboa e Vale do Tejo, 1,02 no Alentejo, 1,19 no Algarve, 1,04 na região autónoma dos Açores e 1,05 na região autónoma da Madeira.
Estes números representam uma subida em todas estas regiões, face à semana passada, altura em que apenas os Açores registavam um Rt acima de 1. Ao arquipélago juntam-se agora os vizinhos da Madeira, bem como o Alentejo e o Algarve.[/size]
Fonte: Expresso