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Autor Tópico: Síndrome de Congestão Pélvica: uma doença comum em jovens mulheres, mas pouco diagnosticada  (Lida 520 vezes)

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Síndrome de Congestão Pélvica: uma doença comum em jovens mulheres, mas pouco diagnosticada

A síndrome de Congestão Venosa Pélvica (SCP) consiste numa doença multifatorial de etiologia mal definida, que afeta unicamente mulheres, manifestando-se principalmente nas que têm entre 20 e 50 anos (antes da menopausa) e já passaram por múltiplas gravidezes, sendo este o maior fator de risco (multiparidade).



Apesar de não serem ainda completamente conhecidas as causas para esta doença, nesta estão envolvidos, de forma isolada ou associada, alguns problemas:

- Disfunção valvular das veias pélvicas;
- Síndrome de Nutt-Cracker (a veia renal esquerda é comprimida entre a aorta e a coluna ou entre a artéria mesentérica superior e a aorta);
- Síndrome de May-Thurner (a veia ilíaca comum esquerda é comprimida pela artéria ilíaca comum direita);
- Alterações hormonais (fragilizam a parede venosa).

Os sintomas e a importância do diagnóstico

A SCP tem como sintomas mais comuns a dor pélvica, sacro-ilíaca, perineal ou ainda na dor na raiz da coxa que se arrasta há mais de seis meses. Além disto, esta doença caracteriza-se ainda pela dispareunia (dor quando a doente tem relações sexuais) e pela existência de um desconforto vaginal após a relação sexual. Esta queixas podem ainda agravar-se quando a doente passa um longo período de tempo em pé, o que pode interferir no bem-estar pessoal e relacional da mulher, levando inclusive a estados de ansiedade e depressão.

Quando são detetados os sintomas descritos anteriormente, é crucial a realização de um diagnóstico. Este implica sempre a exclusão de outras doenças, como a endometriose, a adenomiose, a miomatose uterina, a doença urológica, a doença oncológica retal, a existência de aderências intraperitoneais e a doença neurológica relacionada com a coluna lombar. Excluídas as outras doenças, a Síndrome de Congestão Pélvica pode confirmar-se através da realização de uma ecografia transvaginal pélvica e de uma tomografia computorizada ou ressonância magnética.

Contudo, a parte mais importante para o seu diagnóstico é o conhecimento desta doença por parte das mulheres e da comunidade médica.

O tratamento

Após ser realizado o diagnóstico, deve iniciar-se o tratamento através da utilização de analgésicos, venotrópicos (fortalecem as veias e facilitam a circulação venosa) e derivados da progesterona (para suprimir a função ovárica).

Quando este tipo de tratamento falha, realiza-se então o tratamento endovascular (cirurgia endovascular) com embolização das veias ováricas e/ou ilíacas internas e das varizes pélvicas através da implantação de dispositivos (coils) e/ou da injeção de agentes esclerosantes. Este tratamento é realizado sob anestesia local, com ou sem sedação, e em regime ambulatório ou com internamento de 24 horas. É um método minimamente invasivo, uma vez que é feito través de cateteres, tendo uma taxa de sucesso que varia entre os 80 a 90% e um risco de complicações muito baixo.

Perante as queixas descritas acima, não hesite! Fale com o seu Médico de Família ou com o seu Ginecologista para que estes a referenciem para um Cirurgião Vascular. O atraso no diagnóstico e no tratamento está associado a piores resultados e pode ter consequências graves para o seu bem-estar.

Um artigo do médico Rui Machado, Chefe de Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular e Professor Associado de Cirurgia ICBAS/UP.

Fonte: lifestyle.sapo.pt    Link: https://lifestyle.sapo.pt/saude/saude-e-medicina/artigos/sindrome-de-congestao-pelvica-uma-doenca-comum-em-jovens-mulheres-mas-pouco-diagnosticada
"A justiça é o freio da humanidade."
 
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