400 mil portugueses sofrem de depressão. Doença é muitas vezes escondida e em casos limite pode levar à morteNuno de Noronha
4 out 2022 08:00
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Em Portugal, as perturbações mentais e do comportamento mantêm um peso significativo no total de anos de vida saudável perdidos e representam 20,55% do total de anos vividos com incapacidade, segundo dados da Direção-geral da Saúde (DGS). Hoje é o Dia Europeu da Depressão.
400 mil portugueses sofrem de depressão. Doença é muitas vezes escondida e em casos limite pode levar à morte

A depressão afeta pessoas de todas as idades e não escolhe classes sociais, género ou regiões geográficas. Provoca angústia e tem impacto na capacidade de as pessoas realizarem até mesmo tarefas diárias mais simples, com consequências às vezes devastadoras para o relacionamento com a família e amigos e a capacidade de ganhar a vida.
"É difícil assumir a doença para o próprio, é difícil assumir perante a família, mais difícil o é perante a sociedade, em especial a entidade empregadora e os próprios colegas de trabalho, que muitas vezes acabam por segregar quem está ou já esteve deprimido", frisa a médica Liliana Paixão, especialista em Psiquiatria.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 300 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de depressão, uma doença que limita severamente a capacidade de levar uma vida diária normal, mas cuja gravidade é muitas vezes subestimada ou confundida com depressão temporária. No limite, a doença pode levar mesmo ao suicídio.
Principal causa de suicídio
Segundo dados da OMS, a depressão é, de facto, a causa que mais contribui para as mortes por suicídio, que chegam a 800 mil por ano em todo o mundo. "A depressão mata. A depressão não tratada pode levar à negligência dos próprios cuidados, como por exemplo de higiene e de alimentação, ao ponto de a vida ficar em risco. Pode levar à negligência dos cuidados de dependentes, como por exemplo os filhos, cujo crescimento ficará afetado a todos os níveis pela doença de um dos pais (ou dos dois)", alerta a psiquiatra.

Proporção de utentes com registo de perturbações depressivas, demência e perturbações da ansiedade entre os doentes inscritos em Cuidados de Saúde Primários em Portugal Continental créditos: Direção-Geral da Saúde
Em Portugal, as perturbações mentais e do comportamento mantêm um peso significativo no total de anos de vida saudável perdidos e representam 20,55% do total de anos vividos com incapacidade (mais do que as doenças respiratórias ou a diabetes), segundo números da Direção-geral da Saúde (DGS).
"O grande risco é não se procurar o tratamento adequado e, não raras as vezes, o profissional adequado para o efeito. O culto do natural e nada de químicos e a ideia retrógrada e pouco informada de que o psiquiatra é para loucos fazem muitas (demasiadas) vezes a própria pessoa ou os mais próximos, na tentativa genuína de ajudar, procurarem tratamentos alternativos", adverte a especialista.
"Na depressão é o médico psiquiatra aquele que deve ser consultado. O trabalho articulado com o psicólogo é uma mais-valia, sendo a conjugação dos tratamentos psicofarmacológico e psicoterapêutico o mais adequado e que mais beneficia o doente em grande parte das vezes", assevera a especialista.
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