Casa dos Horrores. "A cada porta, cheiro parecia queimar-nos as narinas"Intervenção e Resgate Animal (IRA) revela como decorreu a ação naquela que ficou conhecida como a Casa dos Horrores de Bucelas.
© Shutterstock31/05/21 08:42 ‧ HÁ 1 HORA POR NOTÍCIAS AO MINUTO
PAÍS RESGATE ANIMAL"Era uma denúncia para um canídeo aparentemente mal nutrido". Foi assim que começou a triste história da 'Casa dos Horrores de Bucelas', onde cães foram deixados e abandonados - tendo apenas um conseguido sobreviver. Nas redes sociais, o Intervenção e Resgate Animal (IRA) revela como decorreu a ação neste cenário de dor e maus-tratos.
Começa por explicar o IRA, numa publicação colocada no Facebook este domingo, que o cão em más condições de saúde se via "da janela de vizinhos", mas que os donos
"não estavam em casa desde dezembro". Mas a "situação de abandono" do que se pensava, inicialmente, ser 'apenas' um cão, depressa se tornou num cenário terrível.
"Esta situação de abandono leva à mobilização de dois elementos para averiguar o estado do animal e recolher mais informações", prosseguiu o IRA, mas,
"vinte minutos, depois ficámos a conhecer a casa do Fábio Branco, aquela que seria conhecida em todo o país pela Casa dos Horrores de Bucelas".
"O cheiro, o amontoado de dejetos, a perceção do sofrimento diário de cada um daqueles, tudo nos começava a entrar, invadindo e atormentando o nosso corpo!", descreve a Intervenção e Resgate Animal.
Ao descobrir que se tratava de uma situação de maus-tratos a animais de companhia "com um cadáver no local", foi contactada a veterinária municipal de Loures: "Mal sabíamos que a procissão ainda estava no adro!
O cheiro forte na sala, junto do cadáver, estranhamento era igualmente forte junto às escadas na outra ponta da casa".
"E, em menos de nada, começa a descoberta da verdadeira dimensão da tragédia.
A cada porta que abríamos, o cheiro parecia queimar-nos as narinas e ardia-nos os olhos, mesmo com as máscaras. Ouviam-se vómitos, ouviam-se frases incrédulas, ouviam-se palavrões. 'Está aqui mais um'", relata o IRA acerca do que se viveu na 'Casa dos Horrores'.
O grupo, frisando o facto de uma cadela ter sobrevivido "apesar de todo o sofrimento e dor", levantou algumas questões sobre o caso:
"Ninguém ouviu nada antes? Ninguém se apercebeu de algo? Só sentiram o cheiro agora?"E deixou ainda um relato de dor e de impotência perante tal cenário. "Os corpos eram identificamos, recolhidos para dentro de sacos pretos e levados para a carrinha do canil.
Nem as pulgas espalhadas pela nossa roupa nos afetavam, tal era a dormência no nosso raciocínio. A nós restava-nos observar as autoridades a fazerem o seu trabalho".
Quanto à sobrevivente, foi "recolhida para a carrinha do canil a fim de ser submetida à avaliação da veterinária municipal". Levámos-lhe uma taça com água, que bebia como se não houvesse amanhã.
Esta foi uma bofetada psicológica bastante dura, fazendo-nos colocar em causa a nossa capacidade emocional para lidar com estas situações", termina a mensagem.
De lembrar que, em resposta ao
Notícias ao Minuto, a Guarda Nacional Republicana (GNR), que tomou conta da ocorrência, disse ser conhecida a identidade do proprietário da casa. Foi elaborado um auto de notícia por maus-tratos a animais de companhia, que foi remetido para o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Loures.
Fonte imagem: facebook.com/intervencaoresgateanimalEra uma denúncia para um canídeo aparentemente mal nutrido.
Via-se da janela de vizinhos mas os donos não estavam em casa desde Dezembro.
Esta situação de abandono leva à mobilização de 2 elementos para averiguar o estado do animal e recolher mais informações.
O telefonema demorou 15 segundos:
“É o fim da linha! É melhor vires para aqui”
20 minutos depois ficámos a conhecer a casa do Fábio Branco, aquela que seria conhecida em todo o país pela Casa dos Horrores de Bucelas.
O cheiro, o amontoado de dejectos, a percepção do sofrimento diário de cada um daqueles, tudo nos começava a entrar, invadindo e atormentando o nosso corpo!
“Chama a GNR, diz que há aqui uma situação de maus-tratos a animais de companhia com um cadáver no local”
Imediatamente ligámos para a Veterinaria municipal de Loures, Dra. Vanessa Grima, a relatar a situação e a pedir apoio.
Mal sabíamos que a procissão ainda estava no adro!
O cheiro forte na sala, junto do cadáver, estranhamento era igualmente forte junto às escadas na outra ponta da casa.
“Não lhe parece mais forte aqui do que no corredor?” Perguntávamos a um dos militares da GNR
Chega uma equipa do CROAL para a recolha do cadáver e da cadela sobrevivente.
E em menos de nada começa a descoberta da verdadeira dimensão da tragédia.
A cada porta que abríamos, o cheiro parecia queimar-nos as narinas e ardia-nos os olhos, mesmo com as máscaras.
Ouviam-se vómitos, ouviam-se frases incrédulas, ouviam-se palavrões.
“Está aqui mais um!!”
Era uma frase que se repetia demasiadas vezes.
Era uma moradia nova, numa zona silenciosa, com boa vizinhança. Alguma vez na vida imaginaríamos o que se estava a passar naquele lugar?
Ninguém ouviu nada antes? Ninguém se apercebeu de algo? Só sentiram o cheiro agora?
Todos tínhamos as mesmas dúvidas, mas já era tarde. Tarde para as 7 vidas que se perderam!
Só restava uma pobre alma, ao menos uma!
Ao menos algum patudo, apesar de todo o sofrimento e dor, sobrevivera!
Os corpos eram identificamos, recolhidos para dentro de sacos pretos e levados para a carrinha do canil.
Nem as pulgas espalhadas pela nossa roupa nos afectavam, tal era a dormência no nosso raciocínio.
Os militares fotografavam tudo, recolhiam provas e testemunhos junto dos vizinhos.
A nós restava-nos observar as autoridades a fazerem o seu trabalho. Já a cadelinha tinha sido recolhida para a carrinha do canil a fim de ser submetida à avaliação Veterinaria municipal.
Levámos-lhe uma taça com água, que bebia como se não houvesse amanhã.
Esta foi uma bofetada psicológica bastante dura, fazendo-nos colocar em causa a nossa capacidade emocional para lidar com estas situações.
Houve lágrimas, dentro do Sentinela.
Lágrimas de raiva por saber que este não é um caso único.
Este foi descoberto, quantos não haverão por descobrir?
Quantos não morreram ou irão morrer da mesma forma, ou pior ainda, sem nunca sequer sabermos que existiram?!
Limpam-se as lágrimas, inspira-se fundo, expira-se com um grande fod*-se e levanta-se a cabeça focados no objectivo.
Apanhar esta escumalha toda!
IRA
Fonte: noticiasaominuto.com Link:
https://www.noticiasaominuto.com/pais/1765629/casa-dos-horrores-a-cada-porta-cheiro-parecia-queimar-nos-as-narinas