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Autor Tópico: Decidir ficar…e mudar  (Lida 988 vezes)

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Offline Oribii

Decidir ficar…e mudar
« em: 23/05/2016, 15:15 »
 
Decidir ficar…e mudar

Maio 20, 2016

Sentou-se à minha frente e disse-me que queria mudar de vida. Sentia-se cansada do que fazia, do sítio onde estava, da tirania a que se sentia sujeita. Cansada de trabalhar tanto, sem o devido reconhecimento. Dos colegas em quem não podia confiar. Do trabalho interessante que sentia ser-lhe retirado. Das ideias que não conseguia pôr em prática. Dos pés que via sistematicamente serem-lhe cortados. Estava zangada, cansada, desiludida. Queria algo que lhe devolvesse a dignidade. Que a fizesse sentir de novo criativa. Viva. E queria a minha ajuda para isso.

Casos destes surgem-me muitas e muitas vezes. Tantas vezes que achei melhor falar deles neste espaço. Porque, na sua maioria, as pessoas estão a reagir às suas mágoas. Acreditam que deixaram de gostar daquilo que sempre as apaixonou. Querem partir, abandonar o barco por já não aguentarem mais serem obrigadas a pertencer a um grupo cujos valores parecem ser bem diferentes dos delas. A sobrevivência toma a dianteira e para trás vão ficando os sonhos que um dia as faziam pular da cama. Ainda há a ideia de que é preciso ser-se frio para se ter sucesso na vida. Que não se pode ser sentimental. Que se tem de pôr o coração de lado e seguir em frente. E muitos chefes vão permitindo que quem tem a paixão no sangue, a honestidade como guia, mas não se encaixa em determinados grupos de referência, ou abandone o barco ou se mantenha à custa de anti depressivos. A pressão é muita e as pessoas parecem cada vez mais sós. Torna-se fundamental desenvolver a resiliência e isso aprende-se.

Há métodos que nos ajudam a olhar para dentro e a adoptar novas atitudes, mais saudáveis e inspiradoras. Podemos querer partir, é um direito nosso. E está tudo bem. Mas se decidirmos ficar, que seja uma decisão consciente, baseada na certeza de que a roda não gira sempre para o mesmo lado. Que pudemos fazer parte de uma nova ordem em que o respeito e a solidariedade autêntica tenham sempre lugar. E lutar por ela, transformando as adversidades em competências. Porque, no fundo, apesar de todas as diferenças, todos queremos ser compreendidos, aceites. Afinal de contas, amados.

Vem-me à memória a história da Carlota e do seu cão, Martinho. A Carlota adoptou o Martinho, após algumas lutas para o conseguir. Há uns meses, o Martinho sofreu um acidente que o deixou paraplégico. Foi-lhe dito que ele tinha 20 por cento de hipóteses de voltar a andar. Chegaram a recomendar-lhe o abate do cão. Mas a Carlota não desistiu. O Martinho foi operado, fez acupunctura, fisioterapia. Esteve nas mãos dos maiores especialistas. Centenas de pessoas se comoveram com esta história e contribuíram com o que podiam para as despesas com a sua recuperação. Até um cabeleireiro participou nesta angariação de fundos, com uma parte dos seus lucros. E, contra todas as perspectivas, o milagre deu-se. Ao fim de apenas dois meses, o Martinho voltou a andar. Ainda torto, mas já é quase um cão normal. E perguntam-me o que tem isto a ver com as empresas? Tudo. Às vezes precisamos de ir para lá de todas as vozes.

Acreditarmos na força do nosso coração. O que nos faz sorrir por dentro é a nossa maior força. E essa é capaz de todos os impossíveis. Porque transborda e irradia. Possam todas as Carlotas do mundo nos ensinar que o amor, na verdade, vence todas as barreiras. Por um animal, uma pessoa, uma causa, um projecto, o que for. Que ninguém nos tire a esperança. A vida continua a correr e a mudança está sempre a acontecer. A força que temos cá dentro é maior do que pensamos. Há que aprender a utilizá-la para brilharmos, em vez de resistirmos. Então a humanidade dará um passo em frente.


Fonte: http://www.sabado.pt/opiniao/convidados/sofia_martins/detalhe/decidir_ficare_mudar.html
 

 



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