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Autor Tópico: Descuido ou a lei animal. O que levou quatro tigres a matar o domador?  (Lida 409 vezes)

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Descuido ou a lei animal. O que levou quatro tigres a matar o domador?


O português Mário Mariani começou a domar tigres com 15 anos e foi com surpresa que soube da morte do também domador Ettore Weber, atacado por quatro dos seus animais. Mas aponta algumas das razões que podem ter estado na origem do acidente.



© DR

Catarina Reis
07 Julho 2019 — 15:30

Ettore Weber, um domador de tigres conhecido mundialmente, morreu na passada quinta-feira na sequência de um ataque de quatro dos seus animais, enquanto os treinava, em Itália. A vasta experiência do italiano, de 61 anos, levanta dúvidas sobre o que poderá ter motivado este desfecho trágico. Para o português Mário Mariani, que nasceu e cresceu com tigres à sua volta, o caso é raro e difícil de explicar. O pai, Rui Mariani, foi "o primeiro domador de tigres português", ofício que exerceu durante 40 anos no Circo Mundial. Passou o gosto para o filho, de 38 anos, também ele domador de tigres desde os 15 anos, até à promulgação da lei que passou a proibir animais no circo, sendo agora um dos responsáveis pelo circo, juntamente com outros membros da família.


"Eu que estou no mundo do circo muito raramente ouço falar de acidentes com tigres", disse ao DN, admitindo a surpresa face à morte de Ettore Weber. Mário nunca sofreu mazelas maiores do que "alguns arranhões", até porque "tinha animais de muito bom caráter". Por isso, esforça-se para tentar arranjar uma justificação para o incidente em Itália.

As únicas coisas que descarta é que se deva a "inexperiência" do domador ou a uma resposta dos animais a maus tratos: "Não acredito. Nós, domadores, passávamos a vida inteira com animais. Não somos capazes de os maltratar. Muito pelo contrário: fazemos muitos sacrifícios por eles."

Uma das explicações que arrisca é a juventude dos animais, tendo em conta que o incidente aconteceu durante um treino. "Depois de termos um número montado, já não treinamos diariamente com eles. Os animais têm inteligência de assimilar para a vida aquilo que aprenderam nos primeiros treinos. O que me leva a crer que [estes] são novos", explica.

Neste caso, um pequeno "descuido" pode ter feito com que ele o o domador de aproximasse mais do animal do que deveria, irritando o mesmo e motivando o ataque. "Há tigres dos quais não nos podemos aproximar tanto, porque não gostam. É sempre um animal selvagem." Além disso, "há uns mais propensos a atacar do que outros".


Mário Mariani num espetáculo com um dos seus tigres© DR
O circense Mário Mariani aponta ainda a hipótese de o grupo de tigres que atacou ter definido um novo líder para a sua alcateia - deixando de ser o domador e passando a ser um deles. É uma seleção natural dos animais, esclarece. "Entre eles, há sempre um líder". Esta transformação pode acontecer sem que o dono se aperceba, "à semelhança do que acontece com os cães".

Embora, com cautelas, devido à falta de informação, Mário lembre que os animais "com o cio são sempre mais perigosos". "Se os espetáculos são feitos com uma equipa mista de machos e fêmeas, neste período, o ideal é deixar de trabalhar com eles durante uns tempos", alerta Mário. Para prevenir, há domadores que já educam grupos ou só de fêmeas ou só de machos.

Regra geral, quem está na profissão sabe que lida com animais considerados ferozes, por isso todo cuidado é pouco. Num espetáculo, um domador "deve estar sempre concentrado no que está a fazer e não entrar em excessos", começa por explicar. "Fazer o que chamamos de 'bailado': os passos dentro da jaula têm de ser sempre exatamente os mesmos, porque quando os animais estão habituados a um passo par a esquerda não podemos dar um passo para a direita" ou serão irritados. Já fora do espetáculos, é preciso criar habituação junto do animal, "estar diariamente presente" para que se habitue ao domador, e "tratá-los sempre bem".

"Não fomos contactados, não disseram o que tínhamos de fazer. Quem tinha animais tinha de se desfazer deles"

Lei que proíbe animais no circo é "absurda"
É com saudade que lembra os seus sete tigres, entretanto entregues a uma reserva natural em Espanha, país por onde também vai passando o Circo Mundial. "Eram família", não hesita em dizer. "Vinham para cá logo em bebés e alimentávamo-los com biberão dentro de casa. Levantamo-nos de manhã com eles ao lado. Quando estavam doentes, somos as primeiras pessoas a estar lá para ver o que se passa." A sua vida mudou com a promulgação do diploma que proíbe animais selvagens no circo.

Aprovada em outubro do ano passado em parlamento e em fevereiro deste ano pelo Presidente da República, o diploma abrange espécies selvagens como macacos, elefantes, tigres, leões, ursos, focas, crocodilos, pinguins, hipopótamos, rinocerontes, serpentes e avestruzes. Várias companhias de circo têm mostrado o seu descontentamento com a medida, enquanto os representantes portugueses na Associação Europeia de Circos dizem que a presença de animais selvagens no circo acaba por contribuir para a preservação da biodiversidade.

Mário considera esta lei "absurda" e que peca por falta de preparação. "Não fomos contactados, não nos propuseram nada, não disseram o que tínhamos de fazer. Não houve ninguém que decidisse criar uma reserva natural onde colocar os animais. Quem tinha animais tinha de se desfazer deles", reitera.

O circense acredita que colocá-los em reservas naturais não deve ser a solução e pode torná-los "agressivos". "Os animais estão habituados a uma rotina com as mesmas pessoas".

O novo diploma indica que só podem ser usados no circo num período transitório de seis anos, findo o qual a sua utilização passa a estar proibida e a ser punida com contraordenações. O Governo tem à sua responsabilidade a criação de um programa de entrega voluntária de animais usados em circos.

A lei contempla ainda uma linha de incentivos financeiros destinados à reconversão e qualificação profissional dos trabalhadores das companhias circenses (domadores ou tratadores) que entreguem voluntariamente os animais que utilizem.


DN
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