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Redes criminosas de furto de cães em Portugal ligadas ao tráfico, maus-tratos e captura ilegal de ouriços-cacheiros

Por Revista de Imprensa 10:56, 29 Mai 2025



Redes criminosas organizadas estão por detrás do crescente número de furtos de cães em Portugal, com fins que vão muito além da revenda: estes animais são também usados em práticas ilegais como a caça ao ouriço-cacheiro, uma espécie protegida. Entre janeiro e 26 de maio de 2025, a GNR já registou 59 crimes deste tipo, com maior incidência nos distritos de Lisboa e Beja. Os dados foram revelados pela revista Sábado, que investigou este fenómeno, expondo uma realidade preocupante que liga tráfico, maus-tratos e esquemas de adoção duvidosos.

O caso mais mediático deu-se em março, quando Noélia Jerónimo, chef algarvia conhecida, lançou apelos nas redes sociais para encontrar Faísca, o cão da sua afilhada, desaparecido em Cabanas de Tavira. Tratava-se de um braco alemão de pelo curto, raça muito procurada para caça. Duas semanas depois, a GNR encontrou o animal a 135 quilómetros de distância, em Castro Verde, no distrito de Beja, subnutrido e sem forças. Para Noélia, não há dúvidas: foi furto com invasão de propriedade. “Eles roubam para depois venderem. Na zona há muitos casos”, afirmou à Sábado.

Segundo a investigação da revista, estas redes criminosas, com atuação mais forte no Ribatejo, Alentejo e Algarve, mas com núcleos também a Norte, procuram cães específicos como braco alemão, pointer, setter inglês ou weimaraner, usando-os para capturar ouriços-cacheiros. Os “ouriceiros”, nome dado aos caçadores ilegais deste animal, queimam os ouriços vivos para lhes retirar os espinhos e consumir a carne. As operações são feitas à noite e os cães, mantidos em condições deploráveis — abandonados em carros velhos, casas devolutas ou caixotes — adoecem, morrem ou são descartados quando já não servem. Alguns acabam com doenças como sarna, leishmaniose ou a chamada “doença do verme do coração”.

O modus operandi destes grupos envolve assaltos a propriedades de caçadores, previamente vigiadas. Jovens adultos invadem os abrigos, forçam portas e levam os cães mais valiosos. Quando conseguem, removem os chips de identificação — muitas vezes com cortes no pescoço — e trocam os animais entre si, dificultando o rastreio. Além disso, vários cães acabam por ser intercetados por canais de adoção suspeitos, sendo enviados para o estrangeiro em esquemas com fins pouco claros. Segundo Sofia Pires Marques, que perdeu a cadela Bolota em 2019, “o tráfico de cães de pequeno e médio porte envolve dezenas de associações e particulares, alegadamente ligados a consumo de carne e práticas de zoofilia”.

A criminalidade associada a este fenómeno vai muito além do furto. Envolve também extorsão — como no caso da influenciadora digital Márcia D’Orey, que ofereceu 5.000 euros pela devolução da sua cadela oncológica, Cali, desaparecida em Cascais e posteriormente atirada de forma violenta contra uma árvore —, falsificação de documentos, branqueamento de capitais e até corrupção. No mercado negro, um labrador ou um golden retriever pode valer cerca de 700 euros, enquanto um caniche toy chega aos 1.000 euros. Há também relatos de propostas em dinheiro por cães diretamente a associações, como denunciou Helena Gomes, presidente da Plataforma ProAnimal, que recusou 250 euros por cada animal.

A GNR recomenda a denúncia de todos os casos suspeitos. “A denúncia permite a monitorização do fenómeno e a identificação dos suspeitos envolvidos. Ao ser vítima deste tipo de crime, deve ser sempre formalizada a queixa-crime pelo furto”, afirmou fonte oficial à mesma revista. A mesma fonte alerta ainda para a existência de associações de proteção animal de origem duvidosa, que assediam donos com acusações de maus-tratos, pressionando-os a entregar os animais. O contacto pode ser feito através da Linha SOS Ambiente e Território (808 200 520), disponível 24 horas por dia.

A 2 de maio, a GNR anunciou ter desmantelado uma rede criminosa que exportava cães ilegalmente. A investigação, com duração de dois anos, culminou em 18 buscas — três domiciliárias e 15 em clínicas veterinárias — nos distritos de Braga, Porto, Vila Real, Bragança, Guarda, Santarém, Lisboa e Setúbal. Foram apreendidos mais de cinco mil euros, documentação e equipamentos informáticos. Nove suspeitos e três entidades coletivas foram constituídos arguidos. Os crimes associados podem ser punidos com até dois anos de prisão.







Fonte: executivedigest.sapo.pt                        Link: https://executivedigest.sapo.pt/noticias/redes-criminosas-de-furto-de-caes-em-portugal-ligadas-ao-trafico-maus-tratos-e-captura-ilegal-de-ouricos-cacheiros/?utm_source=SAPO_HP&utm_medium=web&utm_campaign=destaques
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