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Cães em risco, sangue à venda e lucros de 1,4 milhões: caso no Alentejo expõe negócio pouco conhecid
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Tópico: Cães em risco, sangue à venda e lucros de 1,4 milhões: caso no Alentejo expõe negócio pouco conhecid (Lida 10 vezes)
Nandito
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Nandito
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Cães em risco, sangue à venda e lucros de 1,4 milhões: caso no Alentejo expõe negócio pouco conhecid
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Cães em risco, sangue à venda e lucros de 1,4 milhões: caso no Alentejo expõe negócio pouco conhecido
Executive Digest
Maio 7, 2026 - 9:52
Em Lavre, no concelho de Montemor-o-Novo, cerca de 70 cães usados em caçadas ao javali estavam instalados num terreno arrendado por uma associação local, mas vários destes animais eram também utilizados como dadores de sangue
Um alegado caso de maus-tratos a dezenas de cães de caça no Alto Alentejo está a levantar dúvidas sobre o negócio do sangue animal em Portugal. Em Lavre, no concelho de Montemor-o-Novo, cerca de 70 cães usados em caçadas ao javali estavam instalados num terreno arrendado por uma associação local, mas vários destes animais eram também utilizados como dadores de sangue para uma empresa privada que, de acordo com a ‘CNN Portugal’, registou mais de 1,4 milhões de euros de lucro líquido em 2024.
No centro do caso está Francisco Almeida, matilheiro responsável pelos animais. O caso já motivou uma investigação do Ministério Público por alegados maus-tratos, uma queixa-crime por alegadas ameaças a moradores e uma ação judicial relacionada com o ruído provocado pelos cães.
A investigação começou a ganhar dimensão depois de vários moradores de Lavre denunciarem as condições em que os animais se encontravam. Segundo os habitantes, os cães chegaram à localidade em outubro, depois de, meses antes, terem sido informados de que seria criado um “canil” na zona. A instalação motivou um abaixo-assinado com cerca de 120 assinaturas.
“Caiu-nos o teto em cima”, contou uma vizinha à ‘CNN Portugal’, descrevendo o impacto da chegada dos animais à pequena localidade.
Vistoria encontrou irregularidades no alojamento
As denúncias dos moradores incluíam ruído constante e situações consideradas incompatíveis com o bem-estar animal. Fotografias e vídeos mostravam cães fechados em carrinhas e jaulas de transporte durante períodos prolongados.
As imagens levaram à intervenção das autoridades e a uma vistoria ao local, com representantes da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, GNR, ICNF, junta de freguesia, câmara municipal e moradores.
O relatório da veterinária municipal não identificou sinais imediatos de maus-tratos, mas apontou falhas nas condições de alojamento, higiene e bem-estar animal, recomendando “melhorias urgentes” para evitar “sofrimento futuro”.
Segundo a procuradora do Ministério Público, todas as entidades presentes detetaram irregularidades. A magistrada determinou posteriormente a retirada de animais, embora persistam dúvidas legais sobre a forma de o fazer, uma vez que os cães estão registados em nome do matilheiro.
Até agora, a autarquia conseguiu esterilizar cerca de 20 cães e retirar vários cachorros considerados em situação de risco.
Francisco Almeida nega maus-tratos e garante que os animais são acompanhados por um veterinário. Questionado sobre cães com feridas, orelhas danificadas ou lesões, respondeu que essas marcas resultam da atividade de caça em mato e silvas.
O veterinário João Fragoso, responsável pelo acompanhamento da matilha, afirma que os cães apresentam “boa condição corporal” e “não apresentam sinais externos de maus-tratos”. Moradores e voluntários, porém, descrevem outra realidade. Um voluntário do canil municipal relatou ter visto um cão cego e outros animais feridos, com sinais de agressões entre cães.
Cães eram usados como dadores de sangue
A investigação revelou entretanto outra dimensão do caso: vários cães da matilha eram utilizados como dadores para o Banco de Sangue Animal, uma das cinco empresas privadas licenciadas pela DGAV para esta atividade.
Francisco Almeida confirmou que as recolhas eram feitas no próprio terreno onde os animais estão alojados. Em troca, diz receber desparasitação, medicação, microchips e outros apoios veterinários.
As recolhas eram realizadas pelo veterinário João Fragoso, que colabora com o Banco de Sangue Animal há quatro anos. Segundo o próprio, era possível recolher sangue de “20 a 30 cães por dia”, dependendo do comportamento dos animais.
Imagens captadas durante a reportagem mostram um barracão usado para as recolhas de sangue. O matilheiro, a mulher e o veterinário confirmaram que aquele era um dos locais utilizados para as colheitas.
Confrontada com imagens de um espaço exíguo, sem sinais visíveis de esterilização e onde se encontravam vários cães e uma ninhada, a diretora de operações do Banco de Sangue Animal recusou comentar.
Érica Rebelo garantiu, ainda assim, que os cães dadores têm de cumprir critérios rigorosos: pesar mais de 20 quilos, estar em bom estado de saúde, não ter doenças e apresentar comportamento cooperante. A responsável explicou também que o sangue doado é analisado em laboratório para garantir a sua qualidade.
Ordem dos Veterinários quer rever a lei
Para o bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários, Pedro Fabrica, o caso revela um problema na legislação. O responsável considera que é preciso definir melhor os locais onde podem ser feitas as colheitas.
“Eu posso entender que o procedimento é feito com esterilidade mas, se calhar, faço-o num sítio pouco digno para o próprio ato”, afirmou.
Pedro Fabrica adiantou que a Ordem vai propor uma atualização da lei nesta matéria.
Também Nuno Paixão, veterinário e provedor do animal da Câmara Municipal de Almada, levantou dúvidas éticas sobre o caso. Como cliente do banco de sangue animal, admite desconforto com a possibilidade de estar a comprar plasma proveniente de animais que possam estar em situação de sofrimento.
“Custa-me que, ao comprar sangue a um banco de sangue, eu esteja a contribuir para que os animais continuem amarrados a uma corrente”, afirmou.
Empresa lucrou mais de 1,4 milhões em 2024
O Banco de Sangue Animal registou um crescimento acentuado dos lucros entre 2021 e 2024. No último relatório de contas, a empresa, com cerca de 30 trabalhadores, ultrapassou 1,4 milhões de euros de lucro líquido.
Cada saqueta de sangue vendida a clínicas e veterinários pode custar entre 250 e 350 euros. Para o cliente final, o valor pode ultrapassar os 400 euros.
A empresa sublinha que as equipas externas são prestadores de serviços pagos através de avenças mensais e afirma nunca ter recebido qualquer queixa relacionada com o veterinário responsável pelas dádivas dos cães de Francisco Almeida.
No decorrer da reportagem da ‘CNN Portugal’, o banco suspendeu a colaboração com os animais da matilha “Pôr do Sol”.
Tribunal manda cessar alojamento dos cães
Entretanto, no processo relacionado com o ruído, o Tribunal de Montemor-o-Novo já condenou Francisco Almeida a cessar a atividade de alojamento dos cães naquele terreno.
O matilheiro tem 45 dias para cumprir a decisão judicial. Se não o fizer, terá de pagar uma multa diária de 500 euros.
Cerca de 20 cães desta matilha já foram retirados e acolhidos por associações e abrigos, onde recebem acompanhamento veterinário e socialização.
O futuro dos restantes animais continua incerto. Mas o caso deixou uma pergunta que vai além de Lavre: como deve ser fiscalizada uma atividade em que a saúde animal, o lucro privado e a confiança dos veterinários e dos tutores se cruzam numa cadeia que começa com uma dádiva e termina numa fatura de centenas de euros?
Fonte: executivedigest.sapo.pt Link:
https://executivedigest.sapo.pt/caes-em-risco-sangue-a-venda-e-lucros-de-14-milhoes-caso-no-alentejo-expoe-negocio-pouco-conhecido/
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