9700 sobrevivem com hemodiálise
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Depender de uma máquina para o resto da vida é uma máxima associada à hemodiálise, que as redes de tratamento querem ver ultrapassada devido à carga negativa. Certo é que os 9700 doentes renais crónicos do País apenas sobrevivem se o tratamento que substitui as funções dos rins for assegurado. Os avanços tecnológicos e o alargamento da rede de cuidados trazem mais qualidade de vida aos utentes.
A hemodiálise começou a ser estudada ainda no século XIX, mas em 1965 estavam registados em toda a Europa apenas 150 doentes. Os governos só mais tarde se aperceberam de que a incidência na população era galopante. Aí, já as redes privadas se começavam a especializar. Estima-se que actualmente no Mundo existam 1,5 milhões de pessoas em tratamento.
Estes factos históricos explicam muito daquilo que é a realidade em Portugal. O Estado, através do Pagamento Compreensivo, em vigor desde 2008, entrega à rede público/privada, composta por 112 unidades, cerca de 540 euros por semana, por utente, e faz com que os custos sejam iguais, quer estejam em tratamento nos hospitais ou nas clínicas privadas, onde estão em tratamento 95 por cento destes doentes.
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DISCURSO DIRECTO
'SISTEMA DÁ TODAS AS GARANTIAS': António Sousa, Nefrologista
Correio da Manhã – Como evoluiu a hemodiálise nos últimos anos?
António Sousa – Há 25 anos tinha--se noção de que os doentes renais eram poucos, mas o número começou a subir muito, porque há mais diabéticos, mais hipertensos, etc, e só os privados conseguiram dar viabilidade ao sistema.
– O modelo actual, predominantemente privado e com o Pagamento Compreensivo, dá garantias aos utentes?
– Sim, todas as garantias. Aliás, Portugal está à frente de outros países com sistemas diferentes. É uma actividade muito legislada e os médicos são muito cuidadosos.
O MEU CASO: CATARINA BARNABÉ
MELHORIA NOS TRATAMENTOS
Aos 89 anos, Catarina Barnabé é um exemplo de como o alargamento da rede de cuidados de hemodiálise trouxe melhorias nos tratamentos. Há três anos, quando lhe foi diagnosticada insuficiência renal crónica e ficou dependente do processo de hemodiálise, o distrito de Portalegre não conseguia garantir resposta a todos os utentes. Catarina viajou muitas vezes de Monforte, onde reside, para o Montijo ou para o Entroncamento para fazer hemodiálise.
'Saía de casa às 10h00 e cheguei a voltar à 01h00 do dia seguinte. Chegava mais doente do que ia', disse ao CM a idosa, que durante a vida trabalhou no campo e serviu em residências particulares. Com a abertura do novo centro privado da Fresenius, em Portalegre, diz nem conseguir quantificar a diferença. 'Sempre fui bem tratada em todo o lado, mas agora estou tão perto de casa', afiançou.
Correio da manha