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..:: Deficiente-Forum - Temas da Actualidade ::.. Responsável: Nandito => Noticias => Tópico iniciado por: Sininho em 15/09/2011, 10:11
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Acusação de maus-tratos leva a encerramento de colégio
Décroly, em Lisboa, acolhia crianças com deficiência. Ficam no desemprego 34 pessoas
O Colégio Décroly, em Lisboa, que há 40 anos acolhia crianças com deficiência, fechou esta terça-feira por falta de viabilidade financeira, colocando no desemprego 34 pessoas, devido a uma acusação criminal de maus-tratos que não foi provada.
Em declarações à agência Lusa, Armando Parente, que representa os proprietários da instituição privada, expressou a sua «mágoa» e «desolação» perante a situação e explicou que o «descalabro financeiro» foi provocado pela retirada de crianças da instituição nos últimos três anos por parte do Ministério da Educação, da Segurança Social e da Santa Casa da Misericórdia, que ali colocavam meninos com deficiência profunda.
Em 2008, o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa dirigiu uma investigação na sequência de denúncias de abusos sexuais e maus-tratos a crianças da instituição, que culminou numa acusação, que ficou concluída a 10 de Janeiro deste ano, com a não pronúncia da instituição (não ida a julgamento) e da sua directora, Cristina Parente.
O Ministério Público recorreu para o Tribunal da Relação de Lisboa, que em Junho confirmou a decisão de não pronúncia, ilibando a instituição e a sua directora. O processo acabou arquivado a 14 de Julho.
Contudo, este caso, fortemente mediatizado, levou ao descrédito e à suspeição sobre o Décroly, começando a Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL), a Segurança Social e a Santa Casa da Misericórdia a retirarem progressivamente as crianças com deficiência do colégio e a colocá-las noutras instituições.
Dos cerca de 180 meninos que ali permaneciam em 2008, para este ano lectivo, que devia ter começado no início de Setembro, restavam 62. Dos quase 70 empregados em 2008 existem agora 34 (32 efectivos), que a partir de hoje vão para o desemprego.
Na opinião de Armando Parente, que é também marido de uma das proprietárias do colégio, esta é uma situação «sem retorno», pois as crianças foram sendo recolocadas noutras instituições onde agora «estão inseridas e onde criaram raízes» e «agora não faz sentido voltarem».
«Nem o Ministério da Educação, nem a Segurança Social têm crianças para enviar para aqui, o que torna inviável resolver a situação», reconheceu.
O futuro das 62 crianças inscritas para este ano lectivo está agora na mão dos pais e das restantes entidades, mas Armando Parente mostra-se «muito preocupado» pois não há actualmente vagas suficientes para internato em instituições especializadas.
Armando Parente desabafou: «Se nada foi provado contra nós, o que dizíamos era verdade. Com o arquivamento do processo, a credibilidade que estava compreensivelmente abalada estava em condições de ser restaurada, voltando a haver bom relacionamento com as instituições oficiais e recolocação das crianças, mas isso agora já não é possível pois estão inseridas noutras instituições».
«Perante as suspeições fazia sentido proteger as crianças e aceitámos que as fossem retirando. Suportámos tudo isto em silêncio e com grande dignidade, recorrendo a capitais próprios para fazer face aos elevados custos. As crianças estavam acima de tudo e tinham que ser protegidas», observou, acrescentando que «foram acumulados prejuízos brutais».
Armando Parente adiantou que estão a decorrer reuniões com o Ministério da Educação e a Segurança Social para resolver rapidamente o futuro das crianças que estavam inscritas para este ano lectivo.
A Lusa tentou ouvir o Ministério da Educação sobre este assunto, mas até ao momento não foi possível.
Armando Parente garantiu que vai procurar apurar responsabilidades: «Vamos agir da mesma maneira com as instituições e com as pessoas que agiram contra nós».
in tvi.iol.pt