Governo aprova Prestação Social Única, Montenegro garante que ninguém será prejudicadoSIC Notícias
29 Maio 2026 14:53

Governo aprova Prestação Social Única, Montenegro garante que ninguém será prejudicado
Créditos:ANTONIO COTRIM/Lusa
A partir de São Bento, o primeiro-ministro e a ministra do Trabalho estão a apresentar a medida prometia há quatro anos à Comissão Europeia e aprovada, esta sexta-feira, em Conselho de Ministros.
O Governo aprovou esta sexta-feira uma "reforma das prestações sociais não contributivas", criando uma Prestação Social Única (PSU) que agregará 13 apoios, anuncia o primeiro-ministro.
" Não vai prejudicar ninguém face à situação atual, não há aqui nenhum corte de nenhuma garantia do Estado. A única área em que haver alguma perda é para aqueles que estão a prevaricar", afirma Luís Montenegro.
As declarações do primeiro-ministro foram feitas final da reunião do Conselho de Ministros, que decorreu na residência oficial em São Bento, sem responder a perguntas, antes de a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, apresentar o diploma em detalhe.
A medida, que pretende juntar debaixo das mesmas condições de acesso 13 prestações sociais, entre elas o Rendimento Social de Inserção (RSI), estava inscrita no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Segundo Luís Montenegro, já em 2010, enquanto deputado da oposição, defendeu a criação “desta atividade solidária” para os que recebem prestação sociais não contributivas.
"É uma forma de valorizar o seu contributo e é uma forma de abrir caminho para que possam ter experiências profissionais, sociais, que lhes permitam, também, construir futuros projetos de trabalho", justifica.
Montenegro defende que, além de assegurar que “ninguém fica para trás”, o objetivo é lutar "para que estas ajudas não se transformem num cheque permanente e numa forma de vida".
Considera também que esta proposta se inspira também na doutrina social da Igreja e na recente encíclica do Pape Leão XIV, que considera o trabalho não só como "meio de subsistência, mas um lugar de expressão, relações e contributo para a comunidade".
"É uma designação que se enquadra muito nos princípios que aqui estão subjacentes: não fazer do apoio social uma armadilha para eternizar as pessoas na situação de pobreza, fazer do apoio social um trampolim, um elevador para as pessoas se valorizarem a si e às suas famílias", diz.
Quem são os beneficiários?
Segundo o primeiro-ministro, a futura PSU terá entre as condições para os seus beneficiários "um regime de atividade de solidariedade social" a todos que "não tenha nenhuma inibição" para o fazer.
A partir de São Bento, a ministra do Trabalho explica que os beneficiários têm de residir em território nacional e os rendimentos têm de estar abaixo do limite definido na PSU.
A obrigações só se aplicam a membros do agregado familiar em idade ativa e que não se encontrem a trabalhar.
“O diploma aposta fortemente no regresso à atividade profissional (...). O objetivo, além de ser combater a exclusão social, é tanto quanto possível tentar que seja o mais limitada no tempo. Para isso é preciso evitar que seja mais vantajoso permanecer desocupado (...). É preciso que as pessoas não se acomodem , saiam da armadilha da pobreza e saiam para a sua vida ativa”, afirma a ministra.
Mas o que muda? A governanta esclarece que, se a pessoa voltar ao trabalho, os primeiros rendimentos não resultarão numa redução da PSU.
“Prevemos que nos primeiros rendimentos não haja dedução no valor da PSU. Nos rendimentos seguintes, que seja descontado apenas percentualmente, não podendo ultrapassar o limite de 50%”, explica, acrescentando que será um "esforço financeiro muito relevante".
Segundo Palma Ramalho, o diploma prevê um regime transitório que assegura que os atuais beneficiários da PSU mantêm as condições.
O objetivo do Governo é, diz a ministra, um “regime mais simples, com resposta integrada que substitui várias outras e que garante os mínimos sociais”.
Com Lusa.
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