'Rei Ghob' recusa falar na primeira sessão do julgamento Acusado de quatro homicídos, Francisco Leitão, auto-intitulado 'Rei Ghob' optou por se remeter ao silêncio no primeiro dia do seu julgamento.
'Rei Ghob' está a ser julgado pela alegada execução de quatro homicídios Francisco Leitão, conhecido por 'Rei Ghob' e acusado de quatro homicídios, recusou hoje prestar declarações na primeira sessão do julgamento, no Tribunal de Torres Vedras.
Questionado pela presidente do coletivo de juízes, Maria Domingas, após a leitura da acusação, 'Rei Ghob' disse que preferia "ficar em silêncio", recusando-se assim a responder às perguntas dos juízes, do Ministério Público e dos advogados.
O julgamento prossegue dia 16, com a audição das famílias das vítimas.
A presidente do coletivo de juízes alterou o plano de sessões já agendado até 23 de janeiro, reservando para toda a manhã do dia 19 a audição da testemunha Mara, considerada a mais importante do processo por ter sido alegadamente cúmplice do arguido na morte de Ivo Delgado, e agendou mais uma sessão para dia 24, para continuar a ouvir testemunhas.
Opção do arguido
À saída do tribunal, a advogada de defesa, Sandra Bizarro e Cunha, do gabinete de Fernando Carvalhal, explicou aos jornalistas que o silêncio foi a opção tomada pelo arguido e não correspondeu a uma estratégia da defesa.
A advogada adiantou que a defesa "está confiante na justiça", o que foi corroborado por um dos advogados assistentes no processo e representantes das famílias, que disse esperar uma "pena justa".
O sucateiro foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) a 20 de julho de 2010, após uma investigação que decorria há mais de um ano e que em março de 2010 foi intensificada, após o desaparecimento da última vítima.
O arguido é acusado de quatro homicídios e de quatro crimes de ocultação de cadáver, um de falsificação de documentos e outro de detenção de arma proibida.
Questões passionais
Francisco Leitão terá matado as duas raparigas, de 16 e 27 anos, por questões passionais, porque eram namoradas de jovens com quem o alegado homossexual queria ter um caso amoroso, um dos quais Ivo Delgado, alegadamente morto depois de 'Rei Ghob' perceber que, mesmo após a morte da namorada, não pretendia ter qualquer envolvimento amoroso com ele.
Os três desapareceram em março de 2010 e junho de 2008, não tendo os corpos sido ainda encontrados.
A quarta morte é a de um idoso, conhecido por "Pisa Lagartos", dado como morto em 1995, após o arquivamento de um inquérito por alegado homicídio, no qual Francisco Leitão chegou a ser ouvido.
Francisco Leitão, a residir na localidade de Carqueja, concelho da Lourinhã, auto-intitulava-se 'Rei Ghob', "futuro governante da nova era", e publicava vídeos nos quais anunciava o fim do mundo.
Fonte: Expresso