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Autor Tópico: Vulnerabilidade ao vício de drogas começa no feto  (Lida 451 vezes)

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Offline kiko

 
 Uma equipa de cientistas da Universidade do Minho mostrou que a vulnerabilidade às drogas pode começar durante a gestação, pelo menos em ratos. O estudo, publicado recentemente na revista Molecular Psychiatry, testou um fármaco que imita uma hormona natural associada ao stress e que já foi utilizado em gravidezes prematuras.

Verificámos que estes ratos tinham alterações comportamentais como hiperactividade e uma propensão para os comportamentos aditivos”, disse ao PÚBLICO Nuno Sousa, médico e professor da Universidade do Minho e coordenador do grupo de Neurociências do Instituto de Investigação de Ciências da Vida e da Saúde, que esteve à frente do estudo.

Durante a gestação destes ratos, os cientistas injectaram um químico artificial chamado dexametasona. Esta substância é da mesma família do cortisol, uma hormona natural que entre várias funções completa o desenvolvimento dos pulmões no feto e é produzida em situações de maior stress.

A dexametasona pode ser utilizada para evitar o perigo das gravidezes muito prematuras, o fármaco acelera o desenvolvimento dos pulmões e evita não só a mortalidade, como evita as doenças dos bebés que nascem com os pulmões pouco desenvolvidos. O grupo de Nuno Sousa já tinha trabalhado com esta substância para perceber que efeitos tinha a longo termo.

Nas experiências comportamentais descritas no artigo, que teve como primeira autora Ana João Rodrigues, a equipa testou a tendência dos ratos para os comportamentos que provocam os vícios, em drogas como o álcool ou a morfina.

A equipa verificou que os ratos que foram submetidos à dexametasona na gravidez tinham mais tendência para escolher o biberão com álcool e água versus um biberão só com água, do que o grupo de ratos controlo. “Escolher beber álcool depende da vontade dos ratos, é mesmo uma coisa motivacional”, referiu o cientista.

Numa outra experiência, em que os ratos podiam escolher entre uma sala onde nada lhes acontecia e outra onde lhes era injectado morfina, os ratos tratados com dexametasona passavam a preferir mais frequentemente a sala onde lhes era injectado a droga.

“Fomos estudar os cérebros destes ratos e vimos que eles tinham falta de dopamina na parte do cérebro que regula o prazer e o valor da recompensa”, disse o cientista. A dopamina está muito associada ao prazer e é também produzida após a ingestão de drogas.

A equipa verificou ainda que nesta região do cérebro dos ratinhos submetidos à dexametasona, as antenas das células que “sentem” a dopamina estavam em muito maior número do que normalmente. Isto porque a dexametasona tinha provocado mudanças no ADN das células que fazia com que elas produzissem um maior número destas antenas.

Este é um exemplo de um fenómeno epigenético, em que o ambiente altera directamente o funcionamento normal dos genes, e que vai influenciar o desenvolvimento, neste caso a propensão para o vício em ratinhos. Segundo Conceição Calhau, investigadora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, estes estudos que mostram a influência directa do ambiente químico no funcionamento do ADN é um tema muito actual. “É uma experiência muito pertinente”, disse a cientista, que não esteve envolvida no estudo mas investiga também esta família de moléculas. A cientista sugere que esta e outras experiências apontam para que “todo o stress que as grávidas podem estar sujeitas, tem impacto no bebé”.

Risco em humanos

Nuno Sousa refere que apesar de no caso da gravidez humana poder haver associado ao stress a produção de cortisol – a molécula natural equivalente à dexametasona –, é muito difícil fazer uma comparação directa, já que a substância produzida pela mãe tem muito mais dificuldade em atravessar a placenta e é degradada pelo bebé muito mais rapidamente.

Em relação ao químico artificial, a presidente da Sociedade Portuguesa de Neonatologia, Almerinda Pereira, refere que a dexametasona deixou de ser utilizada no caso do risco de gravidezes prematuras. “Há mais de dez anos que se deixou de se utilizar a dexametasona e passou-se a utilizar a betametasona, houve um estudo francês em humanos que associou a dexametasona a alguns problemas de desenvolvimento”, disse ao PÚBLICO.
 

 



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