Partilhar e trocar experiências vividas entre os pais de bebés prematuros foi o objectivo da sessão promovida ontem à tarde pelos responsáveis do Serviço de Neonatologia do Hospital de Braga. “A prematuridade está a aumentar e em Braga 9% de bebés (250 a 300) nascem prematuros”, informou a directora do serviço, Almerinda Pereira.
Esta acção, que juntou cerca de 200 pais, encerrou as comemorações do Dia Internacional de Sensibilização para a Prematuridade, que se iniciaram no passado dia 17, com uma campanha de sensibilização para as questões neonatais em torno dos bebés prematuros, distribuição de folhetos informativos e uma exposição de posters alusivos às crianças prematuras.
“Cerca de 10% dos bebés que nascem em Portugal têm necessidades especiais. Os grandes prematuros são os que têm 32 semanas, mas entre as 32 e as 37 semanas ainda são considerados prematuros”, explicou aquela responsável.
Melhor taxa de sobrevivência
No Hospital de Braga existe “um grupo de pais de referência, que reúne uma vez por mês com os pais que têm prematuros internados. Vêm dar-lhes confiança e esperança e acabam sempre por ser uma boa referência, porque já viveram situações semelhantes às que estão a passar”, evidenciou a médica. Além disso, os pais ao longo do internamento vão sendo preparados para quando o bebé tiver alta. “É um trabalho diário feito pelas enfermeiras. Os pais aprendem a dar banho e a dar de comer ao bebé tão pequeno e alguns truques para saber lidar com o prematuro”, contou.
O sucesso dos bebés prematuros não é de 100%, mas “hoje em dia com o avanço tecnológico está muito melhor”, assegurou a directora, referindo que “Portugal tem a melhor taxa de sobrevivên cia de premturos, ultrapassando mesmo o Reino Unido e a Suécia”.
“Vivemos dias terríveis e sentimos muita angústia e preocupação”
Nada fazia prever que Rita ia nascer prematura. A primeira gravidez de Alexandra “estava a correr muito bem”, mas quando foi fazer a ecografia das 32 semanas descobriram que “tinha que ter a bebé urgentemente, porque o cordão umbilical não estava a passar sangue”, explicou Alexandra, revelando que o casal viveu “dias terríveis”.
A pequena Rita acabou por nascer com 1.225Kg e esteve internada 34 dias. “Deixaram levar a Rita para casa com 1.800Kg, ainda era tão pequena e frágil. Sentimos muita angústia, ansiedade e preocupação, mas correu tudo bem. A Rita nunca teve nenhum problema de saúde, nem nenhuma complicação, o problema era mesmo não ter peso suficiente”, referiu, ainda, Alexandra.
Afonso nasceu com pouco mais de um quilo e conseguiu sobreviver
Quando Vitória e António descobriram que iam ser pais de gémeos foi “uma alegria enorme”. Vitória estava grávida de um menino e de uma menina e teve uma gravidez “normalíssima”. “Foi uma gravidez muito desejada e nunca pensei que nos ia acontecer algo de mau”, confidenciou Vitória. Poucos dias depois das 28 semanas, a jovem acabou por dar à luz. “A menina já nasceu morta e o Afonso tinha apenas 1.145Kg, mas ainda emagreceu e chegou às 800 gramas”, lembrou a mãe. E atirou: “passou-me muitas vezes pela cabeça que ele não ia resistir, mas a equipa de Neonatologia é fantástica e transmite muita confiança”.
Afonso lutou e hoje com oito meses pesa mais de 16 quilos e “está muito comunicativo”.
Fonte: Correio do Minho