Deficiente-Fórum
..:: Deficiente-Forum - Temas da Actualidade ::.. Responsável: Nandito => Noticias => Tópico iniciado por: kiko em 09/09/2011, 11:28
-
Os herdeiros de José de Mello têm uma dívida à banca superior a 2,3 mil milhões de euros e já foram forçados a reforçar as garantias colaterais com o seu património.
No final de 2010, os capitais próprios do grupo atingiam os 368 milhões de euros e o activo líquido somava 3,88 mil milhões de euros, o suficiente para fazer face à dívida. Foi também no ano passado que o grupo conseguiu inverter a tendência de prejuízos e obter lucros de 192 milhões de euros. Mas teve de desfazer-se de alguns activos.
Hoje, o principal problema está na queda abrupta das acções da Brisa, onde o Grupo José de Mello, principal accionista, detém 30,38%. Esta posição vale actualmente cerca de um terço daquilo que valia em 2010.
Tendo como referência o valor das acções em bolsa, a Brisa vale actualmente cerca de 1,5mil milhões de euros, quando em 2010 chegou a estar avaliada em 3,6 mil milhões, mais do dobro. A posição do Grupo José de Mello equivale a pouco mais de 450 milhões de euros.
A Brisa tem ainda com accionistas principais o fundo de investimento inglês Arcus European Infrastructure Fund, especializado em infra-estruturas e composto por cerca de 40 investidores estrangeiros, que detém 19% do capital, e a Abertis, uma das maiores empresas europeias do sector, com 14,61%.
Se a relação do accionista maioritário com o fundo tem sido pacífica, já o mesmo não se pode dizer com a Abertis. Esta empresa esteve interessada na posição do Grupo José de Mello numa altura em que as acções estavam cotadas a 14 euros. Caso se tivesse concretizado, o negócio teria rendido 2,9 mil milhões de euros. Também a Ascendi, controlada pela Mota & Ca. tentou uma aproximação, sem êxito. Para dar uma ideia, a Privado Financeiro, um dos veículos de investimento do Banco Privado, chegou a realizar mais-valias de 200 milhões.
A Brisa tem sofrido algum desgaste por estar tão exposta ao mercado interno. Mas nem todos os activos do Grupo José de Mello são tóxicos. A EDP, onde o grupo detém perto de 4,82%, está a valorizar. O anúncio de que o Estado vai desfazer-se de 20,9%, por imposição da troika, está a criar expectativas positivas. E não faltam interessados.
O grupo tem ainda outros activos apetecíveis, como a Efacec. O volume de negócios do grupo subiu de 862 milhões de euros para 1,138 mil milhões em 2010. E os resultados líquidos saíram do negativo. O Grupo José de Mello é uma pequena parte da fortuna de Alfredo da Silva, que também esteve na origem dos grupos Jorge de Mello e, em parte, de António Champalimaud. Agora, é o neto Vasco de Mello quem comanda as operações. A dimensão do Grupo CUF de antes da revolução pode não ser comparável com a do actual grupo. Mesmo assim está entre os maiores. E ainda não é agora que vai ter de empenhar os anéis para salvar os dedos.
JORNAL I