Sarcoma dos tecidos moles com 100 novos casos por ano
Os sarcomas de tecidos moles são tumores malignos raros com origem nos tecidos derivados da mesoderme. tratando-se de uma doença rara, a investigação e comunicação a ela associada não é a desejável.
O sarcoma é um tumor maligno raro e específico dos tecidos mesenquimatosos. Ou seja, explica Marta Soares, especialista do IPO do Porto, "desenvolvem-se no tecido conjunctivo: músculos, tendões, tecidos sinoviais peri-articulares, gordura, endotélio dos vasos sanguíneos e canais linfáticos, ao contrário da maioria dos tumores que estamos habituados a ouvir falar que atingem um órgão específico".
Trata-se de uma doença rara e segundo os dados disponíveis compreendem cerca de 1 por cento de todos os tumores. A invidência a nível nacional não é conhecida, mas no que se refere ao IPO Porto, o centro de referência da zona norte, Marta Soares refere que, "são registados cerca de 100 a 120 novos casos por ano". Isto significa que um hospital periférico poderá encontrar um ou dois casos por ano.
Por se tratar de uma doença rara é muito importante haver uma referenciação para os centros com experiência, pois na opinião da especialista, "sem experiência os doentes serão seguramente mal orientados e mal tratados".
O sarcoma pode surgir em qualquer idade e não tem preferência sexual, aparecendo na mulher ou no homem de igual modo. Contudo, existem subtipos destes tumores que são mais específicos de alguns grupos etários. "Por exemplo nas crianças são mais frequentes os rabdomiosarcomas, sarcomas sinoviais e sarcomas de Ewing e nos adultos liposarcomas, leiomiosarcomas e fibrosarcomas", diz a especialista.
O sinal de alerta mais óbvio deste tipo de cancro é o aparecimento de uma tumefacção (vulgarmente chamado de papo) em qualquer local do corpo e que ou aumenta de tamanho, ou se torna dolorosa. Igualmente qualquer tumefacção com mais de 5 cm deve ser devidamente investigada.
Nessa altura, alerta Marta Soares, "deve ser pedido um exame de imagem (ecografia, TAC ou ressonância magnética) sem que seja feita biopsia", sublinhando que é muito importante que a biopsia seja realizada na nossa instituição, ou num centro de referência, pois uma biopsia mal realizada pode inviabilizar todo o resto do tratamento.
Não são conhecidos factores de hereditariedade associados a este tipo de cancro e no que concerne a factores de risco pode, na opinião da especialista, "haver alguma associação com lesões, situações prévias de linfedema crónico, radioterapia prévia ou exposição a radiação, mas na sua grande maioria não existem factores de risco identificados".
A taxa de sobrevivência ou prognóstico não tem tanto que ver com a idade dos doentes mas muito mais com as características do sarcoma, classicamente caracterizado em três graus: baixo, intermédio e alto grau. Por isso, o tratamento também vai depender da gravidade, local e quantidade de tecido afectado. Seja como for, Marta Soares refere que, "se for detectado precocemente podemos falar em cura".
Assim, o tratamento é multidisciplinar e envolve tratamento farmacológico e cirúrgico. Inicialmente a terapêutica e cirúrgica, no entanto em doentes com tumores de maior agressividade pode ser necessário efectuar quimioterapia e/ou radioterapia antes e/ou depois da cirurgia.
A terapêutica farmacológica tem também a sua importância vital e por se tratar de uma doença rara o investimento na investigação é menor do que em outros tipos de cancro. Por isso congratula-se pelo aparecimento de mais uma opção terapêutica -trabectidina - que veio trazer renovadas esperanças no tratamento do sarcoma de tecidos moles.
"É importante termos mais uma opção, depois de tantos anos sem nada de novo. Este fármaco está aprovado em monoterapia em terceira linha, para os doentes que não respondem, ou por intolerância a outros fármacos", conta a especialista.
Por fim, Marta Soares deixa o alerta para a importância de perante o aparecimento de uma tumefacção em qualquer local do corpo, que seja diferente e que tenha pelo menos mais de 5 cm deve recorrer ao médico assistente para ser avaliado. O médico assistente deverá orientar para uma instituição de referência apenas com exame de imagem e sem fazer biopsia".
Fonte:Atlântico Expresso