Liftech

Rehapoint
Autopedico

Invacare
TotalMobility

Anuncie Aqui

Autor Tópico: "Voltou lá dentro e morreu abraçada à filha" no fogo  (Lida 395 vezes)

0 Membros e 1 Visitante estão a ver este tópico.

Offline Eduardo Jorge

 
Curto-circuito provocado por aquecedor terá estado na origem de incêndio que  deflagrou no sótão e consumiu casa pertencente a IPSS. Mãe e filha morreram carbonizadas.

Maria, 41 anos, colombiana, vivia na Casa de Santa Isabel, em São Romão, Seia, com as três filhas. Era terapeuta naquela Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS). Quando as chamas deflagraram, na madrugada de domingo, salvou todos os que estavam dentro de casa. Quase todos. No fim da aflição, olhou em volta e não viu a filha do meio, deficiente, de oito anos. "Voltou lá dentro e morreu abraçada à filha", conta o padre Manuel Martinho.

O alerta foi dado cerca da 01.20 e o fogo "terá principiado no sótão", conta Telma Luísa, monitora de uma das seis habitações, todas prefabricadas, pertencentes à Casa de Santa Isabel. Na altura do fogo estavam dez pessoas na casa que recebe crianças provenientes de famílias disfuncionais ou sob custódia dos tribunais (ver caixa): quatro utentes, três monitoras e as três filhas de uma delas.

"Conseguiu retirar todos da habitação, mas quando foi buscar a última filha já não conseguiu sair viva", desabafou Telma Luísa. A menor estaria a dormir nas águas--furtadas e a mãe, colombiana viúva de um português, tentou resgatá-la. "A senhora tentou salvar a filha e ficou lá também. Ajudou a retirar todas as outras pessoas e já no fim apercebe-se que a filha, deficiente, não estava no exterior", relata o padre Manuel Martinho, da paróquia de São Romão, que doou os terrenos para a construção das casas.

"Acordei com batidas na porta a alertar para o fogo. Quando espreitei já as labaredas tomavam a casa", contou emocionada Telma Luísa. Foi à casa desta mulher que chegou o primeiro pedido de socorro. "Um monitor veio alertar para o fogo", contou.

O comandante dos Bombeiros de S. Romão disse ao DN que inicialmente foram "alertados para um fogo florestal e só a meio do caminho" foram informados que se tratava de um fogo "numa habitação, com vítimas". Serafim Barata adiantou que dos dez ocupantes da casa "oito estavam cá fora. Dos outros nem sinal". As chamas "destruíram a casa toda, uma habitação prefabricada e foi preciso proceder a uma demorada operação de busca para localizar a mãe e a filha", adiantou.

Os corpos das vítimas viriam a ser localizados "mais de duas horas depois, juntas, carbonizadas e abrigadas na protecção de umas escadas", disse o comandante.

A "desgraça" foi comentada durante a missa de ontem de manhã em São Romão. O padre Manuel Martinho salientou o "trabalho em prol da comunidade feito pela instituição" e no final da homilia o tema era a única conversa entre os paroquianos. A casa consumida pelas chamas "sofreu obras de beneficiação recentemente e estava em boas condições", comentavam os populares.

Os corpos de mãe e filha foram removidos para o Instituto de Medicina Legal da Guarda onde hoje deverão ser autopsiados.

No local esteve uma equipa de peritos da Polícia Judiciária para analisar as causas do fogo. Tudo indica que se tenha tratado de "um curto-circuito. A noite estava fria e ligaram um aquecedor que terá originado o fogo", revelou fonte da PJ que procede a investigações.

No local, a combater o incêndio, estiveram 50 homens e 20 veículos das quatro corporações do concelho de Seia e Gouveia.

Crianças e monitores estão agora a ser acompanhados por psicólogos e foram acolhidas noutras casas da instituição. Fernanda Wessling, directora da Casa de Santa Isabel, contou ao DN que os menores passaram a noite numa casa que aquela Instituição Particular de Solidariedade Social tem numa quinta. "Não queremos que vejam isto e devemos protegê-las", referiu.

Quanto ao futuro, apesar da dor, a responsável pelas casas, que acolhem 85 crianças e jovens (ver entrevista) tem uma certeza: "Temos de voltar a reconstruir esta casa. As nossas crianças e jovens dependem da instituição e temos de encontrar forças para voltar a por tudo de pé." Para Fernanda Wessling "toda a ajuda será pouca mas temos de dar a volta por cima e arranjar forças para continuar a bem das crianças."

Fonte: DN
 

 



Anuncie Connosco Anuncie Connosco Anuncie Connosco Anuncie Connosco Anuncie Connosco


  •   Política de Privacidade   •   Regras   •   Fale Connosco   •  
     
Voltar ao topo