Espanhóis protestam de porta em porta contra desapropriação
Maria Jose del Coto Maeso com os filhos em sua casa em MadridEm nova fase de atos contra o governo e a economia, manifestantes tentam impedir polícia de cumprir ordens de despejo
| 22/07/2011 08:00
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Em nova fase de atos contra o governo e a economia, manifestantes tentam impedir polícia de cumprir ordens de despejo
Espanhóis protestam de porta em porta contra desapropriaçãoEm nova fase de atos contra o governo e a economia, manifestantes tentam impedir polícia de cumprir ordens de despejo
Quando a polícia chegou à casa de Maria Jose del Coto Maeso, 53 anos, para expulsá-la do apartamento onde morava, encontrou a rua em frente ao imóvel tomada por manifestantes e resolveu recuar.
"Para muitas pessoas teria sido um dia deprimente", disse Maria Jose. "Mas me senti privilegiada. Conheci essas pessoas maravilhosas e fiquei muito grata.”
Os jovens manifestantes que acamparam aos milhares nas praças principais das cidades da Espanha durante a maior parte de maio e junho, em protesto contra a corrupção do governo e uma economia que os deixou sem trabalho, voltaram para casa. Mas o movimento gerou um exército de voluntários que estão fazendo barulho no sistema de desapropriação espanhol – talvez o mais severo da Europa – que geralmente endivida os proprietários de imóveis para o resto de suas vidas.
Manifestantes fazem protesto em frente à casa de Maria Jose del Coto Maseo em Madri, na Espanha
Eloi Morte, 28 anos, foi responsável por organizar o protesto em frente à modesta casa de Maria. Comissário de bordo, Eloi decidiu ajudar as pessoas ameaçadas de despejo depois de participar de uma reunião de bairro organizada pelos manifestantes que haviam ocupado a Puerta del Sol, praça central da cidade.
"Era algo concreto que eu poderia fazer", disse ele. "Queria ver resultados, não apenas protestos vagos contra o estabelecimento financeiro e os bancos. Queria fazer algo construtivo".
A Espanha, como os Estados Unidos, passou por uma grande expansão imobiliária que parou de funcionar em 2008. Conforme a economia estagnou, as taxas de desemprego subiram para o índice mais alto na União Europeia, situando-se em torno de 40% para os jovens – que até recentemente pareciam apáticos. Isso mudou em 15 de maio, quando eles começaram a se reunir em todo o país em protestos pacíficos que em algumas cidades duraram semanas.
Agora, alguns desses manifestantes estão usando seus conhecimentos sobre internet para reunir multidões em nome de proprietários sitiados. Centenas de manifestantes estão aparecendo em ameaças de despejo como a de Maria, recebendo atenção da imprensa e obtendo resultados.
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