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Autor Tópico: Tudo em relação ao cuidador informal  (Lida 1427 vezes)

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Offline migel

Tudo em relação ao cuidador informal
« em: 11/11/2018, 09:38 »
 Marcelo diz que país não pode continuar a adiar estatuto do cuidador

A propósito do Dia do Cuidador, que esta segunda-feira se assinala, Presidente volta a defender que Portugal "não pode continuar à espera, sob pena de estar a perpetuar um erro imperdoável".
Ana Cristina PereiraAna Cristina Pereira
5 de Novembro de 2018, 9:08
 

Foto
Dário Cruz


O Presidente da República quis esta segunda-feira renovar o seu apoio à criação do Estatuto do Cuidador Informal, apelando a que “se faça mais, vencendo preconceitos e obstáculos institucionais”. “É uma causa que sei ser de todos. É uma causa que merece o esforço de todos”, afirma.

A mensagem de Marcelo Rebelo de Sousa foi publicada no site oficial da Presidência da República. E vem a propósito do Dia do Cuidador, que esta segunda-feira se assinala com encontros em diversas partes do país.


A criação do Estatuto do Cuidador Informal tem sido defendida por diversos grupos sociais. Mobilizaram-se muitas pessoas ao longo deste ano, dando até origem a uma associação nacional de cuidadores informais.


A pretensão encontra eco no Parlamento. Em Março, diversos partidos – BE, PCP, PAN e CDS-PP – apresentaram propostas para melhorar a vida de quem cuida e de quem é cuidado. A do BE integra a criação de um Estatuto do Cuidador Informal. Os diplomas baixaram, sem votação, à comissão parlamentar de Trabalho e Segurança Social.

A pré-proposta do grupo de trabalho do Governo para a nova Lei de Bases da Saúde já abre a porta para esta alteração. Conforme o documento, que esteve em discussão pública, “a lei deve promover o reconhecimento do importante papel do cuidador informal, a sua responsabilização e capacitação para a prestação, com qualidade e segurança, dos cuidados básicos regulares e não especializados que realizam.


Marcelo fez desta uma das suas causas. Ainda no dia 9 de Setembro, no encerramento do primeiro encontro regional de cuidadores informais, em Vila Nova da Cerveira, o chefe de Estado defendeu que o estatuto deverá ser votado até ao final da legislatura.
O melhor do Público no email



Continue a lêr aqui: https://www.publico.pt/2018/11/05/sociedade/noticia/marcelo-pais-nao-continuar-adiar-estatuto-cuidador-1849905?fbclid=IwAR0rw0ezmm8oc_hms2tbRjk2_hwiUVEmEz9x13S0GIF4_1j_cq-EhINFjgQ
« Última modificação: 22/02/2019, 09:19 por migel »
 
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Offline migel

Falta muito para ser criado um Estatuto do Cuidador em Portugal?

27/11/2018
Cuidadores informais

Rosália Ferreira e Liliana. Quando nasceu, há 37 anos, os pais perceberam logo que a vida iria mudar. Lili tem uma doença rara e todo o tempo da mãe passou a ser dedicado a cuidar da filha, a quem os médicos deram uma esperança de vida de 18 anos. [Fotografia de Filipa Bernardo/Global Imagens]

Chamam-lhes cuidadores informais. A maioria são mulheres entre os 45 e os 75 anos e prestam cuidados não remunerados a alguém. Um trabalho a tempo inteiro que as fez abdicar de profissões, sonhos, projetos. Não tem que ser assim. Por isso, está em curso uma luta pela criação de um Estatuto do Cuidador em Portugal. Tarda em ser reconhecido, mas esta, como é bom de ver, não é gente de baixar os braços.

Texto de Alexandra Pedro e Catarina Reis

Sem folgas, sem férias, sem exceções. Há 37 anos que Liliana Ferreira, diagnosticada com uma doença rara – défice congénito da glicosilação -, precisa dos cuidados da família para viver. Assim como Mariana, 10 anos, que só vai à escola com a mãe ao lado. Ou Rodrigo, 8 anos, que, como Mariana, tem paralisia cerebral e necessita de ser vigiado toda a noite.

As mães Rosália, Mónica e Ana fazem parte das 825 mil pessoas que prestam cuidados não remunerados a alguém e são o rosto da luta travada pela criação de um Estatuto do Cuidador no nosso país.

Rosália Ferreira está acordada desde as seis da manhã, depois de três interrupções noturnas para mudar a fralda de Liliana, a filha de 37 anos, diagnosticada com uma doença rara com complicações físicas e cognitivas. Fez-lhe a higiene, alimentou-a e levou-a a Lisboa para mais um exame médico.

Os dias mais agitados de Liliana são mais cansativos para Rosália. Há 37 anos que assim é. Sem ajudas, apoios financeiros ou benefícios.

«O meu projeto de vida era casar, ter filhos ainda em idade jovem, trabalhar e continuar a estudar. Queria muito entrar para a universidade». Depois do casamento e de ter Vanessa, a filha mais velha, foi com o nascimento de Liliana que percebeu que a sua vida iria mudar. «Nos seus primeiros meses percebemos logo que qualquer coisa não estava bem». Mas não desistiu e, em 2013, licenciou-se em História na Universidade Aberta. «Foi com muito esforço e num período muito longo. Mas fiz», diz Rosália.

Ainda assim, os restantes planos ficaram para trás. O nascimento de Liliana trouxe uma nova vida à família, que mudou hábitos, atitudes e pensamentos e viu-se obrigada a adaptar-se a uma nova realidade. «Foram anos duros».

Diagnosticada, por volta dos dois anos, com paralisia cerebral, só aos 14 teria um «diagnóstico correto»: défice congénito da glicosilação (CDG). Este é o nome da doença que mantém numa cadeira de rodas, com graves problemas neurológicos, dificuldades na fala e sem qualquer autonomia a mulher que aos 37 anos parece uma criança.

«O diagnóstico certo abriu-nos um novo caminho», diz a mãe. «Mas fizemos tudo sozinhos. A Liliana foi o primeiro caso português conhecido com esta doença. Fomos ao estrangeiro, fizemos o que podíamos e o que não podíamos, e chegámos até aqui: a Liliana tem 37 anos, apesar de nos terem dito que a sua esperança de vida seria de 18», diz, com orgulho, a cuidadora.

Vanessa, irmã mais velha, estudou Biologia por causa da irmã e aprofundou o seu conhecimento sobre a doença rara que a afeta. Atualmente à frente da Associação Portuguesa de CDG, faz investigação neste campo e tem bem claro para si que é fundamental o apoio mútuo entre famílias em situações semelhantes.

Mónica, consciente das limitações de Mariana e da falta de educadoras e auxiliares aptas a cuidar dela, acompanha a filha todo o tempo que passa na escola. [Fotografia de André Vidigal/Global Imagens]

Como a de Mariana, de 10 anos, que pouco depois da meia-noite começa a dar sinal, entre choros, gritos e uma respiração ríspida e pesada. Rebola na cama, o que faz a mãe, Mónica Afonso, correr, uma, duas, três e tantas outras vezes, quase seguidas, entre a cozinha e o quarto.

    Para Mónica, o estilo de vida a que se viu obrigada, quando passou a cuidadora da filha, é o culpado pelo cancro contra o qual teve de lutar em 2012, quando esta tinha apenas três anos.


Até o sol nascer, a antiga professora de educação física continua a fazer maratonas para garantir que a filha não se engasga e que tem a melhor noite de sono possível. Corre, mais uma vez, também para a alimentar, processo feito através de uma sonda gástrica. Mónica confessa que já prefere «nem dormir de todo» enquanto Mariana descansa.

São raras as frações de segundo em que os pais, Nuno e Mónica, tiram os olhos do pequeno visor do telemóvel através do qual olham a filha, no seu quarto, onde instalaram um sistema de vigilância. Mariana Afonso Rita foi diagnosticada à nascença com paralisia cerebral.

Os pais, naturais de Faro, são hoje os seus cuidadores informais. Para Mónica, o estilo de vida a que se viu obrigada é o culpado pelo cancro contra o qual teve de lutar em 2012, quando a filha tinha apenas três anos. Noites mal dormidas, refeições fora de horas e pouco cuidadas, e ainda o stress constante para cuidar de Mariana e tê-la sempre debaixo de olho.

Mais de cinco anos depois, Mónica já não tem vestígios da doença, mas isso não a descansa. Os exames médicos confirmam que o cancro não teve origem genética, por isso, podia estar diretamente associado ao estilo de vida. «Continuo com falta de descanso. Ou seja, não estou fora de risco. E a Mariana está cada vez maior e exige cada vez mais trabalho. Tenho medo de a deixar e ao Nuno sozinhos».

Procurar assistência ao domicílio foi uma opção para Mónica, mas o resultado nunca foi o esperado e o rendimento familiar não chegava para mais. «Pagava 300 euros por três horas», conta. E assim, consciente dos custos que acarretava contratar uma força extra ou institucionalizar, tornou-se cuidadora informal da filha.

    Institucionalizar está, para estas mães, fora de questão. Não só pelo quão dispendioso pode ser, mas porque «ninguém tem capacidade para cuidar destas crianças» como os pais.

Ana David e Filipe Pereira, pais de Rodrigo, com 8 anos, residentes em Alenquer, vivem o mesmo fado. Assim como Mariana, o seu filho é portador de paralisia cerebral. Ana despediu-se e decidiu ficar em casa e passar a ferro para fora, enquanto cuida de Rodrigo, que necessita de vigilância durante todo o dia. Contudo, o pequeno negócio «chega apenas para os alfinetes», conta.

«Durmo muito pouco. Passo a ferro até às duas da manhã, porque tenho de fazê-lo quando o Rodrigo está a dormir, com ele ao pé de mim, vigiado por causa dos vapores. Mas o que é que acontece? Muitas vezes ele acorda. E volto a não dormir, nem a trabalhar», lamenta.



Ana David e o filho Rodrigo. A mãe teve que deixar o trabalho para cuidar do rapaz. «Estamos a sacrificar a vida, enquanto poupamos dinheiro ao Estado», diz Ana. [Fotografia de Filipe Amorim/Global Imagens]

Na sua casa, não pode faltar nem medicação, nem fraldas, nem seringas. «Isto é para a epilepsia. Isto para o estômago. Esta é uma vacina que ele está a fazer agora durante dez dias a ver se passa um bocadinho melhor o inverno em termos de infeções respiratórias, isto são antibióticos que entretanto tivemos de mudar e que já não lhe fazem efeito. Isto é para ajudar a evacuar». É um processo já quase automatizado e todas as soluções parecem ter duros efeitos secundários para o seu filho: «Prisão de ventre, dores de cabeça, mal-estar. E a irritabilidade, o pior».

O regime de cuidados continuados, no qual o Rodrigo está inscrito, deveria garantir que a criança tem assistência em casa, «mas ninguém aparece», conta a cuidadora. «Veem que a mãe está cá e decidem que não é necessário. É uma desresponsabilização do Estado».

Institucionalizar está, para estas mães, fora de questão. Não só pelo quão dispendioso pode ser, mas porque «ninguém vai ter capacidade para cuidar desta criança» como os seus pais, lamenta Ana.

É na Escola Básica de Montenegro, em Faro, que a filha de Mónica e Nuno tem crescido, numa turma de ensino especial. Sempre acompanhada pela mãe que, consciente das limitações da Mariana e da falta de educadoras aptas para cuidarem dela, decidiu não a deixar sozinha um único segundo neste desafio.

«Na primeira semana, a Mariana teve ataques. Na segunda, a mesma coisa. A partir da quarta, começou a estabilizar e a habituar-se à rotina», conta, acrescentando que estes ataques podem surgir ainda hoje, levando a filha a aguentar apenas dez minutos de aula.

Ana David diz também fazer parte desta moldura: embora não fique para a aula, como Mónica, a procura de mais estímulos para o filho faz com Ana tente que ele vá à escola sempre que possível. Mesmo que para isso tenha de percorrer 80 quilómetros todos os dias – 20 para lá, 20 para cá, antes do almoço, 20 para lá novamente e 20 para cá, já no final da tarde. Terapia da fala, fisioterapia e terapia ocupacional. Rodrigo tem de tudo.

A mãe de Rodrigo perde a conta também ao número de viagens que todos os anos faz entre casa e internamentos. E sabe que, um dia, uma escolha difícil pode bater-lhe à porta, mas garante: «Eu quero o Rodrigo cá, assim, como está agora, que ainda tem alguma qualidade de vida.»

 
    Ana David define assim o que se passa em Portugal no que respeita aos cuidadores informais: «Estamos a sacrificar a vida, enquanto poupamos dinheiro ao Estado».

 
Mas e depois dos filhos, o que fica? É a pensar no futuro dos milhares de cuidadores informais que Mónica Afonso propõe que «seja dada a possibilidade, por parte do governo, de profissionalizar o cuidador informal».

«Os cuidadores estariam registados na junta e seria essa junta que daria um ordenado ao cuidador. Porque, se o filho morrer, consegue fazer-se à vida, porque esteve a descontar nas horas em que cuidou do filho. Há muitos pais que perderam a capacidade de trabalhar em qualquer lado», explica.

Ana David define assim o que se passa em Portugal nesta matéria: «Estamos a sacrificar a vida, enquanto poupamos dinheiro ao Estado».

Sem esconder o cansaço acumulado de cuidar há 37 anos sem interrupções, Rosália concorda e pede o «justo reconhecimento», para si e para os 827 mil cuidadores que existem em Portugal, 207 mil deles a tempo inteiro.

 

    «Pessoalmente, acho que os cuidadores informais vão ser matéria para as próximas eleições legislativas, para angariar mais votos» diz Maria dos Anjos Catapirra

 
As despesas de Liliana, revela Rosália, rondam os 500 euros mensais, sendo que «a única ajuda» que recebem é da reforma da doente, «200 euros», e «um subsídio por assistência de terceira pessoa, de 120 euros mensais», um valor que está longe de cobrir todas as sessões de terapias de que Liliana necessita e que não daria para pagar nem três dias de um cuidador profissional.

Não conseguir proporcionar à filha tudo aquilo de que necessita é «uma grande frustração» para Rosália, que considera que o Estado deveria suprir essas necessidades e tornar acessíveis as terapias de que a filha precisa para ter qualidade de vida. «Deixam-nos ao abandono, sozinhos, numa luta tão difícil».

 

Maria dos Anjos Catapirra, da Associação Nacional de Cuidadores Informais tem lutado ativamente pelo Estatuto do Cuidador [aqui numa manifestação à porta da Assembleia da República]. Atrás dela, com o cartaz azul, Rosália Ferreira, mãe de Liliana. [Fotografia de Reinaldo Rodrigues/global Imagens]

Maria dos Anjos Catapirra, presidente da mesa da Assembleia da Associação Nacional de Cuidadores Informais, é uma das grandes ativistas da luta pelo Estatuto de Cuidador, denuncia a falta de apoio do Estado, tanto a nível social como financeiro, mas aposta que a formalização do Estatuto será adiada por mais um ano.

«Pessoalmente, acho que os cuidadores informais vão ser matéria para as próximas eleições legislativas, para angariar mais votos. Portanto, penso que este problema será discutido só no próximo Orçamento do Estado», diz.

    «Sinto que estou abandonada e preciso que o Estado me reconheça, por todo o meu esforço, por todo o meu trabalho. Eu tenho rosto, mas sinto-me invisível», diz Rosália Ferreira.

 
Numa altura em que PCP e Bloco de Esquerda já apresentaram dois projetos-lei para avançar com o Estatuto de Cuidador Informal, e que CDS e PAN avançaram com propostas de resolução, a Associação Nacional de Cuidadores vai reclamando «pelo menos três direitos essenciais».

Tal como já se faz em alguns países europeus, exige-se a «contagem para uma carreira contributiva», «mexidas na legislação laboral» – com direito, por exemplo, a dias de descanso adicionais para conseguirem tratar de questões dos doentes e a flexibilidade nos horários – e, por fim, que seja «instituído um subsídio, principalmente para quem cuida a tempo inteiro».

O reconhecimento do Estado, através do Estatuto de Cuidador Informal, é urgente para Mónica, Ana, Rosália e todos milhares que se encontram na situação destas mães.

«Sinto que estou abandonada e preciso que o Estado me reconheça, por todo o meu esforço, por todo o meu trabalho. Eu tenho rosto, mas sinto-me invisível», diz Rosália Ferreira.



Propostas dos projetos-lei do PCP e Bloco de Esquerda:

    Formação, aconselhamento e capacitação dos cuidadores informais (PCP e BE)
    Ajuda psicossocial para minimizar o desgaste físico, psicológico e impactos sociais (PCP)
    Apoio domiciliário de acordo com as necessidades específica, com, pelo menos, um enfermeiro, um psicólogo, um assistente social e um assistente operacional (PCP)
    Reforço da protecção laboral (PCP e BE)
    Melhores subsídios de assistência à 3.ª Pessoa e do Complemento por Dependência (PCP e BE)
    Apoio social com medidas de maximização dos rendimentos de inserção laboral e de combate à pobreza (BE)
    Acesso preferencial a cuidados de saúde (BE)
    Medidas preventivas de preservação da integridade do cuidador informal, nomeadamente, em relação aos seus dias de descanso (BE)


Cuidadores informais em números

    100 milhões de pessoas que prestam cuidados informais na Europa;
    827 mil cuidadores em Portugal;
    207 mil cuidadores informais estão a tempo inteiro em Portugal;
    A maioria são mulheres entre os 45 e os 75 anos;
    Associação Nacional de Cuidadores Informais criada em Junho de 2018;
    Os cuidadores informais poupam ao Estado 333 milhões de euros por mês, quatro mil milhões de euros por ano.
    Desde 2016 luta pelo Estatuto de Cuidador Informal – petição
    PCP e o BE já apresentaram projetos-lei, enquanto PAN e o CDS avançaram com propostas de resolução;

O que exigem?

    Mais apoios económicos
    Horários flexíveis nos seus trabalhos
    Benefícios fiscais;
    Contagem para a carreira contributiva;

O que estão a perder?

    Oportunidades no mercado de trabalho;
    Poder económico;
    Saúde. Sofrem de ansiedade, depressão, exaustão e isolamento.


Fonte: https://life.dn.pt/familia/falta-muito-para-ser-criado-um-estatuto-do-cuidador-em-portugal/?fbclid=IwAR2ss7eWwW9M4eIWsXD2ZXxRCEk5ARccpGr7uMExt2L8vvQFHkBJAH2OF90
 

Offline migel

 Estatuto do cuidador informal cai. Saiba o que muda na Lei de Bases da Saúde

Gestão dos estabelecimentos do SNS é prioritariamente pública, mas temporariamente pode ser feita por privados e sector social. Proposta de Lei de Bases da Saúde aprovada em Conselho de Ministros não define como.
Ana Maia

14 de Dezembro de 2018, 6:30


adriano miranda


Maria Belém Roseira, ex-ministra da saúde e coordenadora da comissão que foi nomeada pelo Governo para a revisão da Lei de Bases da Saúde, lamenta a ausência, no diploma aprovado nesta quinta-feira, de um artigo especificamente dedicado aos cuidadores informais — na proposta que tinha apresentado ao executivo previa expressamente que viesse a ser criado um “estatuto do cuidador informal”.


“Para nós foi importante dignificar o papel das pessoas que exercem essas funções, para que haja o reconhecimento da sociedade. Assim [com a proposta aprovada em Conselho de Ministros nesta quinta-feira], não nos parece que fique adequadamente reconhecido em sede de lei de bases", diz Maria de Belém.


A proposta do Governo de Lei de Bases da Saúde mantém a existência de taxas moderadoras, com isenções e limites máximos de pagamento. E a possibilidade de hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) poderem ser geridos por entidades privadas ou do sector social. O diploma foi divulgado ao princípio da noite.

Na exposição de motivos, o Governo assume que o crescimento do sector privado tem sido, quase sempre, acompanhado “por efeitos negativos para o SNS”, por exemplo, “ao nível da competição por profissionais de saúde”, e que a proposta apresentada “é intencionalmente concisa”, para que o conteúdo “não restrinja desnecessariamente” a função executiva dos governos.

Maria de Belém considera, numa primeira apreciação do diploma aprovado, que é dado pouco ênfase à prevenção da doença e à promoção da saúde. “Parece mais uma lei de bases da doença do que da saúde. As pessoas não têm apenas direito a cuidados de saúde, têm direito a prestações de saúde. O que significa que a promoção da saúde e a prevenção da doença, que na nossa proposta era central, aqui aparece de forma mais genérica, com uma linguagem menos pedagógica.”

E acrescenta: o diploma do Governo “é uma lei técnica de saúde, mas não é uma proposta de lei de bases da saúde, é uma lei técnica sem filosofia”.

O PÚBLICO sintetiza a proposta do Governo, que ainda tem de ser discutida na Assembleia da República, onde já deram entrada outros dois projectos. Um do BE e outro do PCP.

    “É uma lei técnica de saúde, mas não é uma proposta de lei de bases da saúde, é uma lei técnica sem filosofia”
    Maria de Belém

1. Cuidadores informais

“A política de saúde deve incentivar a adopção de medidas promotoras da responsabilidade social, individual e colectiva, nomeadamente apoiando voluntários, cuidadores informais e dadores benévolos.” É esta a única referência aos cuidadores informais na proposta do Governo. O projecto que resultou da comissão de revisão liderada por Maria de Belém criava uma base para os cuidadores, onde previa que a lei estabelecesse o estatuto dos cuidadores informais e reconhecesse o “importante papel” dos mesmos. Referia ainda que os ministérios da Saúde e do Trabalho teriam de definir medidas de apoio aos cuidadores e às pessoas cuidadas.


A questão dos cuidadores não estava prevista na proposta que o BE entregou na Assembleia da República há seis meses. Mas o deputado Moisés Ferreira admite que este será uma das adendas que o partido quererá fazer. “Foi uma das boas propostas que resultou do grupo de revisão.”
Datas-chave da revisão

Novembro de 2017

António Arnaut, fundador do PS e autor da lei que criou o SNS em 1979, junta-se ao antigo deputado e coordenador do Bloco de Esquerda, o médico João Semedo, e escrevem o livro Salvar o SNS. Está lançado o debate sobre a revisão da Lei de Bases da Saúde.

Dezembro de 2017

Um grupo de várias personalidades de esquerda entrega uma petição na Assembleia da República pela revisão da lei. O documento sublinha a necessidade de uma nova visão sobre a saúde, sobretudo na sua promoção, prevenção da doença e da presença da saúde em todas as políticas. Arnaut e Semedo estão entre os primeiros subscritores.

Janeiro de 2018

É criada a Comissão de Revisão da Lei de Bases da Saúde, presidida por Maria de Belém, ex-ministra da Saúde.

Junho de 2018


É apresentado o esboço da nova Lei de Bases da Saúde. Permanece em discussão pública até 19 de Julho. Maria de Belém vinca a intenção de ter um sistema centrado nas pessoas e na promoção da saúde.

Dezembro de 2018

O Conselho Consultivo da Entidade Reguladora da Saúde critica a proposta de Lei de Bases. Segundo esta entidade, a proposta em discussão é demasiado vaga sobre a relação entre os sectores público, privado e social e deve esclarecer melhor o papel do Estado. Rita Marques Costa

 
2. Público vs privado

A proposta do Governo refere que, “primordialmente, a protecção da saúde é assegurada pelo SNS” e que a lógica da relação do público com os sectores privado e social “é de cooperação”, explicou a ministra da Saúde antes da apresentação do diploma aprovado em Conselho de Ministros, acrescentando que “a contratação de entidades terceiras é assumida, mas ela é claramente condicionada à avaliação da necessidade”.
Exclusividade dos profissionais de saúde é uma medida positiva, mas “paga-se”

Esta é uma ideia semelhante à que constava do documento da comissão de revisão, que também falava em cooperação entre sectores. Prevê-se a gestão de estabelecimentos públicos por parte de entidades privadas ou sociais. A proposta do Governo especifica que essa gestão é temporária e supletiva. Mas não define se a gestão se faz através de parcerias público-privadas ou através de outro tipo de contratos.

Moisés Ferreira aponta a existência de “ambiguidades e insuficiências” na formulação do executivo. “Diz que a gestão dos estabelecimentos é pública, mas que supletivamente pode ser cedida. O ministério disse que clarificava a relação público-privado, mas não nos parece que haja clarificação quando diz que funcionam em cooperação. Devia ficar claro que é complementar.” Contactado pelo PÚBLICO, o PCP, que defende o fim das parcerias público-privadas, não quis comentar uma proposta que ainda não conhecia.

3. Taxas moderadoras


O Governo prevê a continuidade das taxas moderadoras no SNS, que rendem anualmente entre 160 e os 170 milhões de euros. “São previstas isenções em função da condição de recursos ou de doença e um tecto máximo”, disse a ministra Marta Temido. A proposta do grupo liderado por Maria de Belém sugeria a existência de limites ao montante a pagar por cuidado e por ano, “com o objectivo de proteger os beneficiários do pagamento excessivo por prestações públicas de saúde”.


4. Financiamento

O SNS deve ser financiado pelo Orçamento do Estado. Na pré-proposta previa-se que o financiamento público se devia aproximar da média da União Europeia. Essa referência foi substituída. Fala-se agora de “um valor mínimo” de financiamento. A despesa no sector corresponde a cerca de 12% a 13% da despesa global do Estado, ligeiramente abaixo da média internacional, que é de 15%.



Fonte: Publico
« Última modificação: 14/12/2018, 10:19 por migel »
 

Offline migel

Helena Lagartinho
1 h ·

Estes políticos de meia tigela, não conseguem bem perceber no que se estão a meter
Somos 800 mil ,mas um dia destes, não vamos querer cuidar, assim iremos entupir hospitais,assembleia da República, misericórdias .
Nós e de quem cuidamos ,pois não confiamos nos trabalhos dos outros
Tenham vergonha andam a roubar todos os contribuintes pagam 1040€ as instituições e eles ainda se queixam ,os cuidadores informais mesmo reconhecidos poupam dinheiro público ,dinheiro de todos os contribuintes
O estado não nós quer reconhecer ,enchendo assim os bolsos às instituições,com o dinheiro de todos os contribuintes

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Offline migel

"Espanto e desalento." Associação de Cuidados Paliativos fala em "oportunidade perdida"

14 de DEZEMBRO de 2018 - 17:56

Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos está descontente com a exclusão do Estatuto de Cuidador Informal na proposta da lei de bases da Saúde, algo que diz ser uma oportunidade perdida para Portugal se aproximar da Europa.


Foto: TIAGO PETINGA/LUSA
Afonso Guedes


Espanto e desalento. É assim que uma plataforma de três associações recebe a notícia de que o Estatuto do Cuidador Informal não está na proposta da Lei de Bases da Saúde .

Para Duarte Soares, presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativo, a não inclusão do Estatuto na proposta é mesmo uma oportunidade perdida para aproximar Portugal do resto da Europa.
Ouça as declarações de Duarte Soares à TSF

"Total incompreensão e insatisfação e não podemos reagir de outra forma atendendo aos meses e anos de colaboração construtiva na tentaiva de aproximar Portugal da política europeia. É um equívoco este adiar da realidade e urgente dar condições aos cuidadores informais", contou Duarte Soares à TSF.

Apresentada ontem, a lei de bases da saúde parte das conclusões de um grupo de trabalho liderado por Maria de Belém Roseira. No seu parecer o grupo de trabalho que lidera sublinhou que seria positivo incluir o Estatuto do Cuidador Informal na legislação. Sugestão que o ministério da Saúde optou por não seguir, colidindo com as leituras do presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativo que não concorda com a opinião de Marta Temida, ministra da Saúde.
Ouça aqui a opinião da ministra da Saúde, Marta Temido

Não considerando hipotecada a intenção de fazer algo em relação aos cuidadores informais, a ministra diz que "o cuidador informal é muito mais do que apenas saúde" e afeta setores como os fiscais, os apoios sociais e a educação e, por isso, "não fazia sentido detalhar a um nivel de lei de bases que, em última instância, tem intervenção de outros setores."
Ouça as declarações de Duarte Soares

Já o presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativo, Duarte Soraes, fala do trabalho realizado "no sentido de criar condições para os cuidadores de uma forma definitiva e clara que era colocar o Estatuto na lei de bases e não estar à espera que, não havendo esse Estatuto, depois que haja iniciativas pouco claras e consistentes."

As várias associações de cuidadores ponderam agora pedir uma audiência ao Presidente da República que é acusado pelo PCP e pelo de Esquerda de condicionar o debate sobre a Lei de Bases da Saúde.

Marcelo Rebelo de Sousa já se mostrou, por várias vezes, favorável à causa dos cuidadores informais.

Fonte: TSF
 

Offline migel

Re: Tudo em relação a estatuto do cuidador
« Responder #5 em: 16/12/2018, 10:36 »
Ministra da Saúde garante que estatuto do cuidador informal não foi "hipotecado"

Marta Temido defende que não fazia sentido detalhar o estatuto do cuidador informal na Lei de Bases, aprovada ontem. A Ministra diz que o tema não é apenas da tutela da Saúde, mas assegura que não ficará esquecido. Associações portuguesas mostram-se descontentes com a proposta.
Lusa e PÚBLICO
 

A ministra da Saúde, Marta Temido, considera que não fazia sentido detalhar na Lei de Bases um estatuto do cuidador informal, que é uma matéria que tem intervenção de vários sectores.


Em declarações à agência Lusa, a ministra frisou que a proposta do Governo para a nova Lei de Bases "refere o cuidador informal", mas não entra em detalhe porque é uma questão que diz respeito a vários sectores e não apenas à saúde. A ministra entende que "não está minimamente hipotecada a intenção" relativamente ao cuidador informal.


"Não fazia sentido, na minha perspectiva, detalhar, ao nível de uma Lei de Bases da Saúde, uma intervenção que, em última instância, tem também - se a queremos real, pragmática e efectiva - a intervenção de outros sectores", afirmou.

Contudo, a ministra diz ter "perfeita consciência" de que os cuidadores informais são uma necessidade e considera que, da parte da saúde, é necessário garantir, sobretudo, dois aspectos: a formação dos cuidadores informais e o apoio a estas pessoas no sentido do descanso necessário.

Marta Temido insiste, contudo, que o cuidador informal é "muito mais do que apenas saúde", recordando a necessidade de assegurar aspectos fiscais e apoios sociais.

O Conselho de Ministros aprovou na quinta-feira a proposta para nova Lei de Bases da Saúde que será, agora, submetida à aprovação da Assembleia da República. Na proposta do Governo, é referido que "a política de saúde deve incentivar a adopção de medidas promotoras da responsabilidade social, individual e colectiva, nomeadamente apoiando voluntários, cuidadores informais e dadores benévolos".

A proposta resulta do projecto apresentado pela Comissão de Revisão da Lei de Bases da Saúde, que esteve em discussão pública e foi alvo de pareceres dos parceiros do sector.

No documento elaborado pela comissão, liderada pela antiga ministra da Saúde Maria de Belém Roseira, a lei estabelecia o estatuto dos cuidadores informais e reconhecia o seu "importante papel".


continue a lêr aqui:  https://www.publico.pt/2018/12/14/sociedade/noticia/ministra-saude-garante-estatuto-cuidador-informal-nao-hipotecado-1854754?fbclid=IwAR1L8JUfCQCRThn0t195o_kIoOXqPmJi-MUVGqPe__DSsCsF0ywuZ0yJd2A
 

Offline migel

Re: Tudo em relação a estatuto do cuidador
« Responder #6 em: 16/12/2018, 19:00 »
É tempo de a minha mãe ser só mãe e não mãe cuidadora



Rita e Inês, com paralisia cerebral, aguardam a aplicação do Modelo de Apoio à Vida Independente, aprovado há um ano. Os contratos com os centros que vão gerir a medida estão agora a ser assinados. Para já vão beneficiar 722 pessoas.
Rita chegou ao segundo ano da faculdade com muito trabalho, empenho e motivação. Sempre andou em escolas regulares. Ela e a irmã Inês entraram para o jardim-de-infância aos três anos e meio. "Teve uma boa integração", conta a mãe, Helena Lagartinho. "Andaram na Quinta dos Girassóis, tudo foi adaptado para elas estarem e interagirem com as outras crianças. Eram sempre convidadas para todas as festas de anos, mesmo que fossem em insufláveis. Elas iam e brincavam, valeu-me a ajuda da minha filha mais velha, mas sempre fui com elas a todo a lado, nunca houve da parte dos amigos qualquer reação negativa, ajudaram-nos sempre a seguir o caminho que pretendíamos, quebrar paradigmas e barreiras, lutar pela integração."

Foi assim que Rita continuou a lutar na escola primária e na secundária de Massamá, zona onde ainda hoje reside. Aí encontrou professores que ficavam aflitos quando viam uma aluna de cadeira de rodas, mas que "depois lhes passava, porque a Rita e a Inês foram sempre das melhores alunas".

Rita recorda o tempo em que apanhou um diretor de escola que a quis obrigar a ir às aulas de Educação Física, "ficávamos a olhar durante 50 minutos ou os 90. Para quê? Os professores dispensavam-nos disso, mas ele achou que tinha de ser assim". Até o desafio de superar o chumbo à disciplina com trabalhos para compensar as faltas, Rita e Inês aceitaram. "Tínhamos de fazer trabalhos escritos. Fazíamos sobre modalidades", conta, e a sorrir comenta: "Até me dava gozo, eu gostava da matéria."

Foi sempre o desporto que a motivou, à irmã Inês eram as letras, frequenta também o segundo ano de Estudos Portugueses, na faculdade de Letras. Mas tudo contribuiu para que hoje esteja onde está, com muita ajuda, mas agora quer caminhar para outra vida. Aquela com que tem sonhado até aqui e que a mãe e os amigos a fizeram sempre acreditar que é possível. "Ser independente, ter a minha casa, o meu trabalho, no fundo ser eu, pessoa, ativa e independente."

Tem direito à Prestação Social para a Inclusão (PSI), de 260 euros, até aos 18 anos teve direito ao abono de família de cem euros, por ser pessoa com deficiência. A partir de agora, espera ter direito a um assistente pessoal. Até porque caminha para o final do curso, "são três anos, no final, temos de fazer um estágio e não queria chegar ao ponto de ter de ir com a minha mãe para o estágio ou para o trabalho", argumenta.

A mãe, Helena, diz mesmo que tal não será possível, porque em vez de uma ela tem duas a precisarem da mesma ajuda, e ela não se pode desdobrar. "Ou trabalha uma ou outra, andar com as duas para todo o lado não vai ser possível", remata.

Hoje, aos 22 anos, continua a lutar, pela integração, pela vida independente. Como diz, "está na hora, estou a crescer e quero viver de outra forma. É claro que nunca irei cortar o cordão umbilical com a minha mãe, mas está na hora de ela ser só mãe, e não mãe cuidadora. Foi assim que funcionou com as outras filhas, é assim que quero que seja comigo".

A tirar Ciências da Comunicação na Faculdade de Letras de Lisboa, Rita aguarda que o Modelo de Apoio à Vida Independente (MAVI), medida legislativa aprovada em outubro do ano passado pelo governo, seja posto em prática. Ela e a irmã Inês, também com paralisia cerebral, uma situação que a mãe diz ter surgido no parto, por lhes terem retirado o ventilador antes do tempo, aguardam o dia em que poderão ter para elas a autonomia e a independência que qualquer jovem da idade delas anseia. Ou até que a outra irmã, Carolina, a última deste grupo de trigémeas, que não sofreu nesta situação por ter tido sempre o ventilador, já tem.
Modelo de vida independente avança em 30 instituições
O Decreto-Lei 129-2017 estabelece o programa MAVI, que assenta na disponibilização de uma assistência pessoal às pessoas com deficiência, procurando inverter, segundo fundamenta o próprio governo, "a tendência de institucionalização e de dependência familiar", fomentando "o primado do direito à autodeterminação" por parte destas pessoas.

Depois de muita discussão de como concretizar a medida, o governo chegou à conclusão de que a melhor forma seria através dos Centros de Apoio à Vida Independente (CAVI). São estes que vão ser financiados para gerirem a medida, o recrutamento, distribuição e gestão de cada assistente pessoal.

Segundo o decreto, estes centros são "as entidades responsáveis para a operacionalização das respostas aos projetos-piloto aprovados no âmbito dos Fundos Comunitários Estruturais e de Investimento". Aos CAVI compete "estabelecer regras, criar e organizar o funcionamento desta medida, definindo os respetivos destinatários e as condições de elegibilidade".

A secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, disse ao DN que sempre batalhou por esta medida, mesmo antes de estar no governo, mas admitiu também "não estar a inventar nada. É um modelo que já existe em vários países, Inglaterra, Suécia, Noruega, etc., não estamos a inventar a pólvora". Nestes países, sublinha, os modelos de aplicação da medida é que também são diferentes, "alguns optaram por incentivar as próprias pessoas a constituírem-se como cooperativas e a gerirem elas o serviço de assistente pessoal".

Em Portugal, serão os CAVI, e na semana passada foram já aprovadas 30 candidaturas para desenvolver este projeto nas regiões norte, centro e Alentejo. Destas 30, 21 já foram notificadas e os contratos serão assinados nas próximas semanas, informou o gabinete da secretária de Estado da Inclusão. À partida, o valor global de apoio a estas candidaturas é de 27 milhões de euros, o que representa apoio a 722 beneficiários e 592 assistentes pessoais. Mas o DN não conseguiu saber quantas pessoas terão necessidade de usufruir desta medida.

A opção pelos CAVI, estando a maioria a ser desenvolvida por instituições que já antes prestavam outros cuidados, foi para ter a certeza de que esta função tem de ser encarada como "um desempenho profissional, quem o assumir vai ter de fazer muita formação e perceber quais são os seus limites, porque também não poderá entrar pela vida das pessoas".

Por outro lado, quem beneficiar da medida também "vai ter de perceber que a pessoa que lá está, é para a ajudar nas tarefas básicas que não consegue realizar. A assistência pessoal será para ajudar quem não tem autonomia na higiene pessoal, no banho, pentear, vestir, transportar. As necessidades variam de pessoa para pessoa, um cego não precisa de ninguém que lhe dê banho, mas precisa de alguém que o ajude ao nível da organização das suas coisas", explica a secretária de Estado.

Ana Sofia Antunes argumenta ainda que esta medida vem resolver uma situação que desde sempre é assumida pela família ou ainda pela versão de empregada doméstica. Ela própria assume ter uma pessoa assim consigo há anos nesta versão. E o que se pretende agora é que seja uma "função profissional, com muita sensibilização e formação para não haver abusos. É dizermos às pessoas, tens de ter um apoio para a tua autonomia, mas é preciso que essa função esteja regulamentada. Nalguns casos, o assistente pessoal não está lá em casa para cozinhar com regularidade, obviamente que o fará se a pessoa tiver absoluta incapacidade para isso, mas se calhar estará lá para o transportar, para o ajudar na sua higiene, etc".

Para a governante esta foi uma das medidas que faziam parte das suas prioridades e que diz conseguir concretizar três anos após o início do mandato. Vai ser uma medida com apoios comunitários e um projeto-piloto por três anos, vamos ver como funciona. Para a governante, os prazos foram os possíveis, para a pessoa com deficiência com esta necessidade "já devia estar a ser aplicada, não se admite tanto tempo", defendeu ao DN a mãe de Rita e Inês.


Fonte: DN
 

Offline migel

Re: Tudo em relação a estatuto do cuidador
« Responder #7 em: 16/12/2018, 19:54 »
Viver para cuidar, cuidar sem viver


Adiam projetos, deixam de fazer planos, vivem para cuidar dos outros. Com familiares dependentes, de várias idades e com diferentes doenças, as suas escolhas são impostas pela falta de melhor opção. Têm um trabalho invisível à espera de ser reconhecido pelo Estado, como já acontece noutros países. Em Portugal existem, pelo menos, 800 mil cuidadores informais. Por amor, dão tudo. Em troca, exigem direitos.
05/11/2018


João não fala, não anda. Ana Catarina Ferreira, 41 anos, cuidadora 24 sobre 24 horas, deixou a profissão de educadora de infância para abraçar o filho. (Foto: Tony Dias/Global Imagens)

Texto de Cláudia Pinto


Depois da perda da primeira filha, Matilde, às 29 semanas de gestação, Ana Catarina Ferreira e Nuno Nogueira arriscaram nova gravidez, um ano depois. João nasceu em 2007 e superou todas as expectativas da mãe, longe de imaginar o que o futuro lhe reservaria. O primeiro ano de vida foi dividido entre internamentos, convulsões e outras ocorrências. Hoje, com dez anos, continua sem um diagnóstico e com a suspeita de “síndrome de Lennox-Gastaut”, doença rara, do quadro das epilepsias graves.

João não fala, não anda, tem, por vezes, contacto ocular e ultimamente faz umas vocalizações que parecem comunicativas. “O João não é uma desilusão, é um salvador porque nasceu com vida. Se ele não desiste, que direito tenho eu de desistir?”, questiona a mãe. “Há vida para celebrar”, diz. Aos 41 anos, Ana é cuidadora 24 sobre 24 horas. Para trás, uma profissão “que adorava”. Era educadora de infância. “Senti-me atropelada pela vida, sem hipótese de escolha”, comenta a aveirense. Este é agora o seu projeto a tempo inteiro, como tem sido o de Helena Lagartinho, desde há 23 anos.


Foto: Tony Dias/Global Imagens

    “O João não é uma desilusão, é um salvador porque nasceu com vida. Se ele não desiste, que direito tenho eu de desistir?” (Ana Catarina Ferreira)


A ex-contabilista mora em Sintra, tem cinco filhas, das quais três são trigémeas: Carolina, Inês e Rita. A primeira não tem qualquer problema de saúde, mas as duas últimas têm paralisia cerebral ou “diversidade funcional”, como a mãe prefere intitular, para afastar o estigma associado à doença.

“Investi muito nelas, tentei vários tratamentos, cá e no estrangeiro, porque o que o Estado nos faculta são sessões de fisioterapia de 30 minutos, duas vezes por semana, claramente insuficientes, e acabei por desistir”, desabafa. Nos três primeiros anos, Helena teve direito a uma licença sem vencimento, e foi nesse momento que reuniu a família.

Havia decisões a tomar. Voltar ou não a trabalhar e institucionalizar ou não as filhas? “Tinha muito medo dessa opção e, com consenso familiar, decidimos tornar a vida de ambas o mais inclusiva possível”, frisa. Após um percurso escolar normal, faltam três semestres para concluírem as licenciaturas respetivas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Inês está a tirar Literatura em Estudos Portugueses e Rita optou por Artes e Humanidades, com Comunicação e Cultura. A primeira é atleta de paradressage; a segunda já editou um livro e está a escrever outro para publicar no próximo ano.

A logística não é fácil: os dias começam cedo e acabam tarde, com Helena a amparar as tarefas das filhas. A levá-las e trazê-las da universidade, as terapias e os treinos de equitação. A mãe não tem dúvidas – o percurso de sucesso resultou dos cuidados em casa. “Olhar para elas e ver o que conquistaram é um enorme orgulho. Escolhi cuidar e não trocava a minha vida por outra”, enfatiza. Sabe que não tem carreira contributiva e que não vai ter reforma. “Os cuidadores informais são voluntários do Estado que, por sua vez, os ignora”, critica Helena.

    “Olhar para elas e ver o que conquistaram é um enorme orgulho. Escolhi cuidar e não trocava a minha vida por outra”. (Helena Lagartinho)


   

Ana Catarina Ferreira recebe pouco mais de 120 euros por mês, entre subsídio para assistência de terceira pessoa, subsídio de assistência a filho com deficiência e abono de família. O valor cobre apenas uma semana de fisioterapia. João faz quatro sessões semanais no privado e necessitava de mais, mas financeiramente isso não é viável para os pais. O resto é a somar, como fraldas, medicação e equipamentos.

    “Os cuidadores informais são voluntários do Estado que, por sua vez, os ignora”. (Helena Lagartinho)

Um Estatuto e vários direitos
São inúmeras as necessidades dos cerca de 800 mil cuidadores informais existentes no nosso país e cujo dia é assinalado esta segunda-feira, 5 de novembro. Por isso, exigem a criação do “Estatuto do Cuidador Informal” em Portugal, que reforce apoios sociais para quem cuida dos familiares, tal como existe noutros países, como o Reino Unido, a Alemanha, a Irlanda, a França e a Suécia.

Após uma petição entregue em 2016, para salvaguardar os direitos de pessoas que cuidam dos familiares com diferentes doenças e graus de incapacidade, e após algumas manifestações e vigílias junto ao Parlamento, foi criada, em junho, a Associação Nacional de Cuidadores Informais (ANCI), para dar mais força a uma luta prolongada no tempo. “Não vamos desistir. Há pessoas que cuidam há mais de 20 anos, que vão empobrecer e nem direito a reforma terão. Algumas delas nem ao médico vão porque não têm com quem deixar o familiar doente”, garante Sofia Figueiredo, 41 anos, presidente da Direção.

    “Há pessoas que cuidam há mais de 20 anos, que vão empobrecer e nem direito a reforma terão. Algumas delas nem ao médico vão porque não têm com quem deixar o familiar doente”. (Sofia Figueiredo, presidente da ANCI)

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, manifestou publicamente o apoio a essas reivindicações no primeiro encontro de cuidadores informais, realizado em setembro, em Vila Nova de Cerveira, adiantando que acredita na aprovação do estatuto antes das eleições legislativas do próximo ano.

“Em 2018, em pleno Estado Social, fazer de conta que não existem os cuidadores informais e os que por eles são acompanhados, não é só um erro imperdoável, é um atropelo incompreensível a um valor fundamental que se chama respeito pela dignidade humana”, afirmou na ocasião.


Sofia Figueiredo, à direita, é presidente da Direção da Associação Nacional de Cuidadores Informais e promete continuar a lutar (Foto: Lusa)

Para já, o que o Orçamento de Estado (OE) para 2019 trouxe foi uma norma, um compromisso que indica que o Estado “irá reforçar o apoio aos cuidadores informais e o direito ao descanso do cuidador por via da Rede Nacional dos Cuidados Continuados Integrados”, explica o deputado do Bloco de Esquerda, José Soeiro.

O partido apresentou um projeto-lei que está em debate na especialidade na Assembleia da República. “Os cuidadores informais são a coluna vertebral dos cuidados prestados em Portugal e é importante reforçar os apoios sociais aos cuidadores e às pessoas dependentes”, adianta. Faltam ainda as audições às Secretárias de Estado da Saúde e da Segurança Social, “que se prevê que aconteçam em dezembro”, acrescenta.

    “Os cuidadores informais são a coluna vertebral dos cuidados prestados em Portugal e é importante reforçar os apoios sociais aos cuidadores e às pessoas dependentes”. (José Soeiro, deputado do BE)

O Grupo Parlamentar do PS assume essa norma como “o início de um caminho que tem de ser percorrido”, comprometendo-se a “continuar a acompanhar a matéria com atenção e sensibilidade, mas também com responsabilidade”, salienta a deputada Idália Serrão. Helga Correia, deputada do PSD, considera a norma “uma mão cheia de nada”, defendendo “que a partidarização da matéria leva a um caminho de demagogia não apresentando uma solução sustentável”.

O CDS-PP assume que tem acompanhado a problemática há algum tempo, tendo emitido algumas recomendações ao Governo. “Somos os primeiros a pedir cautela, mas lamentamos que o Governo esteja em falta e, relativamente ao OE, não nos deixamos iludir. Não é mais nem menos do que um processo sem verbas alocadas para a operacionalização daquilo que são intenções”, sustenta a deputada Isabel Galriça Neto.

Também o PCP apresentou um projeto de lei com o objetivo de estabelecer medidas de apoio aos cuidadores informais e às pessoas em situação de dependência, mostrando-se preocupado “com a necessidade de se dar prioridade ao processo legislativo, pelo que se espera que, logo que possível, sejam agendadas as audições em falta e se dê início ao trabalho do grupo do Estatuto dos Cuidadores Informais”, diz o deputado João Dias.

Foto: Carlos Costa/Global Imagens

Cristina Rodrigues, da Comissão Política Nacional do PAN, defende “medidas que pretendem contribuir para auxiliar o cuidador na diversidade de esforços, tensões e tarefas e que o podem conduzir à exaustão, com impacto a nível físico, psicológico, social e económico na vida do cuidador e da pessoa cuidada”.

Uma única opção, diferentes realidades
Tinham uma boa vida e planos para a reforma, enquanto trabalharam numa empresa familiar na área de equipamentos de segurança. João Silva, 66 anos, e a mulher, Ana Maria Silva, de 65, foram obrigados a deixar para trás a ideia de vida calma e sossegada que esperavam alcançar quando se reformassem. O diagnóstico de esclerose múltipla chegou sem aviso prévio, em 2008.

Depois, várias mudanças se precipitaram, quase sem tempo para decidir: fechar a empresa, vender a casa e mudar para outra mais espaçosa, em Oeiras [onde ainda foi necessário fazer obras na casa de banho]. Casados há 44 anos, o olhar cúmplice não engana: é por amor que se cuida. “Estamos cansados e cada vez mais isolados”, assume João, sem um único dia de férias desde 2010. Ana, que a doença lhe deixa mexer apenas a mão esquerda, emociona-se ao expressar como é difícil viver assim. “Nem sei que lhe diga. Eu não queria que ele tivesse este trabalho comigo”, observa, com voz trémula.

O trabalho começa cedo, em dias rotineiros, que podem incluir uma chamada de urgência de Ana enquanto o marido está a fazer compras. É ele que trata da medicação, que lhe faz companhia, que cozinha. E com uma reforma penalizada em 60%, por a ter solicitado antecipadamente, para manter a mulher em casa. “A única pessoa neste país que trabalha gratuitamente é o cuidador. Somos números para estatística. Se um dia eu desaparecer, o que será da minha mulher?”, questiona.

    “A única pessoa neste país que trabalha gratuitamente é o cuidador. Somos números para estatística. Se um dia eu desaparecer, o que será da minha mulher?” (João Silva, 66 anos, cuidador)

Raquel Barbosa, psicóloga e professora auxiliar da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, alerta para o facto de o processo ser lento e sinuoso. “As pessoas nem se apercebem do isolamento em que ficam”, diz, sublinhando a importância e a necessidade de afastar ideias de culpabilização.

“É preciso assegurar que o cuidador tenha alguém que o possa substituir em caso de necessidade. Há que criar estratégias que afastem pensamentos de egoísmo ou abandono. Só cuidando de si estarão em melhor condição para cuidar dos outros.”


Tinham planos para a reforma. João Silva, de 66 anos, e a mulher, Ana Maria Silva, de 65, foram obrigados a deixar para trás os sonhos. O diagnóstico de esclerose múltipla chegou sem aviso prévio. (Foto: Paulo Spranger/Global Imagens)

Ao contrário de João Silva, Jorge Nunes partilha a função de cuidador informal com a mulher, Anabela Crispim. “Penso muitas vezes nos cuidadores que estão sós e que devem passar o dobro das tormentas que nós passamos. Sozinho, provavelmente, não conseguiria”, confessa.

Na divisão de tarefas imposta pelo Alzheimer da mãe Fernanda, diagnosticado há dez anos, e depois do falecimento do pai [com a mesma doença], há tempo para algum escape. Fundamental, até porque, para além de todas as contrariedades, fizeram questão de se mudar para casa de Fernanda, de forma a lhe proporcionar o maior conforto possível. Jorge não dispensa o apoio ao clube da terra, o Amora, e ajuda como voluntário na ANCI; Anabela dá cor à vida nas aulas de pintura.

“Também há dias em que eu fico e ela vai ao cabeleireiro. É importante mantermos algum tempo para nós”, realça Jorge. Opções que a psicóloga Raquel Barbosa considera “absolutamente cruciais” na prestação de cuidados “e que poderão ser muito úteis para gerir os momentos de maior stresse”, garante.

O outono trouxe uma certa apatia a Fernanda. De olhar distante, perdido, a verbalizar pouco, retribui os beijinhos que o filho e a nora lhe dão. O corpo está preso a uma mente provavelmente confusa. Jorge confessa que há momentos ainda piores. “Nem está num mau dia. Pensei que iriam vê-la a dormir”, refere, sem esconder a satisfação.

Os dias são divididos por turnos. Uma noite, dorme Jorge. Na outra, fica acordado e dorme Anabela. “Estamos numa fase mais severa em que a minha mãe se levanta de madrugada. O mais incrível é que, na última junta médica, saímos de lá com a indicação de que a minha mãe estava capaz de viver sozinha”, sublinha o filho, incrédulo. Como ajuda, e porque Jorge e Anabela já se encontravam fisicamente desgastados, recebem apoio domiciliário ao nível de higiene, todas as manhãs, tal como acontece com João Silva e Ana Maria.


Jorge Nunes e a mulher, Anabela Crispim, fizeram questão de se mudar para casa da mãe dele, Fernanda, de forma a que o Alzheimer, diagnosticado há dez anos, seja enfrentado pela doente com o maior conforto possível. (Foto: Carlos Costa/Global Imagens)

Fátima Sousa, assistente social e voluntária na ANCI, preocupa-se, essencialmente, com a questão da sustentabilidade económica e o agravamento da situação de pobreza de alguns cuidadores. No que se refere às instituições de apoio e suporte para os cuidados – como, por exemplo, centros de dia, centros ocupacionais, internamentos temporários, ajudas técnicas e apoios domiciliários -, considera que as respostas “são escassas e nem sempre vão ao encontro do que as famílias precisam”.

“Para nós, profissionais, também é frustrante não poder responder às necessidades. Muitas vezes, o que nos resta, é ouvir, ser empáticos e estar ao lado dos cuidadores na difícil tarefa de cuidar”, confessa.

    “Para nós, profissionais, também é frustrante não poder responder às necessidades. Muitas vezes, o que nos resta, é ouvir, ser empáticos e estar ao lado dos cuidadores…” (Fátima Sousa, assistente social)

“Depois, logo trato de mim”
Olinda Silva e Rosa Mendes têm 88 anos. São avó e tia de Carla Neves. A primeira tem Alzheimer. A segunda junta a demência à fibrilhação auricular. Moram na Figueira da Foz, na mesma casa que os pais de Carla, Vítor e Alice Neves. A ex-locutora de rádio abre a porta da moradia, dividida em três andares, onde se duplicam os cuidados. “Por dia, subo 960 degraus”, pormenoriza.

A avó está numa situação mais complicada, já acamada, com o Alzheimer a ditar dias de calmaria ou de maior agressividade, verbal e física. “Nos momentos de crise, tento mentalizar-me que se deve à doença e que não é teimosia ou feitio”, desabafa. Foi há oito anos que Carla começou a vida de cuidadora. Com uma voz forte e bem colocada, lembra os tempos em que era locutora de rádio [em Lisboa], profissão que a preenchia e à qual gostaria de regressar um dia. Um dia. Não sabe quando. De regresso à Figueira, ainda abriu uma loja de presentes, mas foi obrigada a fechar por não conseguir conciliar o negócio com a função de cuidadora.

A tia é mais autónoma, mas exige vigilância. Lá por casa, são três a dividir os cuidados. Fazem uma espécie de escala com tarefas por horários. “No primeiro ano da doença, foram muitas as noites que dormi nas escadas com medo que a avó se levantasse e caísse, quando ainda tinha alguma autonomia”, recorda. E como se lida com o cansaço? “Nem vale a pena falar nisso. Vivemos em piloto automático”, responde.

Durante o dia, de meia em meia hora, troca a avó de posição para evitar escaras e outro tipo de desconfortos. À noite, pelas quatro da manhã, levanta-se para lhe trocar a fralda. Tem duas agendas, uma para a tia e outra para a avó, em que anota todas as informações que poderão ser úteis nas consultas médicas. Sempre que vai à urgência com a avó, leva três malas, uma espécie de “kit SOS”, que inclui fraldas, medicação, gelatina, papa de fruta, mudas de roupa, uma mantinha, uma almofada, termómetro.

Alice, Carla e Vítor Neves cuidam de Olinda Silva e de Rosa Mendes, ambas com 88 anos. A primeira tem Alzheimer, a segunda junta a demência à fibrilhação auricular. São avó e tia de Carla. “Por dia, subo 960 degraus”, diz a ex-locutora de rádio. (Foto: Fernando Fontes/Global Imagens)

Em casa, há um móvel com medicamentos, devidamente organizados e assinalados, não vá o cansaço atraiçoar a atenção necessária. “Coloco uma garrafa de litro e meio no quarto todas as manhãs, é essencial que esteja hidratada.” Estas e outras estratégias estão presentes na página que criou no Facebook, em abril de 2017, a que deu o nome “E de nós, quem cuida?”, com o objetivo de dar alento e ideias práticas a outros cuidadores.

Com um namoro longo, a vida conjugal tem sido muito comprometida. Carla não coloca a hipótese de ir viver com o namorado. “Temos um relacionamento feliz, mas não abandono os meus”, assegura. Dão-se ao direito de passar os fins de semana fora e de tirar “cinco dias de férias por ano”. Sofre de dores nas costas há bastante tempo, mas vai adiando a procura de ajuda. “Depois, logo trato de mim.”

A esse respeito, André Nobrega, médico de Medicina Geral e Familiar na USF Íris, pertencente ao ACES Maia-Valongo, sublinha que “os cuidadores anulam, muitas vezes, as suas necessidades para se dedicarem totalmente ao dependente. Muitos não só adiam ou evitam os cuidados com a promoção e manutenção da saúde como desvalorizam a necessidade de recorrer aos serviços e a profissionais de saúde quando estão doentes”.

Bernardo Gomes, médico de saúde pública da Administração Regional de Saúde do Norte faz visitas domiciliárias e tem contacto direto com os cuidadores. “Não é incomum ter pessoas a chorar quando lhes pergunto como estão. Ficam surpreendidas. Esquecem-se disso, não pensam. A sua vida é fundida com as pessoas de quem cuidam. É preciso sinalizar e acompanhar essas pessoas, mitigando efeitos do cuidado crónico”, revela.

    “Não é incomum ter pessoas [cuidadores] a chorar quando lhes pergunto como estão. Ficam surpreendidas.” (Bernardo Gomes, médico)

“Essencialmente, no amor”
Apologista de que são urgentes alternativas viáveis, André Nóbrega deseja que “os serviços devem permitir que a decisão de se tornar cuidador informal seja tão voluntária quanto possível”. E acrescenta: “Não haverá muitas profissões que envolvam o trabalhador em tantas dimensões e de forma tão densa, ao longo das 24 horas do dia, como acontece aos cuidadores informais e, no entanto, ainda pensamos neles essencialmente como desempregados voluntariosos”.

Ana Catarina Ferreira, Carla Neves e Helena Lagartinho não têm carreira contributiva. Se nada mudar, não terão direito a reforma. Não baixam os braços e esperam que o Estatuto do Cuidador Informal seja uma realidade para breve e venha ajudar os cuidadores que hão de vir. “A ser aprovado, não será em meu benefício, mas em prol de uma melhor qualidade de vida para o meu filho. Gostava que o Estado olhasse para mim como uma pessoa e não apenas como a mãe do João. Esta é uma vida que nos é imposta, não a escolhemos. Abdicamos de muita coisa, temos de fazer uma grande gestão do orçamento familiar e aprender a viver com menos. Ainda assim, cuidamos dos nossos e fazemo-lo com amor”, diz Ana.

Carla tem saudades de sair com os amigos para “rir às gargalhadas” e de ter “a cabeça livre” quando acorda. O que a move? “Saber que estou a fazer algo que gostava que me fizessem. Quando envelhecer, gostaria de ficar em minha casa e ser cuidada pelos meus”, explica. João não esconde a revolta da falta de apoios: “Por ano, poupamos quatro mil milhões de euros por ano ao Estado e não temos direitos. Gostava que os políticos fossem conscientes e atenuassem a dor dos cuidadores informais”, desabafa. Aprendeu a viver dia a dia, sem vislumbrar o futuro. Jamais institucionalizaria a mulher. “Mal ou bem, lá vou fazendo o que sei. Se passamos a vida inteira com alguém, é porque temos sentimentos, e não há outra forma de fazer as coisas.”

    “Por ano, poupamos quatro mil milhões de euros por ano ao Estado e não temos direitos. Gostava que os políticos fossem conscientes e atenuassem a dor dos cuidadores informais”. (João Silva, cuidador)

Helena teve cancro de mama há dois anos e recusou-se a fazer quimioterapia porque sabia que as filhas “iam perder um semestre da faculdade”. Ficou-se pela cirurgia e por sessões de radioterapia às 21 horas, “depois de as deixar prontas para dormir”. “Estou entregue a Deus”, afirma.

O próximo objetivo é ver as gémeas a trabalhar, na certeza de que “jamais chegariam à universidade se tivessem crescido numa instituição”. Jorge reforça a importância dos cuidadores terem os próprios escapes para não caírem em depressão. E sabe como ninguém onde se alimentar, de forma a continuar essa (in)grata missão: “Essencialmente, no amor”.


fonte: https://www.noticiasmagazine.pt/2018/viver-cuidar-cuidar-sem-viver/?fbclid=IwAR1n0eEqbZkkBhBsdEffKqNcoUVIfoRhq2WumRewpRkiwlFilfr5h7NWbpA
 

Offline migel

Re: Tudo em relação a estatuto do cuidador
« Responder #8 em: 16/12/2018, 20:32 »
Legislação sobre cuidadores informais já está a ser preparada e avança até outubro
14/12/2018, 18:19985


Nova Lei de Bases da Saúde deixou de fora o estatuto do cuidador informal. Mas o Governo garante que vai avançar com legislação para proteger estas pessoas, ainda durante esta legislatura.


A ministra da Saúde, Marta Temido, deixou de fora o estatuto do cuidador informal da nova Lei de Bases da Saúde

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
Autor


Apesar de a proposta do Governo para a nova Lei de Bases da Saúde ter deixado de fora o estatuto do cuidador informal, o executivo já está a preparar legislação no sentido de proteger as pessoas que se encontram nesta situação, confirmou o Observador junto dos ministérios da Saúde e do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

A proposta apresentada pela Comissão de Revisão da Lei de Bases da Saúde, liderada pela ex-ministra socialista Maria de Belém, incluía um artigo exclusivamente dedicado aos cuidadores informais, prevendo a criação de um estatuto para proteger estas pessoas. Mas a proposta do Governo, aprovada nesta quinta-feira em Conselho de Ministros, deixou de fora essa garantia e manteve apenas a referência à necessidade de reconhecer o papel que têm.

“A lei deve promover o reconhecimento do importante papel do cuidador informal, a sua responsabilização e capacitação para a prestação, com qualidade e segurança, dos cuidados básicos regulares e não especializados que realizam”, lê-se na proposta do Governo.

Ao Observador, o Ministério da Saúde justificou a diferença entre a proposta da comissão e a redação final. “A proposta de Lei de Bases, que agora seguiu para apreciação e votação no parlamento, não contempla uma base específica para o cuidador informal, porque é uma matéria intersetorial, envolvendo várias áreas do governo, nomeadamente Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Educação ou Finanças, com quem terá de haver uma articulação próxima”, disse fonte oficial do gabinete da ministra Marta Temido.

“Nesse sentido, confirmamos que o Governo pretende avançar com medidas na área do cuidador informal. A Lei de Bases terá de ser complementada com legislação adicional em matérias específicas como esta”, avançou a mesma fonte, que confirmou que o trabalho de preparação desta legislação já está em curso, em cooperação com outras áreas do Governo, designadamente com o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

Questionado pelo Observador sobre se este trabalho é ainda para esta legislatura, fonte oficial do gabinete de Vieira da Silva respondeu afirmativamente e lembrou que o Orçamento do Estado para 2019 inclui uma norma programática sobre o assunto.

No relatório que acompanhava a proposta de Orçamento do Estado lia-se que, “em 2019, o Governo diligenciará no sentido do desenvolvimento de medidas de apoio dirigidas aos cuidadores informais e às pessoas cuidadas, de forma a reforçar a proteção social do cuidador informal principal e ainda a acompanhá-lo, a capacitá-lo e a prevenir situações de risco de pobreza e de exclusão social”.


Observador
 

Offline migel

Re: Tudo em relação a estatuto do cuidador
« Responder #9 em: 26/12/2018, 11:37 »
Mais de que um calendário,é um grito de alerta, para a necessidade urgente da criação do estatuto do cuidador informal

A pré reserva pode ser a partir de hoje

Pode ser diretamente a cada mãe cuidadora e interveniente no calendário
Ou na pág mães &mães cuidadoras

O calendário têm um preço de 5€+portes (caso não consigamos entrega em mão,por razões de logística)
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ESTATUTO do CUIDADOR INFORMAL





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Offline migel

Re: Tudo em relação a estatuto do cuidador
« Responder #10 em: 26/12/2018, 11:58 »
Marcelo fala dos 1,8 milhões de pobres e insiste no cuidador informal

Presidente da República afirma que a criação de um estatuto do cuidador "merece o esforço de todos" e deve ser uma "causa nacional".
Lusa
23 de Dezembro de 2018, 21:22


LUSA/RODRIGO ANTUNES


O Presidente da República disse hoje que é preciso olhar para os 1,8 milhões de portugueses em situação de pobreza e frisou ser necessário adoptar medidas como a criação do estatuto do cuidador informal.


Numa intervenção no Palácio de Belém, onde recebeu a "Luz da Paz", uma iniciativa em Portugal da Cáritas e dos Escuteiros, Marcelo Rebelo de Sousa reafirmou a necessidade da criação desse estatuto, depois de já o ter feito em Novembro passado, quando considerou ser uma causa que "merece o esforço de todos".


Numa mensagem publicada na página da Presidência da República na Internet a propósito do Dia do Cuidador, Marcelo Rebelo de Sousa sustentou na altura que a criação de um estatuto próprio "é uma causa que é nacional", que "reúne o apoio de todos os partidos" e frisou que a continuará a defender "até que seja uma realidade".

Há uma semana, em Coimbra, o Presidente disse de novo que é um defensor do cuidador informal, frisando: "O fundamental é que haja um estatuto para o cuidador informal" em Portugal. A proposta de Lei de Bases da Saúde aprovada recentemente não reconhece esse estatuto.

Hoje, no Palácio de Belém, Marcelo Rebelo de Sousa voltou a referir-se ao tema, acrescentando que também são necessárias medidas para apoiar os que não podem sair de casa, referindo-se ao apoio domiciliário.


Fonte: Publico
 

Offline migel

Re: Tudo em relação a estatuto do cuidador
« Responder #11 em: 03/01/2019, 10:52 »
Porque teimam os cuidadores informais no reconhecimento do seu trabalho?

Por Susana Pedro , 03 de Janeiro de 2019 Apoios Sociais

Nem sempre a rede de instituições que sustenta a proteção dos mais idosos funciona com a celeridade e condições que seriam desejadas e necessárias. Esta situação vem agudizar-se com o aumento da população envelhecida e, concomitantemente, com o aumento da esperança média de vida.

Quando existe este espaço entre as necessidades verificadas pelos mais idosos e dependentes e a resposta das Instituições, é sobre a família que recai toda a responsabilidade de cuidar do idoso.

    Quando aqui falamos de cuidar, estamos a aludir a cuidados prolongados de saúde, que necessitam de vigilância e ação permanentes.


Esta situação faz com que, passando a responsabilidade de cuidar do idoso para a família, por norma a Mulher se assuma como a responsável principal pela diligente manutenção dos cuidados de saúde do idoso. É aqui que aparece a figura do Cuidador Informal.

A importância da ação do Cuidador Informal

Cuidar de uma pessoa em condição absoluta de dependência e em que os cuidados primários de saúde devem ser extremosa e criteriosamente aplicados é, por si só, uma situação de elevado desgaste físico e emocional. Aliada a esta situação de esforço e cedência da sua vontade individual em função do cuidado necessário, o cuidador informal pode, ainda, abdicar da sua estabilidade financeira, ao deixar muitas vezes de lado o seu emprego e/ou a sua carreira, pois só assim é possível garantir a continuidade do tratamento da pessoa com necessidade de cuidados de saúde.

É, portanto, indubitável a importância do papel do cuidador informal no seio familiar e comunitário enquanto garante da dignidade da pessoa idosa. A par disto, não deve ser descurada a importância dada por si a nível económico, se considerarmos que desenvolve um trabalho que sustenta a saúde e o cuidado em relação ao próximo. O cuidador informal é, portanto, um pilar importantíssimo e um recurso humano que deve ser considerado em toda a sua dimensão.

Assevera-se fácil defender a ideia do reconhecimento legal e financeiro do estatuto do cuidador informal.

    Uma figura que tanto de si dá em prol do outro ou de outros e que ajusta o equilíbrio da dignidade humana deverá, em qualquer perspetiva, ver apoiada a sua própria existência e condição financeira.


Este tem sido um diálogo muito presente no seio da política e do governo portugueses. Erguem-se as vozes de apoio a estes anónimos que desenvolvem solitária e silenciosamente um trabalho absolutamente necessário.

Pretende-se formação, descanso e benefícios

O trabalho desenvolvido pelos cuidadores informais espraia-se em diversas direções, e estes indivíduos não beneficiam de formação especializada para aplicar devidamente cuidados de saúde que, em muitos casos, podem ser altamente exigentes. Como referimos, não têm qualquer remuneração ou contrapartida do ponto de vista financeiro.

​Para além de serem os responsáveis por ministrarem cuidados de saúde com elevado espetro de exigência e sem qualquer treino, os cuidadores informais são a base da manutenção da dignidade do idoso contribuindo para a sua estabilidade emocional. A isto adiciona-se, ainda, o facto de desenvolverem um trabalho sem qualquer baliza temporal, já que não existem limites de tempo para cuidar de quem necessita de apoio.

​O valor do trabalho levado a cabo pelo Cuidador Informal

Valores avançados pelo jornal Público estimam que, em Portugal, os cuidadores informais cheguem perto de 1 milhão e que o valor, em termos financeiros, do trabalho por eles desenvolvido alcance os 4 biliões de euros por ano.

A par do debate no seio da sociedade portuguesa, têm sido defendidas várias medidas que possam apoiar o cuidador informal e que reconheçam o valor do seu trabalho:

- ​​Criação do Estatuto do Cuidador Informal;

- Reconhecimento e enquadramento jurídico dos direitos do cuidador;

- Apoio e formação dada ao cuidador informal para que possa eficazmente desenvolver a sua ação;

- Desenvolvimento de estruturas que potenciem o descanso do cuidador informal e de equipas de profissionais que o possam ajudar a lidar com o desgaste emocional;

- Apoio financeiro prestado ao cuidador informal e que o seu horário laboral possa ser ajustado sem perda de vencimento.


Fonte: https://www.laresonline.pt/pt/blog/porque-teimam-os-cuidadores-informais-no-reconhecimento-do-seu-trabalho/
 

Offline migel

BE quer estatuto do cuidador informal aprovado brevemente
« Responder #12 em: 13/01/2019, 11:10 »
BE quer estatuto do cuidador informal aprovado brevemente

13 Jan, 2019, 09:07 / atualizado em 13 Jan, 2019, 09:07 | Política
BE quer estatuto do cuidador informal aprovado brevemente


A ver: BE quer estatuto do cuidador informal aprovado brevemente

O Bloco de Esquerda espera ver aprovada, até março, a proposta para um estatuto de cuidador informal. A situação tem implicações com milhares de pessoas que cuidam de deficientes e esperam que o estado reconheça direitos sociais.

 

Video aqui: https://www.rtp.pt/noticias/politica/be-quer-estatuto-do-cuidador-informal-aprovado-brevemente_v1122452?fbclid=IwAR2G3hGh3irDeu5nq3cfut0z-Bh8xty9Dwt3PhL4ncfkIodK1gR7xqU8aCA

RTP
 

Offline migel

Trabalho de cuidadores informais vale quatro mil milhões de euros
« Responder #13 em: 17/01/2019, 11:19 »
Trabalho de cuidadores informais vale quatro mil milhões de euros

Esta será uma das conclusões do estudo encomendado pelo Governo para servir de suporte à criação de um estatuto jurídico e de medidas de apoio para estes cuidadores, diz o ‘Público’.


O trabalho prestado por cuidadores informais estará calculado à volta de 333 milhões por mês e cerca de quatro mil milhões de euros, de acordo com o jornal ‘Público’. A mesma publicação estima que existam cerca de 800 mil pessoas que cuidam em casa das pessoas que estão dependentes de si.

Esta será uma das conclusões do estudo encomendado pelo Governo e que deve servir de suporte para a criação de um estatuto jurídico e de medidas de apoio para estes cuidadores explica o ‘Público’.

Entre as recomendações que constam neste estudo estará a possibilidade de os cuidadores passarem a ter licenças laborais de emergência, um plano de apoio, e uma linha de apoio permanente, diz a mesma publicação.


Fonte: https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/trabalho-de-cuidadores-informais-vale-quatro-mil-milhoes-de-euros-279124?fbclid=IwAR2yIXFqfmpZmkwua6B6GhobXG0yvdRmugZqRZVRXCiuT0rCGUyselNJkxA#.XD4ZaiVBxTV.facebook
 
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Offline migel

CDS-PP defende criação do Estatuto do Cuidador Informal
« Responder #14 em: 19/01/2019, 20:59 »
CDS-PP defende criação do Estatuto do Cuidador Informal
Sandra S. Gonçalves /


    CDS-PP defende criação do Estatuto do Cuidador Informal

A rede de cuidados continuados está esgotada, o apoio domiciliário é insuficiente, 600 camas estão ocupadas com as altas problemáticas e existem cerca de 1.000 pessoas em lista de espera para vagas nos lares. Números que confirmam a necessidade de um resposta urgente para as pessoas idosos ou que precisam de cuidados. É com esse objectivo que o CDS-PP Madeira entregou na Assembleia Legislativa da Madeira uma iniciativa para que seja criado o Estatuto do Cuidador Informal.

O partido, liderado por Rui Barreto, acredita que esta solução é a que se apresenta mais viável para solucionar um problema social sério, que envolve famílias e o próprio emprego.

O deputado António Lopes da Fonseca foi o porta-voz da iniciativa e explicou que na Assembleia da República o PS e os partidos de esquerda chumbaram em dezembro último uma proposta da antiga ministra socialista Maria de Belém, tendo o CDS retomado agora a mesma proposta para levá-la de novo ao Parlamento.

Mas o CDS Madeira não vai esperar mais. “Somos uma região com autonomia, temos possibilidades de legislar nesta matéria, ainda que na República a esquerda, toda unida, esteja contra este estatuto”, afirmou o parlamentar e acrescentou: “Temos de legislar na Região, independentemente do que se passar na República. A autonomia só é boa se for útil aos madeirenses e porto-santenses, e essa utilidade está na capacidade que temos para legislar”.

O CDS espera para ver o comportamento das outras forças políticas no Parlamento insular. “Temos que criar condições para que as pessoas possam cuidar dos seus familiares”, explica António Lopes da Fonseca, referindo que “a proposta do CDS prevê que quem cuida receba uma apoio financeiro no valor de 435 euros/mês, que é justo, porque presta uma serviço”.

O CDS reforça que irá em frente com esta proposta e espera o apoio dos outros partidos.




Fonte: https://www.dnoticias.pt/madeira/cds-pp-defende-criacao-do-estatuto-do-cuidador-informal-ED4216420?fbclid=IwAR23_GsVfauBXP5WwpHyFC_Qx3uMyf_RrZLJsXRFAz-uTo9wO7W3YoPrnRo#
 

 



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