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Autor Tópico: Tudo em relação ao cuidador informal  (Lida 30022 vezes)

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Offline AREZ II (IRMÃO)

Re: Tudo em relação ao cuidador informal
« Responder #60 em: 02/02/2021, 23:16 »
 
Texto parcial e imagem : TVI24

Governo aumenta apoios à vida independente das pessoas com deficiência... MENTIRA!

Com o meu irmão em tribunal de volta dos atrasos da componente base ainda tivemos a coragem de enfrentar esta irresponsável.

Modelo de Apoio à Vida Independente permite ter assistente pessoal

A equipa ministerial da área do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, liderada pela ministra Ana Mendes Godinho, esteve hoje no parlamento a ser ouvida no âmbito da discussão na especialidade do Orçamento do Estado para 2021 (OE2021).

Ainda sobre o MAVI, a secretária de Estado adiantou que para concretizar a majoração nos apoios que garantem assistência pessoal a pessoas com deficiência vai ser revista a portaria que regula os projetos-piloto, adiantando também o alargamento do financiamento abrange despesas conexas, como as de formação dos assistentes pessoais, e matérias relativas ao funcionamento dos centros de apoio.



 
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Re: Tudo em relação ao cuidador informal
« Responder #61 em: 10/04/2021, 10:12 »
 
Trabalho não remunerado de prestação de cuidados não pode ser invisível

Especialistas da União Europeia consideraram hoje, num evento coorganizado por Portugal no âmbito das Nações Unidas, que a prestação de cuidados, ocupando a tempo inteiro milhões de mulheres, não pode continuar a ser invisível e não remunerado.


© iStock

Notícias ao Minuto
22:59 - 17/03/21 POR LUSA

ECONOMIA PRESIDÊNCIA DA UE

"Para ter uma recuperação económica justa, temos de tornar visível o trabalho não remunerado de prestação de cuidados. Não podemos continuar a depender do trabalho gratuito das mulheres para dar potência a esta parte invisível da economia", sublinhou hoje Carlien Scheele, diretora do Instituto Europeu para a Igualdade de Género (EIGE, na sigla em inglês).

A vice-presidente do Lobby Europeu de Mulheres (LEM), Ana Sofia Fernandes, defendeu um Acordo de Cuidados da Europa e o repensar do sistema económico com uma perspetiva feminista.

Num evento paralelo no âmbito da Comissão das Nações Unidas sobre o Estatuto da Mulher (CSW), coorganizado pela presidência portuguesa do Conselho da União Europeia (UE), Comissão Europeia e Lobby Europeu de Mulheres, Carlien Scheele começou por propor um exercício mental.

O exercício consistia em imaginar que "toda a populaçao da Dinamarca e da Letónia, juntas, cerca de 7,7 milhões de pessoas, trabalhavam a tempo inteiro para dar potência à economia nacional, mas sem serem pagas e sem serem incluídas nos balanços orçamentais do governo".

"Era a situação na União Europeia antes da pandemia de covid-19, com 7,7 milhões de mulheres sem poderem ter empregos pagos, porque cuidavam de crianças ou idosos a tempo inteiro", descreveu Carlie Scheele, acrescentando que o trabalho não remunerado de prestação de cuidados foi avaliado em cerca de nove biliões de euros por ano em todo o mundo.

A diretora do EIGE declarou que "a prestação de cuidados tem de deixar de ser um sacrifício profissional e financeiro para todos os que são cuidadores", incluindo para os homens, que durante a pandemia também tiveram mais carga de prestação de cuidados ou responsabilidades domésticas.

"Para assegurar que esta mudança positiva permanece, os países devem marcar uma saudável quantidade de licença de paternidade para todos os pais", disse a especialista, promover a acessibilidade e disponibilidade de cuidados profissionais e tornar mais seguro e elegível para a segurança social os trabalhos temporários e 'part-time' nesta atividade.

Ana Sofia Fernandes, representante do Lobby Europeu de Mulheres, a maior plataforma de associações de mulheres na Europa, com mais de duas mil organizações, disse que o continente precisa de um Acordo de Cuidados.

A perita em igualdade de género criticou os governos por não reconhecer a centralidade e importância do trabalho das mulheres na prestação de cuidados a crianças ou idosos, nos momentos de crise, em que "foi o trabalho não remunerado e remunerado das mulheres que manteve a sociedade a funcionar durante os confinamentos".

Também secretária-geral da Plataforma Portuguesa para o Direito das Mulheres, Ana Sofia Fernandes disse que durante a pandemia de covid-19 "organizações da sociedade civil continuaram a preencher as lacunas na prestação de serviços e no apoio às mulheres, muitas vezes sem recursos adequados".

"Vimos o impacto de uma década de medidas de austeridade nos serviços públicos, onde a maioria de trabalhadores são mulheres. Não podemos permitir que isso volte a acontecer", declarou a vice-presidente do LEM.

Ana Sofia Fernandes pediu estratégias de recuperação baseadas na igualdade de género, em especial aplicadas à governança económica, políticas e despesa pública e defendeu "repensar o sistema económico de uma perspetiva feminista crítica", já que o atual sistema económico "não está a funcionar" para as mulheres.

A perita pediu que as medidas e os novos investimentos assegurem a inclusão de mulheres e meninas migrantes não documentadas e das mulheres afetadas pela prostituição ou exploração sexual.

Fernandes revelou ainda que existem muitos países onde o Produto Interno Bruto, um medidor do desenvolvimento económico e da riqueza, contempla áreas como prostituição, ou para as organizações feministas, "exploração".

"Porque é que isso [prostituição] é considerado nas contas nacionais, num indicador chamado PIB, quando o trabalho não remunerado das mulheres não é considerado?" questionou a vice-presidente da LEM, antes de completar "É muito simples: porque é um modelo patriarcal".



Fonte: Noticias ao minuto
« Última modificação: 10/04/2021, 10:15 por migel »
 

Online Nandito

Re: Tudo em relação ao cuidador informal
« Responder #62 em: 11/05/2021, 10:10 »
 
Cuidador Informal: Metade das candidaturas recusadas pelo Estado
Por Revista De Imprensa em 09:42, 11 Mai 2021



Cerca de metade das candidaturas ao estatuto de cuidador informal foi recusada pelo Estado, avança o ‘Jornal de Notícias’ (JN), que adianta que quase dois anos depois da sua criação, existem menos de três mil  pessoas reconhecidas como tal em Portugal, num total de 1,4 milhões.

Segundo a mesma publicação, que cita uma fonte do ministério do Trabalho, até dia 6 de maio, o Governo concedeu o estatuto a 2.719 pessoas, 759 das quais nos 30 concelhos onde decorre o projeto-piloto, até dia 31 deste mês.

A mesma fonte revela ainda ao jornal que ao todo, foram apresentados 7.453 requerimentos, 1.866 nos concelhos dos projetos-piloto. “Cerca de metade dos requerimentos apresentados encontra-se em análise, ou a aguardar a entrega de documentos, e os restantes foram indeferidos”, adianta a tutela.

O principal motivo para as recusas, adianta o jornal, é o incumprimento das condições de acesso ao estatuto: ou porque não existe uma relação familiar entre o cuidador e o dependente; ou porque as pessoas cuidadas não auferem prestações de dependência ou não as requerem quando solicitam o estatuto; ou porque os cuidadores não residem na mesma habitação ou perto da pessoa cuidada.

Para tentar que o apoio possa chegar a um maior número de pessoas, o Governo alterou as regras deste estatuto, com o ministério a recuar nalgumas exigências, permitindo mais candidaturas.

“Já foram introduzidas várias alterações ao processo de reconhecimento do cuidador informal, entre as quais: a dispensa transitória da declaração médica quanto ao consentimento da pessoa cuidada, a diminuição para 30 dias do prazo de decisão da Segurança Social ou a eliminação da necessidade de atestado médico que certifique que o requerente possui condições físicas e psicológicas adequadas”, explica a fonte em questão, citada pelo ‘JN’.

Para além disso, a tutela indica ainda que “foi também apresentada aos parceiros sociais uma proposta para reforço da proteção laboral dos cuidadores informais, relativamente à conciliação entre a vida familiar e a vida profissional”. Destaca-se ainda a possibilidade de os requerimentos de reconhecimento do Estatuto do Cuidador Informal serem apresentados, agora, sem documentos que comprovem o início da ação de acompanhamento, e uma simplificação do formulário que tem de ser preenchido.

Fonte: multinews.sapo.pt    Link: https://multinews.sapo.pt/noticias/cuidador-informal-metade-das-candidaturas-recusadas-pelo-estado/
"O Senhor detesta o caminho dos ímpios, mas ama quem busca a justiça"  Provérbios 15:9"
 

Online migel

Re: Tudo em relação ao cuidador informal
« Responder #63 em: 11/05/2021, 13:13 »
 
"Estado recusa metade das candidaturas a cuidador informal"

2719 pessoas são reconhecidas como cuidadores informais num universo de 1,4 milhões.

Recusam porque o processo não é simplificado propositadamente.

O Estado não tem interesse em atribuir justamente este estatuto a quem de direito.
O Estado prefere institucionalizar do que promover a dignidade, saúde e bem-estar das pessoas no conforto do seu lar.
O Estado desvaloriza quem cuida e priva o cuidador  da mesma dignidade, saúde e bem-estar da pessoa cuidada.
A SE para a inclusão das pessoas com deficiência está em coma induzido e este Estatuto está morto morrido antes de dar frutos.



Fonte: Facebook de Diana Soares Meireles
 

Online salgado18

Re: Tudo em relação ao cuidador informal
« Responder #64 em: 24/05/2021, 08:39 »
 
A MISSÃO DE CUIDAR


JOSÉ ALBERTO GONÇALVES

Opinião | 23/05/2021 08:00


Portentosa, soberba, a interpretação de Hopkins, coroada dum merecido  Óscar da Academia, para melhor ator.

É a história dum homem, a manifestar sinais de demência, que recusa admitir ou aceitar.

«O Pai» é uma história  de sonhos e fantasias, ou de vivências que se varreram, mas que a espaços se apresentam em moldes de realidade ou ficção.

Um Pai que recusa apoios, que rejeita quem lhe seja indicado em amparo e faz difícil a vida  a quem lhe dá o seu melhor.

A casa transformada em passarela de cuidadoras que vão saindo de cena destroçadas, incapazes de lidar com indelicadezas ou acusações que serão apenas um transbordar da confusão que se vai instalando e dominando, ou a recusa em aceitar a disponibilidade do acompanhamento.

É a história duma filha que não desiste do Pai, e que insiste e persiste, em  resiliência  notável.

Um Pai trancado nos  auscultadores que lhe dão asas, ou dificuldade da filha, bloqueada por uma realidade que se  avoluma e impossibilita  a relação?

É uma história sem a afetividade do toque, a magia dum abraço ou o calor  dum carinho.

A não ser quando o Pai, já  institucionalizado,  cede à  saudade da filha, agora distante, e  aninhado no colo duma   cuidadora, chora pelo aconchego da  mãe.

A filha, assumindo com responsabilidade e ternura a coordenação dum lento e contínuo escorregar, esquecida de si, a desvalorizar confusões e amarguras de palavras e gestos, faz-me voltar atenções para o papel dos cuidadores Informais.

«CUIDADOR INFORMAL é a pessoa familiar ou terceiro, com laços de afetividade e proximidade que, fora do âmbito profissional ou formal e não remunerada, cuida de outra pessoa, preferencialmente no domicílio desta, por se encontrar numa situação de doença crónica, incapacidade, deficiência e/ou dependência total ou parcial, transitória ou definitiva, ou em situação de fragilidade e necessidade de cuidados, com falta de autonomia para a prática das atividades da vida quotidiana».

É a definição  do DLR nº 5/2019/M, que seguindo  e adaptando legislação nacional,  lista objetivos,  perfis,  direitos e deveres dos cuidadores.

Dentre outros, é referenciado o direito a receber ajudas técnicas, como forma de aumentarem a qualidade dos cuidados prestados e a redução do desgaste físico na sua prestação.

O  direito de serem apoiados na saúde, particularmente no foro psicológico; Até  direito a apoio financeiro. Mas é tão burocrático e complexo o processo, tão irrisório o montante, que muitos preferem nem dar-se ao incómodo de o requerer. Aliás, nem isso, de longe, é o mais relevante.

Para desempenharem com eficácia a tarefa, sobretudo na demência, os cuidadores têm de estar conectados pela afetividade e proximidade à pessoa cuidada. A fragilidade progride, as capacidades vão-se apagando,  as limitações avolumam-se paulatinamente.

Só pessoas bem formadas e preparadas, ligadas por afeto e responsabilidade, atingem a empatia que a situação exige.

E é com boa dose de paciente compreensão, com ternura e disponibilidade, que a missão se assume.

Não vejo que as instituições olhem os Cuidadores pelo seu merecimento, como interventores de cariz social, verdadeiros parceiros da saúde comunitária.

Será relevante aos Cuidadores dar-se a oportunidade de estarem próximos, em partilha, desabafo, oração, incentivo, relaxamento, seja o que for…

Que sempre tenham a ventura de usufruir de amizades solidárias, confortantes, encorajadoras.

Alguma  compensação vai chegando  no afago dum olhar…


Fonte:  https://www.jm-madeira.pt/opinioes/ver/4990/A_missao_de_cuidar
 

Online migel

Re: Tudo em relação ao cuidador informal
« Responder #65 em: 27/05/2021, 12:02 »
 
Governo diz estar a preparar alterações ao código do para regular os cuidadores informais

por Antena 1
   

A ministra do Trabalho e Segurança Social adianta que estão a ser preparadas alterações ao código do trabalho no sentido de se regularem os períodos de trabalho e de descanso dos cuidadores informais.

A poucos dias do alargamento a todo o país dos projetos-piloto dos cuidadores informais, Ana Mendes Godinho promete maior divulgação pública das condições de acesso estatuto e admite que o arranque da medida ficou aquém das expectativas.

A ministra fez também uma atualização dos apoios pagos no âmbito da pandemia, revelando que entre janeiro a abril a Segurança Social gastou em apoios 64% do total despendido no ano passado.

Desde o início da pandemia foram abrangidas pelos apoios 2 milhões e 900 mil pessoas e 174 mil empresas, num total de 3 mil e 900 milhões de euros pagos, incluindo isenções contributivas.


Fonte: RTP
 

Online migel

Re: Tudo em relação ao cuidador informal
« Responder #66 em: 02/06/2021, 13:06 »
 
 
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Online migel

Re: Tudo em relação ao cuidador informal
« Responder #67 em: 04/06/2021, 13:57 »
 
Apoios. Cuidadores informais recebem, em média, 310 euros euros por mês


As pessoas que detêm o Estatuto do Cuidador Informal e que residem nos 30 concelhos-piloto estão a receber, em média, 310 euros. Apoio vai ser alargado ao resto do país.


Ana Cristina Marques
Texto
04 jun 2021, 07:46 1
   

▲O valor máximo está fixado em 438,81 euros, sendo que o apoio vai ser alargado ao resto do país

RODRIGO ANTUNES/LUSA


As 976 pessoas que detêm o Estatuto do Cuidador Informal (ECI) e que residem nos 30 concelhos-piloto recebem, em média, um apoio no valor de 310,30 euros mensais, informou o Ministério da Segurança Social ao Jornal de Notícias. Mais de 6.000 cuidadores candidataram-se ao estatuto a nível nacional, sendo que 3.562 viram as suas candidaturas aprovadas — desses, 976 estão nos concelhos-piloto e, por isso, têm direito a um subsídio estatal.


O valor máximo está fixado em 438,81 euros, sendo que o apoio vai ser alargado ao resto do país — até à data, Matosinhos, Penafiel, Amadora e Portimão foram os concelhos onde se registaram mais pedidos durante o ano em que o projeto esteve em vigor.


Em abril deste ano, a Lusa dava conta, citando o estudo do Movimento Cuidar dos Cuidadores Informais, que representa 24 associações, que quase 60% dos inquiridos não conheciam o Estatuto do Cuidador Informal (ECI), que completou a 1 de abril um ano de vigência.  Nos 30 concelhos abrangidos pelo projeto-piloto, os cuidadores têm direito, para além do reconhecimento do estatuto, a um apoio financeiro pelos cuidados prestados.

O mesmo jornal esclarece que cuidadores que recebam pensões de velhice não se podem candidatar, tal como explicado por Maria dos Anjos Catapirra, vice-presidente da Associação Nacional dos Cuidadores Informais (ANCI), que fala num total de 13.200 cuidadores só nos concelhos-piloto do projeto, alegando que existe um “leque muito grande de pessoas que não está a ser contemplado e a larga maioria são idosos”. É também ela que refere que se fala há vários meses numa campanha de divulgação do ECI, sendo que o Ministério da Segurança Social esclarece que esta será lançada “nas próximas semanas”.

Fonte: Observador
 

Online migel

Re: Tudo em relação ao cuidador informal
« Responder #68 em: 05/06/2021, 11:51 »
 
Um ano depois, seis ideias para rever o Estatuto dos Cuidadores e Cuidadoras


José Soeiro

4 JUNHO 2021 21:09


Agora que passou um ano sobre o início dos projetos-piloto e se aproxima, portanto, o momento de generalizar a todo o país o acesso ao apoio aos cuidadores e cuidadoras informais, é o momento para se fazerem balanços e exigências. E para se mudar o que está mal
Nos últimos anos, terá havido poucos processos capazes de inscrever de forma tão forte uma agenda nova no debate público como o dos cuidadores informais. Em pouco tempo, cerca de três anos, os cuidadores e cuidadoras conseguiram romper a invisibilidade social e política, ocupar espaço mediático, obrigar os agentes políticos a posicionarem-se e os partidos (mesmo os que inicialmente recusavam tal ideia!) a aprovar um Estatuto. Só que esse triunfo simbólico do movimento tem tido no Estatuto, ao mesmo tempo, a prova do seu sucesso e a razão de uma mais que justificada frustração. Na verdade, há um fosso gigantesco entre o que se pretendia e o que existe de facto.


Basta atentar aos números divulgados nesta sexta-feira: em todo o país, 3562 pessoas acederam ao Estatuto, num universo de cuidadores e cuidadoras que foi calculado pela Eurocarers em mais de 800 mil em Portugal. Nos 30 concelhos onde se realizam os projetos-piloto, apenas 976 pessoas com o Estatuto (de entre mais de 13 mil que deveriam ter direito). De acordo com o último relatório da Segurança Social, 65% dos requerimentos não tinham sido deferidos, seja por terem sido recusados (24%), seja por aguardarem documentos (32%). Esse mesmo relatório dava conta de um número ainda mais dececionante: em todo o país, só 139 pessoas tinham recebido o subsídio de apoio ao cuidador. É irrisório e mostra que o modo como o Estatuto está a ser aplicado está a boicotar o alcance e o objetivo desta política pública.

Agora que passou um ano sobre o início dos projetos-piloto e se aproxima, portanto, o momento de generalizar a todo o país o acesso ao apoio aos cuidadores e cuidadoras informais, é o momento para se fazerem balanços e exigências. E para se mudar o que está mal. Eis seis áreas que deveriam merecer a nossa intervenção.

1. Divulgar o estatuto e simplificar o processo

No dia 18 de setembro de 2020, o Parlamento aprovou por unanimidade uma proposta do Bloco para que se fizesse uma campanha nacional de divulgação do Estatuto. Na altura, mais de 3 meses depois de a medida estar no terreno, apenas 191 pessoas se tinham candidatado. O que foi aprovado devia ter sido feito de imediato: contactar diretamente todos os beneficiários das prestações por dependência (mais de 200 mil), aproveitar os Censos Sénior feitos pela GNR para divulgar o Estatuto, fazer uma campanha na televisão e rádio. Até hoje, o Governo não o fez. Por outro lado, é preciso simplificar o processo de candidatura. Mesmo tendo havido requisitos que foram melhorados, a burocracia excessiva continua a ser um obstáculo.

2. Reconhecer a dependência sem restrições injustificadas


A principal razão de recusa dos pedidos de reconhecimento do Estatuto (52,8% dos indeferimentos) é o facto de a pessoa cuidada não ser considerada pela Segurança Social como estando “dependente”. Isto acontece porque se está a fazer uma interpretação restritiva da lei, contrária ao seu espírito. Primeiro, a lei não limitava o conceito de “pessoa dependente” a quem já tivesse complemento por dependência ou subsídio de assistência a terceira pessoa. Segundo, a Segurança Social está a encaminhar mesmo quem tenha o complemento por dependência de 1º grau para juntas médicas, que têm vindo a excluir do Estatuto os cuidadores de quem não está acamado. Ora, a dependência tem muitos graus. Um doente com alzheimer, por exemplo, precisa de alguém que esteja por perto e que cuide, mesmo quando tem autonomia física. Excluir estas pessoas não tem qualquer sentido nem resulta da lei.

3. Acabar com o critério da morada fiscal e do laço biológico

Uma outra razão para um número significativo de recusas do estatuto (cerca de 17%) é o facto de cuidador e cuidadora não terem a mesma morada fiscal da pessoa cuidada. Acontece, contudo, que muitas vezes a pessoa cuidada até vai morar para casa do cuidador/a, mas mantém a sua morada fiscal. Ou o cuidador/a vai temporariamente para casa da pessoa cuidada (imaginemos uma filha que vai para casa do pai ou da mãe, por exemplo), mas mantém também a sua morada. Impedir o reconhecimento destes cuidados é descabido. Por outro lado, o laço biológico não é o único parentesco de cuidado possível. Há cuidadores-vizinhos que devem ser reconhecidos. Isso está vedado no Estatuto, mas deve mudar.

4. As medidas laborais são essenciais

O objetivo do Estatuto nunca foi reproduzir o regime de profunda desigualdade de género e injustiça social que hoje prevalece na distribuição dos cuidados. Era, pelo contrário, o de ser uma peça num tripé feito de i) mais respostas de cuidados formais (para desfamiliarizar uma parte significativa dos cuidados), ii) reconhecimento do trabalho de cuidados informais e iii) mecanismos de conciliação com a vida profissional que permitissem e incentivassem a manutenção do emprego. Esta terceira parte, que já devia estar pronta há mais de um ano (a lei obrigava o Governo a divulgar as medidas laborais 4 meses após a entrada em vigor, que foi publicada em 6 de setembro de 2019!), nunca foi feita. É urgente criar licenças para cuidados que não obriguem as pessoas a escolher entre manter o emprego ou cuidar de alguém. Essas licenças devem incentivar a partilha entre homens e mulheres.

5. Retirar cuidadores e cuidadoras da pobreza


O valor médio do subsídio de apoio ao cuidador é de 310 euros, segundo dados divulgados pelo Governo. Só que as condições de acesso são tão apertadas que só quem esteja mesmo na miséria consegue ter apoio (eram 191 pessoas a nível nacional, segundo o último relatório disponível). É preciso abrir a condição de recursos, seja no acesso, seja no montante. Por outro lado, tem de se reconhecer os cuidados prestados no passado para efeitos de carreira contributiva. Essa ausência de reconhecimento é um fator de injustiça no presente e uma condenação à pobreza no futuro, quando cuidadores e cuidadoras forem para a reforma. Sem descontos ou equivalências, as pensões serão ínfimas.

6. Mais investimento público e mais cuidados formais

O modelo de cuidados que temos não serve. Temos de deixar de imputar todas as responsabilidades à família e é preciso também quebrar o monopólio das instituições particulares na prestação de cuidados. A avaliação deste ano experimental do Estatuto poderia ser a oportunidade para essa transformação de fundo: criar um serviço nacional de cuidados sociais, com provisão pública, profissionais bem remunerados, abrangência em todo o território e modelos não institucionalizadores. Seria talvez a medida mais estrutural para combater a desigualdade e reinventar o Estado Social, alargando-o a uma esfera à qual, em grande medida, ele ainda não chegou.



Fonte: Expresso

« Última modificação: 05/06/2021, 11:53 por migel »
 

Online migel

Re: Tudo em relação ao cuidador informal
« Responder #69 em: 06/06/2021, 14:29 »
 
Cansados, ansiosos e com pouco tempo e dinheiro: como vivem os cuidadores informais
1 JUNHO 2021 23:00

Helena Bento
Jornalista



Stefanie Loos/Getty Images

Mais de metade dos cuidadores informais desconhecem a existência do respetivo estatuto ou outras medidas de apoio, conclui um estudo realizado pela Federação das Associações das Famílias de Pessoas com Experiência de Doença Mental, em colaboração com a Universidade do Minho. São poucos os que recebem apoio para cuidar e o cansaço e desgaste físico que sentem é o resultado disso. A pandemia veio tornar tudo ainda mais complicado, para os cuidadores e para as pessoas de quem cuidam. Em quase 80% dos casos, surgiram ou agravaram-se sintomas de doença mental

Arealidade não é boa nem para as pessoas que têm doença mental nem para aquelas que delas cuidam — e a pandemia ainda veio agravar mais a situação. Desde o surgimento ou agravamento de sintomas, ao fraco acesso a cuidados de saúde mental e à interrupção das atividades de ocupação, foram várias as consequências para estas pessoas. No caso dos seus cuidadores, quase sempre pais ou filhos, se já havia cansaço, passou a haver ainda mais. São estas, em traços gerais, as principais conclusões de um estudo sobre a carga da doença mental realizado pela Federação das Associações das Famílias de Pessoas com Experiência de Doença Mental, FamiliarMente, com o apoio da Escola de Medicina


Fonte: Expresso
 

Offline Pantufas

Re: Tudo em relação ao cuidador informal
« Responder #70 em: 02/07/2021, 15:28 »
 
O Movimento Cuidar dos Cuidadores Informais está a desenvolver a "Rede de Autarquias que Cuidam dos Cuidadores Informais", um projeto que identifica, através de um Selo de Mérito, as autarquias que implementem e desenvolvam medidas de apoio aos cuidados informais. A iniciativa foi apresentada recentemente à Associação Nacional dos Municípios Portugueses, que se disponibilizou para partilhar a informação com todas as autarquias do País, e conta já com o apoio da Associação Nacional de Freguesias.




#MovimentoCuidarDosCuidadoresInformais #CuidadoresInformais #RedeDeAutarquiasQueCuidamDosCuidadoresInformais
 
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Re: Tudo em relação ao cuidador informal
« Responder #71 em: 06/07/2021, 09:29 »
 
Sabia que…
De acordo com os dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, a prevalência de problemas mentais entre os cuidadores informais é 20% superior do que aquela verificada entre quem não tem esta tarefa. Depressão, ansiedade e hostilidade são situações frequentes.






Fonte: facebook


 
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Re: Tudo em relação ao cuidador informal
« Responder #72 em: 05/08/2021, 16:00 »
 
Cuidadores informais só receberam 8% dos subsídios previstos
Dos 9,9 milhões previstos para o pagamento dos subsídios aos cuidadores informais, o Governo gastou apenas 797 mil euros. Dos 1635 pedidos de subsídio apresentados nos 30 concelhos da fase-piloto, 700 foram recusados. A lei é “complicada e burocrática”, acusa representante dos cuidadores

Natália Faria

Foto

Os reformados estão automaticamente excluídos do estatuto do cuidador informal ADRIANO MIRANDA (ARQUIVO)

A implementação do Estatuto do Cuidador Informal (ECI) ficou muito aquém dos objectivos. Dos 9,9 milhões de euros orçamentados para pagamento dos subsídios aos cuidadores informais dos 30 concelhos que integraram a fase-piloto da medida


Continue a lêr https://www.publico.pt/2021/08/04/sociedade/noticia/cuidadores-informais-so-receberam-8-subsidios-previstos-1972968?fbclid=IwAR3r2-afvAcPMXCnK8F30ZuG7x_0iAsaRCZdt71-zWO-cvepdWBIyaeHqoM
 

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Re: Tudo em relação ao cuidador informal
« Responder #73 em: 05/08/2021, 17:26 »
 
 

 



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