O Departamento de Produção e Sistemas da Universidade do Minho (U) está envolvido na criação de um software avançado que permite determinar o maior número de pares dador-receptor compatíveis em programas de doação renal cruzada.
O objectivo é maximizar o número de transplantes renais cruzados, proporcionando uma maior qualidade de vida aos portadores de insuficiência renal crónica, que atinge anualmente mais de dois mil portugueses.
O projecto deverá estar concluído em Dezembro 2012 e conta com a colaboração da Autoridade para os Serviços de Sangue e da Transplantação e das universidades do Porto e de Lisboa.
Segundo Filipe Alvelos, investigador do projecto e professor do Departamento de Produção e Sistemas da UM, a doação renal cruzada vem responder aos problemas de incompatibilidade entre grupos sanguíneos ou do sistema HLA - antigénios de leucócitos humanos, possibilitando o cruzamento entre vários pares dador-receptor, constituídos por pessoas incompatíveis entre si, e tornando estes transplantes possíveis.
Ou seja , esta tecnologia surge como uma solução para os pacientes com insuficiência renal que são incompatíveis com os seus dadores vivos relacionados e para os quais o transplante com recurso a dador cadáver não teve resultados positivos.
O software pretende optimizar o emparelhamento de doentes renais com dadores vivos compatíveis, analisando periodicamente um universo de pares dador-receptor inscritos num sistema até determinar a melhor solução.
O trabalho insere-se no âmbito do projecto KEP - New Models for enhancing the kidney transplantation process. A investigação está a ser coordenada pela professora Ana Viana, do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores (INESC) do Porto.
A insuficiência renal crónica é uma doença provocada pela deterioração lenta e irreversível da função renal. São várias as doenças que podem provocar lesões nos rins e provocar a insuficiência renal crónica (hipertensão arterial, diabetes mellitus, algumas doenças hereditárias).
Anualmente, surgem cerca de dois mil casos de pessoas com esta enfermidade. Correio Do Minho