Desperdício e mau uso são problemas na prescrição de medicamentos, apontou ontem, segunda-feira, a ministra da Saúde, Ana Jorge. Mas o bastonário da Ordem dos Médicos não responsabiliza os profissionais pela falta de racionalidade do sistema, propício ao desperdício, diz.
Durante as comemorações do Dia Mundial da Saúde Mental, a ministra alertou que "psicofármacos são receitados de modo muito pouco racional" e anunciou que a partir de Março a prescrição será "obrigatoriamente electrónica", permitindo a "racionalização e um controlo mais eficiente".
Mas Pedro Nunes, bastonário da Ordem dos Médicos, defende que o desperdício e mau uso nas prescrições não são culpa dos médicos, mas problemas próprios do sistema. Melhorar a acessibilidade dos doentes aos médicos de clínica geral e familiar é uma das alterações que podem reduzir o desperdício, aponta o bastonário.
"Não pode acontecer que, por falta de acesso dos doentes aos cuidados, se generalize o hábito de pedir longas listas de medicamentos", explicou ao JN, defendendo que é necessário evitar "esta lógica de supermercado".
Sugere ainda a venda de medicamentos em "embalagens mais pequenas" e a melhoria da segurança das receitas médicas, como formas de cortar o desperdício.
Pedro Nunes refere que é necessário identificar "doente a doente e o que ele consome" para detectar desvios, como nos casos em que doentes com protecções especiais pedem medicação excessiva, "para toda a família".
Reconhece que o novo sistema de prescrições é uma medida positiva por permitir maior eficiência e controlo do processo clínico do doente.
Fernando Almeida, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra, explica que a unidade não identifica desperdícios no tratamento de doentes com patologias associadas à saúde mental.
No serviço ambulatório, "há uma forte ligação entre o médico e o doente", daí que as prescrições sejam efectuadas em "articulação entre os dois", refere.
No entanto, diz, é possível reduzir os custos do internamento nas unidades hospitalares especializadas, com a criação de cuidados continuados integrados para receber doentes residentes, que não necessitam de tratamento hospitalar permanente.
O Dia Mundial da Saúde Mental assinalou, este ano, os cuidados continuados e integrados para doentes de saúde mental.
Fonte: JN