Motorista da Câmara de Braga suspeito de abusar de deficiente
O Ministério Público de Braga está a investigar o alegado envolvimento de um motorista da Câmara Municipal de Braga em actos de pedofilia com um rapaz deficiente. O funcionário foi suspenso. Não transporta crianças, mas mantém-se como motorista.
A notícia correu célere, ontem, sexta-feira, na cidade de Braga. Um funcionário da autarquia, entretanto suspenso, terá aproveitado a sua condição de motorista de uma carrinha de transporte de crianças portadoras de deficiência, da autarquia, para, alegadamente, abusar sexualmente de um rapaz de 14 anos, deficiente, a troco de "dinheiro e bolos". Os abusos aconteciam, alegadamente, no percurso entre a escola e a casa do menor, após o horário escolar.
É, para já, um caso que ninguém ligado à Câmara Municipal de Braga comenta, mas o JN apurou que, dentro da autarquia, o caso já estaria referenciado, a tal ponto que uma decisão superior terá resultado no afastamento do referido funcionário do serviço que vinha exercendo, com crianças, tendo-lhe sido atribuídas funções de motorista da vereação.
O JN apurou ainda, junto de fonte da Polícia Judiciária, que "não houve qualquer comunicação por parte do Ministério Público, nem da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Braga (CPCJB)", àquela instituição. No entanto, não foi excluída a possibilidade de o processo estar "em trânsito" do Tribunal ou da CPCJB para a PJ.
Seja como for, o Ministério Público terá já o processo em seu poder, o que, seguindo a tramitação, levará à abertura de inquérito e entrega da investigação à Polícia Judiciária. Terão sido os indícios colhidos pela família do menor portador de deficiência que levaram à denúncia do caso, apontando aspectos que adensavam o mistério. Terão suspeitado dos sucessivos atrasos no regresso a casa, após as aulas, e no facto de a criança trazer sempre consigo algum dinheiro e bolos. A situação, segundo revelou ontem o "Diário do Minho", levou mesmo a uma tentativa de perseguição, por parte da mãe, à carrinha da autarquia conduzida pelo funcionário, na tentativa de apurar os factos.
A família acabou por dar conhecimento das suspeitas junto da escola onde a criança estudava e a psicóloga da instituição (pertencente a um agrupamento suburbano), após uma conversa com a criança, terá mesmo confirmado as piores suspeitas, redigidas em relatório preliminar, apontando os abusos "verdadeiramente chocantes" do motorista e de outros dois indivíduos, alegadamente voluntários no corpo dos Bombeiros Voluntários de Braga (BVB).
"Era tudo muito estranho"
"Um dia apareceu com uma carteira, outras vezes aparecia com dinheiro. Era tudo muito estranho. Iremos até às últimas consequências para responsabilizar o funcionário municipal", afirmou a mãe ao "Diário do Minho".
O JN desdobrou-se em contactos para falar com os diferentes envolvidos no caso. A família da criança "blindou-se" para proteger a identidade do menor. A Associação Humanitária dos BVB nega qualquer acto de pedofilia dentro das suas instalações e refuta por completo o envolvimento dos voluntários neste caso.
De resto, a situação está mesmo a deixar indignada a corporação de Braga, que promete uma reacção, hoje, durante a tarde. "Estamos, neste momento, reunidos para tomar uma posição contra as falsidades levantadas", afirma o presidente da Associação Humanitária, António Machado.
Do lado da Comissão de Menores, fonte próxima do processo mostrou-se indignada. "Como é possível falar dos bombeiros quando eles nada têm que ver com o assunto? Não entendo." Mas não quis adiantar mais pormenores, sem confirmar nem desmentir o caso.
A própria responsável máxima da CPCJB explicou ao JN que é preciso salvaguardar os interesses das crianças através da confidencialidade.
"Relativamente a qualquer processo que ocorra aqui na comissão, não nos podemos pronunciar. O objectivo é proteger a criança quando está em perigo e ter o máximo de confidencialidade", esclarece Maria Teresa Ribeiro, que não esconde que actualmente, na Comissão, existem vários casos de abusos sexuais de menores que foram transmitidos ao Tribunal Judicial.
JN