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..:: Deficiente-Forum - Temas da Actualidade ::.. Responsável: Nandito => Noticias => Tópico iniciado por: migel em 30/05/2010, 11:18

Título: Pai suspeito de violar as duas filhas surdas
Enviado por: migel em 30/05/2010, 11:18
Pai suspeito de violar as duas filhas surdas
Uma das jovens contou às autoridades que tem um filho do pai e está grávida de outro


00h30m
MARISA RODRIGUES

Uma jovem surda, de 15 anos, foi retirada aos pais por suspeitas de abuso sexual. Da casa onde vivia foram também levados a irmã, grávida e maior de idade, e o filho desta, com apenas quatro anos. O suspeito é o próprio pai das duas raparigas.

O caso está a ser investigado pela Directoria do Sul da Polícia Judiciária (PJ). O pai das raparigas ainda não foi ouvido pelos inspectores, que aguardam pela conclusão de exames periciais feitos às alegadas vítimas.

O caso foi conhecido há poucas semanas quando "Andreia" (nome fictício) contou aos professores o horror que garantiu ter vivido em casa. Depois de mais um dia de aulas, a jovem de 15 anos regressou à modesta habitação, numa freguesia de Faro, onde residia com a família. Desconhecia que aquele seria um dos últimos dias que iria viver em paz.

O pai ter-se-á aproveitado de uma ocasião em que estava sozinho com a filha para acariciar-lhe os seios. Já teria tentado fazê-lo noutra altura, mas a menina conseguiu escapar. Assustada, "Andreia" acabou por escolher como confidente a irmã mais velha, "Gabriela" (nome fictício), também ela surda. Nessa altura, a rapariga de 27 anos terá ganho coragem para revelar um segredo que guardara até então. "Contou que o filho de quatro anos é fruto de uma alegada violação por parte do pai de ambas, tal como o bebé que carrega na barriga", apurou o JN junto de uma fonte ligada ao processo.

"Andreia" temeu que o mesmo lhe acontecesse e, no dia seguinte, desabafou com os professores. O alerta às autoridades não demorou. A situação foi sinalizada, considerada de risco - por haver suspeitas de abuso sexual - e, por isso, urgente. Acompanhados pela GNR, elementos da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) foram à casa da menor para retirá-la aos pais. Segundo uma testemunha, quando viu os militares, "Andreia" apressou-se a ir buscar o bilhete de identidade e correu para a viatura da guarda.

A menina começou por estar inicialmente aos cuidados de uma instituição longe do meio em que está inserida. Actualmente, e por decisão do Tribunal de Família e Menores, está numa outra em Faro, o que permitiu o regresso à escola e ao contacto com professores e colegas. "Andreia", que por ser surda tem necessidades educativas especiais, "está a tentar viver o mais próximo da normalidade e não fala sobre o que aconteceu", soube o JN. Uma tia e a própria mãe tentaram contactá-la na escola, mas estão impedidas por ordem judicial.

Fonte da CPCJ confirmou que a situação está a ser acompanhada, mas oficialmente não foi possível obter quaisquer comentários, uma vez que todos os processos de promoção e protecção são de carácter reservado. Ao que o JN apurou, "Gabriela" também está numa instituição de acolhimento por ter o filho de quatro anos a seu cargo e estar grávida de oito meses.

Fonte da PJ explicou que o pai das raparigas não foi detido e nem sequer ainda ouvido pelos inspectores para dar a sua versão da história. Todos os envolvidos foram sujeitos a exames, tais como testes de ADN para apurar a paternidade da criança de quatro anos e do feto. A intenção dos investigadores será "esperar pelos resultados" e só depois avançar para eventuais novas diligências.

Contactado pelo JN, o pai disse não poder falar sobre as acusações por estar a conduzir. Depois não voltou a atender o telemóvel. O mesmo comportamento teve a mãe, que alegou estar "ocupada a trabalhar".

JN
Título: Re:Pai suspeito de violar as duas filhas surdas
Enviado por: migel em 03/06/2010, 12:30
Jovem surda alertou vizinhos dos abusos
Moradores confirmam, ao JN, que ela lhes disse que o pai a violava


"Gabriela" (nome fictício) não sofreu em silêncio. A jovem surda, de 26 anos, relatou a várias vizinhas os abusos sexuais que garante ter sido vítima durante cerca de uma década às mãos do pai. Porém, ninguém a ajudou nem alertou as autoridades.

"Fazia gestos e dizia algumas palavras. Percebia-se perfeitamente o que contava, que o pai abusava dela", contou, ontem, ao JN, uma vizinha da família, que não quis ser identificada. Outra, moradora na mesma freguesia dos arredores de Faro reconhece que o que a jovem lhe contou "é muito grave e macabro", mas nunca pensou chamar a Polícia. "Ia lá arranjar problemas com essa gente", disparou, referindo-se aos pais da rapariga.

A vizinhança também confirma o que "Gabriela" revelou ao JN. "Era um corropio de homens lá em casa todos os dias", ouve-se. A jovem fala sobre "o rapaz da mota", amigo do pai e habitual frequentador da casa onde vivia e com quem diz ter sido "incentivada" a manter relações sexuais. Ontem, ele limitou-se a dizer que "ia lá a casa petiscar". Sobre o envolvimento com a jovem, é vago, mas não desmente. "O pai dela anda para aí a dizer que eu é que sou o pai da criança. Deve ser para desviar as atenções dele".

Na freguesia todos questionam o facto de o progenitor estar em liberdade. A Directoria do Sul da Polícia Judiciária ainda estará a aguardar pelos resultados de exames periciais para agendar eventuais diligências. A jovem foi sujeita a exames, mas várias fontes médico-legais, contactadas pelo JN, referem que "a prova é muito difícil de produzir nestes casos, em particular se os eventuais abusos foram continuados e interrompidos durante a gravidez". A jovem foi mãe do segundo filho, na semana passada. A avaliação psicológica, incluída no exame médico-legal a que terá sido submetida, pode ajudar a aferir a veracidade dos relatos.

Filho perguntou pela mãe

"Gabriela" e a irmã, de 15 anos, foram retiradas da casa dos pais após a mais nova ter contado na escola que o pai a acariciou nos seios e que seria o progenitor dos dois filhos da mais velha. O caso está a ser acompanhado pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco.

As duas irmãs foram colocadas em instituições de acolhimento. "Gabriela" está com a filha mais nova com apenas uma semana de vida. O mais velho, de quatro anos, está no Refúgio Aboim Ascensão. Ontem perguntou pela mãe pela primeira vez. Apesar de revelar alguma tristeza, está bem de saúde.

JN